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(A) :: "Para o padre Ronaldo, um abraço". Capelão que terá dado "bênção" a Cris e Gio teve camisola autografada

"Para o padre Ronaldo, um abraço". Capelão que terá dado "bênção" a Cris e Gio teve camisola autografada

O padre que recebeu Cristiano Ronaldo e Georgina Rodriguez em Fátima no dia do casamento civil também se chama Ronaldo. Teve uma camisola assinada pelo jogador após a "bênção" ainda sem explicação.

Sâmia Fiates
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Artigo atualizado às 21h30 com o esclarecimento do padre Ronaldo Araújo sobre a camisola não ter sido oferecida por Cristiano Ronaldo mas comprada e posteriormente assinada

Era suposto ficar apenas sete meses, mas já lá vão sete anos desde que o padre Ronaldo Santos Araújo partiu de Manaus, no Amazonas, o maior Estado brasileiro, para Fátima. É desde julho de 2019 capelão no Santuário de Fátima, e no último dia 11 de agosto, esteve com Cristiano Ronaldo e Georgina Rodriguez na Capela da Casa de Retiros Nossa Senhora das Dores, num encontro que a Vogue internacional descreveu como a “missa” que sucedeu a uma “bênção” ao casal — realizada horas depois do casamento civil, oficializado na mansão em Cascais. Do encontro com o capitão nacional, o padre terá guardado uma lembrança.

“Para o padre Ronaldo, um abraço”, lê-se numa camisola vermelha da seleção com o número 7 autografada por Cristiano Ronaldo. O presente do jogador foi revelado pelo irmão do padre, Romeu Araújo, aos jornalistas do Globo Esporte. Sem dar mais detalhes sobre o que se passou na capela em Fátima, desvendou apenas a fotografia que prova a existência da peça, que lhe terá sido oferecida “após o casamento”. Ao Observador, num esclarecimento por e-mail, o padre fez questão de destacar que Cristiano Ronaldo não ofereceu a camisola. “Eu que a comprei e pedi para autografar.”

O também Ronaldo nasceu a 2 de outubro de 1978 numa cidade no norte do Estado do Piauí chamada Altos, com cerca de 40 mil habitantes, onde ainda vive o irmão. Contudo, como revelou numa entrevista ao canal Raízes de Fátima em 2023, foi ainda muito jovem para o Estado do Amazonas, que fica a mais de três mil quilómetros da cidade natal. “Entrei no seminário, fiz a experiência com os frades carmelitas e acabei voltando para a diocese, sendo ordenado na diocese de Manaus”, conta Ronaldo Araújo, que foi ordenado em 2009. “Fiquei 10 anos servindo como missionário naquela zona, que é realmente muito grande, mas tem uma fé muito viva. Depois disse ao meu bispo na altura que eu gostaria de parar um pouco com as atividades pastorais para estudar”, recorda. “Foi daí que surgiu a ideia de eu vir a Fátima para ficar apenas sete meses, enquanto o meu curso, que foi em Ávila, em Espanha, pudesse começar.”

A mudança deu-se em 2019, quando o padre Ronaldo Araújo teve uma breve experiência como confessor, conta num artigo publicado no site da diocese de Manaus. “Acontece que mudaram muitas coisas, o meu bispo adoeceu, o projeto ficou um pouco embaralhado, que era um projeto de bolsa, e acabei por ser convidado pelo vice-reitor do Santuário na altura, o padre Vítor Coutinho, que se eu quisesse poderia ser capelão deste santuário”, diz. A nomeação como capelão deu-se a 31 de julho de 2019, através de um decreto do Cardeal António Marto, então bispo da diocese de Leiria/Fátima, com a anuência do arcebispo de Manaus, Sérgio Castriani, para um período de dois anos. “De sete meses já estou indo para cinco anos”, destacou na altura o padre Ronaldo. “Ainda pertenço à arquidiocese de Manaus e estou aqui com um contrato entre a igreja de Leiria/Fátima e a Igreja de Manaus”, reforça, na entrevista de 2023.

No Santuário de Fátima, Ronaldo Araújo integra o corpo de capelães, que “sob a orientação do reitor, desempenha as tarefas exigidas pela missão pastoral”, informa o site oficial do Santuário, o que inclui atividades que envolvam o acolhimento de peregrinos, entre confissões, celebrações de missas ou sacramentos, por exemplo. “É uma graça, porque nunca imaginei que um dia isso poderia acontecer. Já tinha vindo, já conhecia, mas nunca imaginei que seria um capelão e estaria ao serviço deste santuário. E depois como um privilégio porque acho que muitos gostariam de ser capelães neste santuário. Sinto-me muito feliz”, afirmou, em 2023.

Desde 2024, Ronaldo Araújo é também assistente espiritual da Associação dos Servitas de Nossa Senhora de Fátima, que tem “como objetivo primordial servir os Peregrinos que se deslocam ao Santuário de Fátima, prestando-lhes assistência material e espiritual com especial incidência nos doentes”, descreve o Anuário Católico. Nas redes sociais do Santuário, o padre é figura frequente em vídeos que promovem eventos para os fiéis, como foi o caso de um retiro espiritual realizado em março sob o tema “Coração de Maria, coração ferido e glorificado”.

Apesar de a imprensa brasileira descrever Ronaldo Araújo como “o padre que celebrou o casamento de Cristiano Ronaldo e Georgina Rodriguez”, ainda não está clara a natureza da celebração realizada pelo sacerdote na capela em Fátima. Contactado pelo Observador, o padre Ronaldo Araújo encaminhou todas as questões colocadas ao Santuário de Fátima, que não confirmou o tipo de cerimónia ou bênção realizada. Num e-mail, a equipa de comunicação do Santuário explicou que as capelas “estão ao serviço dos peregrinos, que as podem reservar para diferentes celebrações”, adicionando apenas que, “para celebrações particulares, basta contactar os serviços do Santuário de Fátima e expor o que se pretende. Em função das características do grupo, o Santuário reservará a capela mais apropriada”.

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