Três jogos, outras tantas vitórias, uma média de quase quatro golos por jogo. A alteração técnica no Al Nassr, com a saída do agora selecionador Jorge Jesus para a chegada do australiano Ange Postecoglou, não trouxe qualquer alteração naquilo que é o rumo desportivo da formação de Riade em termos de resultados no início da temporada e nem mesmo a falta de reforços, extensível aos principais adversários diretos, “beliscou” essa trajetória, com o português Samu Costa a surgir como única cara nova após deixar o Maiorca por 30 milhões de euros. Nem isso nem a chegada mais tardia de Cristiano Ronaldo, que quando voltou… deixou marca.
https://observador.pt/2026/08/21/o-primeiro-golo-como-um-homem-casado-al-nassr-goleia-com-ronaldo-a-saltar-do-banco-para-marcar-pela-primeira-vez-na-epoca/
Depois de ter estado ausente no arranque da Liga frente ao Al Fateh e na primeira eliminatória da Taça do Rei saudita contra o Al-Diriyah do técnico Bruno Lage, o avançado português foi suplente utilizado no jogo diante do Al-Riyadh, entrando a cerca de meia hora do final para fechar a goleada do Al Nassr por 4-0 numa partida onde João Félix voltou a ser o principal destaque. Com isso, o número 7 chegou aos 977 golos na carreira, ficando cada vez mais perto da meta dos 1.000 naquela que pode ser a última época como jogador.
“O Cristiano Ronaldo precisou de algum tempo para voltar à competição porque esteve muito ocupado durante a pré-temporada mas a sua mentalidade é bem conhecida e ele adora jogar. Teve 30 minutos excelentes, marcou um golo e fez o que precisava fazer”, resumiu Postecoglou, que tem elogiado também o rendimento de João Félix, que começou a época a marcar quatro golos em apenas três partidas.
“Há sempre duas ou três equipas complicadas. Até em nossa casa criam problemas, não pensei que fosse assim até aqui chegar, porque não era uma liga que acompanhasse muito. Não vejo a diferença entre os jogadores que jogam esta liga e os que jogam a Liga dos Campeões. Quero continuar a trabalhar como tenho vindo a fazer. A principal diferença é que joguei na minha posição natural. Tanto a nível pessoal, como coletivo. Essa foi a chave da temporada”, salientou o internacional português ao jornal As, entre mais considerações positivas sobre… a Arábia Saudita: “Adoro viver em Riade, é muito relaxante. É como estar sempre de férias porque estou num complexo que parece um resort. Os treinos da equipa são à tarde, depois volto para casa, janto e vou dormir. Também o clima é ótimo, nunca chove. Tudo isso é perfeito para mim”.
Agora, antes da partida entre Al Hilal e Al Ahli que deixaria pelo menos um dos candidatos sem o pleno de triunfos, o Al Nassr defrontava aquele que tem sido o principal adversário jogando em casa frente à equipa de Riade: o Al Ettifaq, formação de Dammam orientada por outro australiano que chegou a ser adjunto de Ange Postecoglou no Japão, Arthur Papas. E os números não enganavam em relação às dificuldades, tendo em conta que perdera apenas por uma ocasião nas últimas seis receções ao campeão saudita, naquela que seria também a estreia como titular de Cristiano Ronaldo em 2026/27 a exigir… um esforço extra.
Na sequência de uma entrada mais forte do Al Ettifaq em campo, e apesar de um remate de meia distância de João Félix que terminou nas mãos do guarda-redes Turki Baaljawsh (10′), o Al Nassr ficou reduzido a dez num lance no mínimo caricato em que Salem Al-Najdi ficou a queixar-se de uma falta não assinalada fazendo um corte com a mão, os visitados seguiram rapidamente o lance e Bento, numa saída mal calculada da área, derrubou Moussa Dembele e acabou expulso (12′). O difícil tornava-se ainda mais complicado, com a particularidade de ter sido o jovem Abdulrahman Al-Otaibi, de 18 anos, a assumir a baliza do Al Nassr. Era dia de estreia, era dia de “acusar” a estreia: no primeiro remate do Al Ettifaq enquadrado com a baliza desde que passou a jogar em superioridade, Ondrej Duda aproveitou um erro do guarda-redes para fazer o 1-0 (31′).
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Ronaldo teve a primeira grande oportunidade do Al Nassr ainda antes do intervalo num remate cruzado que foi desviado por Turki Baaljawsh para canto (36′), João Félix voltou a criar perigo numa jogada resolvida pelo guardião saudita (39′) e seria mesmo o Al Ettifaq a aumentar a vantagem num filme já antes visto: aceleração pelo meio, remate de meia distância ainda longe da baliza neste caso de Álvaro Medrán, novo lance em que o inexperiente Abdulrahman Al-Otaibi foi mal batido para o 2-0 (45+3′). A história parecia estar contada, a ponto de Ronaldo ter sido substituído ao intervalo para a entrada de Abdullah Al-Khaibari que visava equilibrar uma luta que deixara Samu Costa sozinho no meio. E o “milagre” aconteceu.
Já depois de uma bola no poste e de um golo anulado por posição irregular de Coman, o génio de João Félix saiu da lâmpada para mudar por completo o encontro: o português isolou com um passe fantástico do meio-campo Sadio Mané para o 2-1 (74′), assistiu depois de bola parada o central Abdulelah Al-Amri para o 2-2 (77′), continuou a pedir aos restantes companheiros foco total na reviravolta apesar da desvantagem numérica e do reforço da defesa por parte do Al Ettifaq e acabou a festejar o 3-2 em cima do minuto 90, neste caso com o central Aljani a isolar Mané com um passe longo numa jogada que ainda foi anulada mas que acabou depois por ser revista pelo VAR. Contra todas as indicações, o Al Nassr manteve o pleno de vitórias na Liga e na temporada, sem golos de Ronaldo mas com Félix de novo a ser protagonista.