Os representantes legais de Andrew Tate e do seu irmão, Tristan, afirmaram que os dois se apresentam deliberadamente como muito mais ricos do que são, uma estratégia que defendem fazer parte de um “modelo de negócio [que] depende da atenção online”. Nesse sentido, segundo os advogados dos influencers, as imagens de iates de luxo, “supercarros” e relógios caros partilhadas pelos irmãos nas redes sociais não devem ser encaradas como prova da sua riqueza.
“O objetivo é precisamente o caráter extravagante das publicações feitas por eles e sobre eles. Quanto mais hiperbólica e absurda for a publicação, maior será a probabilidade de gerar visualizações e gostos, o que, por sua vez, gera receitas. Em síntese, estão a desempenhar um papel”, escreveram os advogados dos irmãos Tate num documento apresentado em tribunal, citado pelo The Guardian.
https://observador.pt/2026/07/19/eua-prendem-andrew-e-tristan-tate-a-pedido-do-reino-unido-por-crimes-de-violacao-e-trafico-sexual/
Os representantes legais dos influencers afirmaram ainda que é do interesse de Andrew e Tristan Tate “apresentarem-se como extremamente ricos nas redes sociais”, dado que ambos “operam em diversas áreas onde ensinam os homens a ganhar dinheiro“.
“Um vídeo promocional gravado a bordo de um iate não comprova a propriedade da embarcação. O ‘superiate’ não pertence aos Tates. Receberam um pagamento para promover o iate nas redes sociais“, lê-se no documento apresentado em tribunal. “O Aston Martin de 2,1 milhões de dólares [cerca de 1,8 milhões de euros] e os Bugattis de 5 e 7 milhões de dólares ([entre 4,2 e 7 milhões de euros] exibidos nos vídeos de Tristan foram alugados. A avaliação da coleção de relógios de Andrew baseia-se numa publicação independente especializada em colecionadores”.
https://observador.pt/2026/08/07/advogado-de-andrew-e-tristan-tate-pede-libertacao-dos-irmaos-alegando-que-sera-extremamente-dificil-fugirem-sem-atrair-atencoes/
O documento judicial, citado pelo jornal britânico, faz ainda referência à conta de Andrew Tate na rede social X e às alegações de que os seus tweets lhe rendem somas de nove dígitos, bem como às declarações anteriores do influencer de que será, um dia, primeiro-ministro do Reino Unido. “Todas estas publicações são exageradas”, afirmam os representantes legais.
Também as publicações nas redes sociais em que os irmãos sugerem ter recursos ilimitados em criptomoedas e dinheiro em numerário foram contestadas pelos próprios advogados, que garantem que essas alegações não correspondem à realidade.
Em julho, na sequência de um pedido de extradição das autoridades britânicas por acusações de violação, agressão e tráfico sexual, Andrew Tate, de 39 anos, e Tristan Tate, de 38, foram detidos em Miami. Segundo o The Guardian, o Reino Unido tem até ao dia 16 de setembro para submeter os documentos para processar a extradição total dos irmãos para Londres, onde deverão finalmente enfrentar as acusações a que foram sujeitos nos últimos anos.
Noutro processo, Andrew Tate está a ser processado em Inglaterra por quatro mulheres, que o acusam de violência sexual, alegações que o antigo lutador profissional de kickboxing “nega totalmente”. Em conjunto com o irmão, enfrenta ainda processos judiciais na Roménia, onde ambos são suspeitos de crimes como formação de um grupo criminoso organizado, tráfico de menores e relações sexuais com menores.
[De regresso a Portugal, Carvalhão Gil garante que não se vendeu aos russos e que nem sequer sabia que o homem com quem foi detido trabalhava para o SVR. Para ele, era só um “parceiro de negócios”. Mas as buscas às casas do espião contam uma história diferente: a PJ encontra milhares de euros escondidos em casacos, gavetas e envelopes; dezenas de documentos secretos espalhados pelas várias divisões; e até um revólver dissimulado numa estante. Já está disponível o quinto episódio do novo Podcast Plus “A Vida Dupla do Espião Traidor”. Pode ouvir no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]