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Pizza, sandes de pastrami ou asiático? Recreio, o novo centro gastronómico em Miraflores

Sete restaurantes, carta de vinhos com mais de 50 referências, happy hours e babysitter ao fim de semana. O Recreio quer ser o novo centro gastronómico para os locais, em Miraflores.

Sâmia Fiates
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Francisco Romão Pereira
photography

Por volta das 13h de uma terça-feira, quase não restam mesas livres. São famílias com crianças pequenas, muitos grupos de homens e mulheres a usar as camisas azuis-claras típicas de escritório, jovens que transparecem na pele os efeitos das férias de verão e as muitas horas de praia… Durante este horário de pausa para o almoço, neste intervalo entre o sair e o regressar à rotina, cabe um respiro, um momento para descontrair, conversar, comer e beber. É a proposta do Recreio, um novo espaço de restauração em Miraflores. Abriu portas na última semana, num modelo soft opening, mas na sexta-feira à noite por lá já tinham passado quase 800 pessoas. “Superou as nossas melhores expetativas”, elogia Martim Bruschy, um dos três sócios do novo espaço (ao lado do irmão, Lourenço Bruschy, com quem fundou o Sushi at Home em 2014; e Martim de Botton, CEO do LACS e que administrou a Santini por oito anos). “Tem-se verificado um efeito ‘bola de neve’ excelente baseado na recomendação direta dos clientes. E temos notado que uma percentagem muito considerável do público que nos visita já são clientes repetidos que regressam quase diariamente”.

Com projeto de Inês Moura, a mesma arquiteta responsável pelo Time Out Market, o espaço reflete a ideia bem-sucedida de mercado gastronómico, mas aplicada a uma zona que se divide entre o residencial e os escritórios da zona de Algés. Ocupa um andar anexo a um complexo empresarial, onde em tempos funcionou o restaurante japonês Samurai. Foi há cerca de dois anos que Martim Bruschy visitou o espaço pela primeira vez, já o restaurante estava fechado, a convite de um amigo envolvido no fundo imobiliário proprietário do edifício. “Procuravam alguém com experiência no setor para assumir o local e desenvolver um projeto de restauração”, recorda. “Se me tivessem proposto abrir apenas um restaurante convencional aqui, eu nunca teria aceitado. Não acreditava que um único restaurante isolado conseguisse funcionar neste local e, caso corresse mal, o impacto financeiro seria incomportável. No entanto, o modelo do Recreio, que integra sete marcas de restauração diferentes, mitiga imenso o risco. Se um dos conceitos não funcionar como esperado, temos a flexibilidade de o substituir por outro, mantendo o ecossistema saudável”.

São sete restaurantes, todas marcas que já tinham espaços em outras zonas da cidade — mas que não estejam inseridos em praças de alimentação de shoppings, destaca Bruschy. São eles o Amelia, um conceito que oferece brunch e pratos saudáveis; o Atalho, que anteriormente estava no Mercado de Algés e é especializado em carnes grelhadas; o Polpetta Cosmica, com charcutaria, tábuas de queijos, enchidos italianos e pratos quentes; o Street, que garante o smash burger tão importante num hub gastronómico; a pizza artesanal da Patife, resultado de um teste cego entre dez outras pizzarias (“foi eleito de forma unânime como a melhor”); o Soão, uma proposta de gastronomia asiática e que “tem margem para, no futuro, expandir a sua oferta e introduzir também uma vertente dedicada ao sushi”; o Let’s Pastrami, que funcionava “de forma discreta no Chiado”, e traz o conceito “que está em grande voga” para o projeto e, por fim, a já amplamente conhecida gelateria Santini.

“O nosso principal critério de escolha foi garantir que as marcas apresentavam conceitos gastronómicos distintos e complementares, evitando a concorrência direta entre si”, destaca Martim Bruschy, que explica que as ementas dos restaurantes foram adaptadas para o novo conceito e que, a partir de setembro, todos terão opções de menu de almoço. “É fundamental termos opções acessíveis e rápidas para os dias de semana”, assinala, sobre os pratos que devem rondar os 10 a 15 euros.

Todos os restaurantes vendem bebidas como cervejas ou refrigerantes, mas a oferta de vinhos e cocktails fica a cargo dos dois bares operados pela administração do Recreio. “Temos como sócio na área dos bares o Miguel Tojal, que faz parte da empresa Ás de Copos, que tem uma vasta experiência na área de catering de bebidas e dispõe de uma escola própria de formação de barmans. O Miguel desenvolveu toda a carta de cocktails e bebidas e assume a gestão direta das equipas de bar”, explica o sócio, que fala ainda da garrafeira, cuja curadoria ficou a cargo do enólogo António Maçanita. “Dispomos de uma seleção com mais de 50 referências de vinhos provenientes de 17 regiões de Portugal e de algumas regiões internacionais de prestígio. Temos entre 20 a 30 vinhos disponíveis para consumo a copo, com preços que começam nos 4 euros”, destaca Bruschy.

Martim Bruschy começou a empreender logo que saiu da faculdade. Na altura tinha o objetivo de pagar as viagens de surf: decidiu aprender a fazer sushi com o irmão, Lourenço, que era gerente num restaurante. Depois os dois, na contramão das opiniões da mãe, arriscaram com a Sushi at Home, um delivery de sushi numa altura em que ainda não existia nem UberEats nem Glovo. Durante quase doze anos, expandiu a marca e liderou outros projetos paralelos, incluindo uma marca de entrega de frangos, um negócio de açaí e uma agência de eventos de marketing. Por isso o frio na barriga do novo negócio já não assusta tanto (nem a mãe opina contra). “Vejo isso claramente como uma grande oportunidade de mercado”, analisa Bruschy, sobre apostar numa região fora do circuito do centro de Lisboa. “Esta zona está a registar um crescimento imobiliário e populacional brutal, com a construção de novos condomínios de habitação e torres residenciais. Estima-se que venham para aqui viver entre 10 a 20 mil pessoas num futuro próximo. Estas famílias e residentes necessitam de uma oferta gastronómica e de lazer de qualidade perto de casa, e nós sentimos muito essa carência. Tenho vários amigos que residem aqui e queixavam-se frequentemente de que não tinham opções de qualidade na proximidade”.

Para dinamizar o espaço e atrair ainda mais público, a ideia é iniciar com uma programação semanal. A partir do dia 7 de setembro arrancam as noites de quiz, sempre às segundas-feiras, conta Bruschy. Já às terças e sextas-feiras, estão previstas sessões de happy hour das 16h às 20h, com DJ ou música ao vivo. Há ainda a ideia de transformar parte do espaço numa pista de dança. Já para as crianças, o parque infantil garante a diversão dos mais pequenos, enquanto os restaurantes oferecem opções kids. O fundador do Recreio diz ainda que está nos planos ter serviço de babysitter aos fins de semana, “permitindo que os pais possam almoçar e relaxar com total tranquilidade”. De aulas de yoga à exibição de jogos de futebol, o espaço que serve tanto como restaurante como rooftop acolhe tudo o que puder acontecer entre as 10h e a meia-noite.

Nestes dias de grande ansiedade pela abertura do novo negócio, Bruschy é figura omnipresente — desde conferir os trabalhos de acabamento no chão da entrada a mover um ombrelone para dar mais sombra a uma cliente. Tarefas ainda mais exigentes quando se tem em casa uma filha de três anos de férias, e a dias de voltar a ser pai. “Gerir o cuidado de uma criança pequena, apoiar uma mulher na fase final da gestação e, em simultâneo, assegurar a abertura e o bom funcionamento de um grande negócio não é de todo fácil. No entanto, tem corrido tudo muito bem. O meu irmão e o meu sócio também têm estado muito presentes e estão preparados para assumir uma maior quota de responsabilidade operacional na altura do parto para que eu possa dar todo o apoio familiar necessário”, assegura.