Durão Barroso, em 2002, introduziu um dilema intencional na campanha das legislativas: em caso de uma III Guerra Mundial, o país iria preferir tê-lo a ele ao leme ou a Ferro Rodrigues? Na Universidade de Verão do PSD, esta terça-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, reeditou a pergunta para responder que Luís Montenegro é o único dos três grandes (PSD, PS e Chega) capaz de liderar o país numa conjuntura internacional com guerras imprevisíveis, que exige “líderes responsáveis e moderados”.
Na mesma linha de Hugo Soares no dia anterior, de provar a inabilidade dos líderes do PS e Chega para governar, Paulo Rangel questiona: “Alguém acha que o líder do Chega, numa conjuntura de guerra, de guerra comercial ou de graves desenvolvimentos no Médio Oriente seria a pessoa certa para liderar o País? Tem alguma credibilidade?”. E se descarta Ventura, o mesmo se aplica a José Luís Carneiro: “Não podemos ser comandados por demagogos. Nem pela pessoa que era ministro da Administração Interna e não foi capaz de antecipar a crise migratória, que desmantelou o SEF. Não está preparado para governar.”
O número dois do Governo tenta posicionar a AD como a única saída entre o extremismo do Chega e a negligência do PS. Para Rangel é preciso dizer “não ao laxismo e à leviandade do PS“, mas também “não à demagogia e à mentira que está no discurso do Chega sobre a imigração.” E acrescenta: “Estamos no meio. Da moderação. Na linha justa.”
Rangel refere depois duas polémicas relacionadas com a atualidade para demonstrar que o Governo tem um projeto de médio prazo nas questões de Segurança e Defesa. A entrada no capital da REN, que define como uma questão de segurança nacional (energética), e a compra das fragatas a Itália, que é uma questão de reforço da capacidade da Armada, são formas de o Governo preparar o futuro e afirmar a soberania nacional. “O Governo está a trabalhar no médio prazo. Dizem que não somos reformistas e depois quando se mexe num ponto crítico, aqui d’El Rei que não se pode fazer nada”, lamenta.
Sobre a entrada no capital da REN, Rangel diz que tem ouvido “tanto disparate”, que alguém tinha de vir “pôr ordem na casa”. E começa por dizer que “não há nenhum país dos 27 que não tenha controlo sobre a rede elétrica. E não temos porque fomos obrigados a não ter, durante a troika.” O ministro dos Negócios Estrangeiros diz que “parece que se esqueceram do apagão. Foi um sinal muito importante. Foi um teste à Segurança Energética. Esta [entrada na REN] é uma operação de soberania.”
Relativamente à compra das fragatas, Rangel também diz não compreender as “polémicas sem fim”, uma vez que é evidente que “Portugal precisa de proteger a sua frente atlântica”. O chefe da diplomacia portuguesa adverte que “com a nova geopolítica dos EUA, temos de ser mais responsáveis na defesa do Atlântico.”
Rangel volta a dizer que a posição da oposição sobre a REN e as fragatas mostra que não estão preparados para governar: “Não podemos entregar a pessoas que não saibam ler o sinal dos tempos.” Admite que talvez não seja “uma coisa atrativa” ser o “Governo da moderação”, mas é isso que promete ser por oposição aos dois adversários: “Não berramos o tempo todo [como o Chega], nem temos as políticas delicodoces, laxistas do deixa-andar-a-ver-o-que-é-que-dá do PS.”
O ministro dos Negócios Estrangeiros, tal como Hugo Soares e Luís Montenegro, também criticou alguns “jornalistas e comentadores”, não por não relatarem o sucesso do Governo, mas pela forma como se referiram, por exemplo, à entrada do Estado na REN.
[De regresso a Portugal, Carvalhão Gil garante que não se vendeu aos russos e que nem sequer sabia que o homem com quem foi detido trabalhava para o SVR. Para ele, era só um “parceiro de negócios”. Mas as buscas às casas do espião contam uma história diferente: a PJ encontra milhares de euros escondidos em casacos, gavetas e envelopes; dezenas de documentos secretos espalhados pelas várias divisões; e até um revólver dissimulado numa estante. Já está disponível o quinto episódio do novo Podcast Plus “A Vida Dupla do Espião Traidor”. Pode ouvir no site do Observador, no Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]