O Príncipe Harry abandonou o conselho diretivo de uma das maiores instituições de solidariedade dedicadas à vida selvagem em África. O duque de Sussex presidiu à African Parks durante seis anos e cedeu o cargo um ano antes de terem surgido as primeiras denúncias de violações de direitos humanos levadas a cabo por funcionários.
Foi em 2024 que foi publicado um relatório na imprensa britânica, com os conteúdos de uma acusação contra alguns dos guardas que delimitavam os espaços da associação. As denúncias destacam múltiplas violações e agressões contra indígenas, em tentativas de proibir o acesso aos espaços vedados pela African Parks que, na sua maioria, eram compostos por “florestas ancestrais” e que agora passaram a “áreas de conservação”, escreve o The Guardian.
Depois de uma avaliação independente, a associação partilhou um comunicado em que admitia as claras violações dos direitos humanos no parque Odzala-Kokoua, na República do Congo e que já tinha tomado as medidas necessárias para garantir que os abusos não voltavam a acontecer. E tudo aconteceu enquanto Harry era membro da direção da associação. Foi só esta segunda-feira que a porta-voz do membro da família real britânica confirmou a saída de Harry.
“O duque está orgulhoso dos seus 10 anos com a African Parks e apoia plenamente o reforço contínuo do conselho de administração”, afirmou a porta-voz, citada pelo The Guardian, reiterando que Harry continuará a apoiar a “missão da African Parks”. Em resposta, a instituição agradeceu o compromisso do príncipe e destacou a sua participação nos esforços de conservação da vida selvagem.
Ao longo dos anos, o duque chamou a atenção mundial para a necessidade urgente de proteger a biodiversidade, em benefício das pessoas e da vida selvagem, e contribuiu significativamente para promover a filantropia em prol da causa da conservação em África”, escreveram em comunicado.
A permanência de Harry na direção da African Parks com todas as denúncias que manchavam a reputação da associação também foi fortemente criticada. Desde que foram conhecidas as acusações que Harry recebia apelos para abandonar a organização — e algumas vozes defendem que a saída não “cura” o legado manchado da African Parks.
“É escandaloso que, durante 10 anos, o Príncipe Harry tenha colaborado com a African Parks, enquanto pessoas que trabalhavam para a organização foram responsáveis por abusos e violência contra os povos indígenas. A sua saída não apaga esse historial — a própria African Parks deve agora ser responsabilizada e tem de abandonar de vez este modelo de conservação”, disse ao The Guardian Caroline Pearce, a diretora da Survival International, uma associação que defende os direitos humanos a nível global.