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INEM em clima de guerra. Ministra convoca sindicato e direção, mas acusações de "interesses ocultos" acabam em tribunal

Ana Paula Martins tenta apaziguar ambiente no instituto de socorro, mas sindicato avança com queixa contra presidente e ainda avalia processo contra a ministra. Há duas greves marcadas para setembro.

Tiago Caeiro
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A reunião desta quarta-feira — que vai juntar os técnicos do INEM, a ministra da Saúde e o presidente do INEM — está a ser encarada como decisiva para tentar acabar com o clima de guerra interna em que o instituto vive há meses. Uma situação que já levou o Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH) a convocar uma greve para os dias 14 e 28 de setembro e que, pelo meio, deu lugar a acusações de “interesses” instalados de parte a parte. O caso pode acabar em tribunal com queixas contra o presidente do INEM e até contra a ministra da Saúde.

Há, neste momento, profundas divergências entre os técnicos do instituto e o Conselho Diretivo do INEM, liderado por Luís Cabral, quanto às medidas em cima da mesa para a reforma do organismo. Sobretudo, em relação a duas mudanças que os técnicos rejeitam liminarmente: a substituição das ambulâncias de Suporte Imediato de Vida por viaturas ligeiras e a alocação das ambulâncias de Emergência Médica aos hospitais. À boleia destas divergências, prevê-se que o ambiente na reunião entre o STEPH, por um lado, e a tutela e Luís Cabral, por outro, seja, no mínimo, crispado.

O sindicato vai avançar com uma queixa-crime contra Luís Cabral e está a ponderar fazer o mesmo em relação a Ana Paula Martins, revelou ao Observador o presidente do STEPH. Rui Lázaro explica que em causa estão declarações que o sindicato considera serem ofensivas, e que atribuem ao STEPH alegados “interesses” que estarão a influenciar a forma como os seus dirigentes se posicionam publicamente sobre os problemas do INEM. “Vamos confrontá-los com essas declarações”, adianta o dirigente sindical ao Observador. Nessa mesma reunião desta quarta-feira — para a qual o Ministério da Saúde convocou o STEPH e o INEM em separado —, a ministra da Saúde vai tentar mediar o conflito e evitar a concretização da greve dos técnicos de emergência pré-hospitalar, marcada para setembro, e que pode condicionar a resposta à população.

Contudo, um entendimento entre as duas partes antevê-se difícil, uma vez que as posições estão há muito extremadas. O STEPH exige a demissão de Luís Cabral e um recuo total do INEM nas medidas anunciadas nos últimos meses, e que considera que vão resultar numa retirada de cerca de 100 ambulâncias do dispositivo de emergência, colocando maior pressão sobre os Bombeiros e diminuindo a capacidade de resposta de emergência. Já o presidente do INEM rejeita que esteja a ser preparada qualquer redução de meios, e insiste que as medidas anunciadas trazem vantagens, nomeadamente para a celeridade do socorro.

Técnicos de emergência pré-hospitalar atiram solução para a greve para as mãos da ministra

O presidente do STEPH, Rui Lázaro, admite que a greve ainda pode ser desconvocada, mas apenas se o INEM recuar na intenção de retirar ambulâncias do dispositivo nacional de emergência médica. E coloca a pressão na ministra da Saúde. “Esperamos vir a desconvocar a greve, assim o Governo vá ao encontro das nossas reivindicações. Custa-me a acreditar que o Governo não queira reforçar a emergência médica”, diz o responsável, criticando Ana Paula Martins porque a ministra, garante, “nunca quis discutir a retirada das ambulâncias” proposta pelo INEM. Rui Lázaro diz ainda que o sindicato que lidera foi convocado para a reunião no Ministério da Saúde, com a presença da ministra, e só depois percebeu, através da comunicação social, que o presidente do INEM iria estar presente.

Do lado do INEM, o presidente, Luís Cabral, sublinha que a reunião vai servir para “clarificar algumas das questões que têm sido levantadas pelo sindicato dos técnicos relativamente ao número de ambulâncias” e também do dispositivo, para “explicar de uma forma muito pragmática, muito clara, com números, todas estas questões”. “Achámos que seria de todo conveniente ter uma reunião para clarificar alguns destes assuntos, que criam alguma instabilidade, criam algum receio na população portuguesa, sem fundamento. Porque, como temos vindo sempre a dizer, não há qualquer tipo de redução de meios do dispositivo pré-hospitalar, antes pelo contrário, queremos fazer um reforço a esse dispositivo”, disse o responsável, na semana passada, em declarações à Lusa.

"Esperamos vir a desconvocar a greve, assim o Governo vá ao encontro das nossas reivindicações"
Rui Lázaro, presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar

No centro da discórdia está a transferência de 56 ambulâncias de Emergência Médica do INEM para as Unidades Locais de Saúde, ou seja, para a esfera dos hospitais. Uma decisão que os trabalhadores do INEM contestam. Por outro lado, os técnicos do INEM discordam também da substituição de 46 Viaturas de Suporte Imediato de Vida por viaturas ligeiras — aquela que é talvez a medida mais polémica.

Substituição de ambulâncias SIV por viaturas ligeiras gera discórdia

Em relação a esta última medida, os técnicos de emergência pré-hospitalar garantem que irá retirar capacidade de resposta ao dispositivo do INEM, uma vez que as viaturas ligeiras (que deverão substituir as ambulâncias SIV) não permitem fazer o transporte de doentes. Logo, alegam, isso fará com que os doentes tenham de ficar “várias dezenas de minutos” à espera de uma ambulância de um dos parceiros do INEM (Bombeiros ou Cruz Vermelha) para fazer o transporte.

“Há muitos casos em que a pessoa fica muito tempo à espera da ambulância dos Bombeiros”, alerta Rui Lázaro, explicando que o dispositivo dos Corpos de Bombeiros não permite responder em tempo útil a todas as situações, principalmente nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo e do Algarve, onde escasseiam as ambulâncias. Nessas situações, adianta, é a própria ambulância do INEM que leva os doentes para os hospitais. “A retórica do presidente do INEM esbarra nos factos”, diz o presidente do STEPH, dando o exemplo da assistência pré-hospitalar prestada ao ex-Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, no Algarve, por uma ambulância SIV, cuja equipa do INEM transportou o ex-chefe de Estado para o hospital de Faro.

https://observador.pt/2026/08/12/marcelo-rebelo-de-sousa-sente-se-mal-e-e-transportado-para-o-hospital/

Contudo, o presidente do INEM tem outro entendimento, e argumenta que a substituição das ambulâncias SIV por viaturas ligeiras vai permitir chegar aos doentes de forma mais rápida. “Aquilo que se está aqui a referir é a conversão de alguns meios, que até ao momento funcionam em ambulâncias e que passam a funcionar em viaturas ligeiras para chegarem mais rapidamente às situações que achamos que são importantes e que são triadas como prioridade mais elevada”, defende Luís Cabral. “A rapidez da deslocação é muito diferente”, vinca o presidente do INEM, ao Observador.

Um argumento que os técnicos de emergência rebatem, considerando que o pequeno ganho de tempo que poderia ser conseguido pela mudança não serviria para compensar a falta de capacidade de transporte para um hospital, ainda para mais em situações críticas, onde a chegada rápida até aos cuidados diferenciados em tempo adequado pode fazer a diferença. Para Luís Cabral, essa é uma falsa questão, uma vez que uma viatura ligeira “consegue fazer o mesmo que uma sala de emergência hospitalar consegue fazer”, explica, acrescentando que o “importante é a assistência rápida àquelas situações”. O objetivo da medida é a melhoria dos tempos de resposta às situações de emergência e críticas (designadas como P1), nas quais o INEM falhou o tempo de resposta adequado nos primeiros meses de 2026, como revelou o Observador.

https://observador.pt/especiais/inem-falha-tempo-de-resposta-nos-casos-criticos-presidente-do-instituto-admite-que-ha-trabalho-a-fazer/

“Estamos a propor uma melhor rede para dar resposta às situações”, argumenta.

Contudo, para o STEPH, o ganho de tempo na substituição de ambulâncias não é significativo. “A diferença entre o tempo que demora uma ambulância SIV e o tempo que demora um carro é insignificante. Em 30 quilómetros, ganham-se 30 segundos. E perde-se a capacidade de transporte”, vinca Rui Lázaro, acusando Luís Cabral de querer avançar com a medida sem nenhuma evidência que demonstre vantagem na resposta. “Para além de não ter nenhum estudo que demonstre alguma vantagem, o presidente do INEM não tem experiência na condução de viaturas”, acusa. Uma crítica que Luís Cabral devolve. “O senhor Rui Lázaro não sabe o que é estar numa viatura do INEM há já três anos”.

Outra vantagem da substituição de ambulâncias SIV por carros seria a rentabilização dos meios alocados a cada situação de emergência, uma vez que, explicou o presidente do INEM ao Observador, estas ambulâncias são acionadas, em alguns casos, juntamente com uma ambulância dos bombeiros ou da Cruz Vermelha, sendo que, geralmente, o doente é transportado por um destes parceiros do INEM, tornando desnecessária a presença da ambulância SIV. “De cada vez que sai uma SIV, sai uma ambulância [dos bombeiros], ou seja, temos dois veículos com capacidade de resposta no mesmo sítio. Essa SIV fica ocupada e não responde a outras situações”, disse Luís Cabral, em maio.

O presidente do STEPH concorda que, por vezes, há excesso de meios no terreno, mas defende que o problema poderia ser resolvido pela via legislativa e não retirando as SIV do terreno. “Reivindicamos a publicação de um despacho que preveja que, se a vítima precisa de acompanhamento da ambulância SIV, vai na SIV. Se precisa apenas da ambulância dos bombeiros, vai nessa ambulância”, diz Rui Lázaro, criticando o presidente do INEM por, diz, “estar há 10 meses e ainda não ter corrigido” o problema. Os técnicos de emergência pré-hospitalar defendem também que seja definido que apenas são ativadas duas ambulâncias quando a que chega mais cedo ao doente seja a menos diferenciada.

INEM nega que esteja em curso a retirada de 100 ambulâncias do dispositivo

Outra exigência dos técnicos é o recuo na intenção de transferir 56 ambulâncias de Emergência Médica para as ULS para fazerem transporte inter-hospitalar de doentes urgentes. Para o STEPH, a medida vai diminuir a capacidade de resposta à população — um argumento que o INEM rejeita. “Seria um contrassenso enorme haver qualquer tipo de redução de meios”, diz Luís Cabral, acrescentando que a medida visava melhorar a carreira dos TEPH, que passariam a poder também ter vínculos às ULS e não apenas ao INEM. “Nessa passagem, poderíamos começar a fazer transição da carreira do INEM para uma base hospitalar. Mas, se o STEPH não quer, fica como está”, acrescenta o presidente do INEM, reconfirmando a intenção do INEM de fazer a alocação das ambulâncias às bases nos hospitais (uma medida que arrancou no final de julho, no hospital de Santa Maria) sem a transferência de vínculo dos técnicos de emergência pré-hospitalar para as ULS.

Luís Cabral garante que a intenção do atual Conselho Diretivo do INEM, em funções desde novembro de 2025, é a de aumentar os meios disponíveis e não a de retirar 100 ambulâncias do socorro à população, como tem alertado a Comissão de Trabalhadores e também o STEPH.

No final de julho, a Comissão de Trabalhadores do INEM tinha denunciado a “retirada de 100 ambulâncias” do dispositivo operacional próprio do INEM e considerado que tal aumentará a pressão sobre os bombeiros e a Cruz Vermelha, com “um risco acrescido” para os utentes — uma acusação prontamente desmentida pelo INEM, que argumentou que a transferência da gestão das ambulâncias de emergência médica para as ULS “não implica a eliminação desses meios, que continuarão ao serviço das populações e integrados no dispositivo nacional de emergência médica”.

Na reunião desta quarta-feira no Ministério da Saúde, os técnicos do INEM vão ainda pedir ao Governo que assuma o compromisso de aumentar a rede de Ambulâncias de Emergência, abrindo até final de 2027, no mínimo, duas em cada concelho que ainda não disponha deste meio. Segundo o STEPH, apenas cinco concelhos do país têm duas ou mais Ambulâncias de Emergência, sendo que a maioria dos municípios é servida por veículos dos bombeiros.

O tema do socorro pré-hospitalar voltou a estar em destaque nos últimos dias, depois de ter sido conhecido o relatório de atividade do INEM relativo a 2025 e que revelou que mais de 26 mil doentes críticos não foram socorridos pelo INEM com os meios mais adequados e que a taxa de inoperacionalidade das Ambulâncias de Emergência Médica (AEM) foi superior a 38%.

https://observador.pt/2026/08/20/atividade-do-inem-mostra-pressao-operacional-mas-falha-no-impacto-clinico-alerta-associacao/

A expectativa da tutela é a de que o encontro entre Luís Cabral, o presidente do STEPH e a própria ministra da Saúde — marcado para esta quarta-feira — sirva para aproximar posições, mas o caminho para um entendimento é estreito, dada a posição de partida dos vários envolvidos. O Ministério da Saúde está globalmente alinhado com a direção do INEM nas mudanças estruturais a fazer na organização do instituto e também no Sistema Integrado de Emergência Médica — a chamada ‘refundação do INEM’, nas palavras de Ana Paula Martins. Desta forma, dificilmente haverá um recuo nas medidas anunciadas nos últimos meses por Luís Cabral.

Sindicato vai avançar com queixa-crime contra Luís Cabral. Declarações da ministra ainda estão a ser avaliadas

A somar às profundas divergências em relação à organização do instituto e à assistência pré-hospitalar, o tom das acusações e insinuações — que tem subido de tom nas últimas semanas — pode também prejudicar o diálogo entre as partes. O STEPH já decidiu, com base num parecer do seu gabinete jurídico, avançar com uma queixa-crime contra o presidente do INEM, devido a declarações que Luís Cabral terá feito sobre alegados “interesses partidários ocultos” no sindicato que representa os técnicos de emergência pré-hospitalar. “O presidente do INEM disse que o sindicato tinha interesses partidários ocultos”, diz Rui Lázaro, sublinhando que Luís Cabral vai ter de explicar, na reunião desta quarta-feira, que interesses são esses.

Confrontado com a decisão do STEPH, Luís Cabral responde. “Se acham que extravasei o âmbito das minhas competências…”, diz o responsável, criticando a postura de Rui Lázaro. “O senhor Rui Lázaro tem de distinguir a sua militância no PS com a sua atividade sindical”, vinca o presidente do INEM, lembrando o que diz ter sido a postura crítica do sindicato desde a sua nomeação. “Ainda não tinha chegado a Lisboa e já pediam a minha demissão”, recorda.

Rui Lázaro adianta também que o sindicato dos técnicos de emergência está ainda a analisar a possibilidade de apresentar uma outra queixa-crime, contra a ministra da Saúde, por declarações na mesma linha proferidas por Ana Paula Martins, à margem de uma visita aos hospitais do Algarve, a 14 de agosto. Quando questionada sobre o pedido de demissão do presidente do INEM, feito por Rui Lázaro, a governante respondeu. “Não é dessa maneira que a emergência médica melhora em Portugal, bem pelo contrário. E é uma coisa muito surpreendente que seja feita essa declaração por parte do presidente do sindicato, o senhor Rui Lázaro, porque parece que há ali outros interesses que eu ainda não consegui perceber muito bem”, atirou a ministra. “Mas talvez até seja melhor eu não os perceber”, acrescentou.

Vamos confrontá-los com essas afirmações“, garante Rui Lázaro, referindo-se à reunião marcada no Ministério da Saúde.

Caso não haja acordo na reunião desta quarta-feira, o STEPH vai manter a greve e já propôs que os serviços mínimos sejam assegurados com 80% dos trabalhadores escalados para os Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) à data do pré-aviso — um valor que, adianta Rui Lázaro, pode ainda vir a ser contestado pelo INEM, sendo que, nesse caso, caberá ao Tribunal Arbitral definir o mínimo de trabalhadores que terão de estar nos CODU nos dias 14 e 28 de setembro. A concretizar-se, a nova greve geral vai ter lugar quase dois anos depois da greve de 2024, que provocou sérios constrangimentos ao funcionamento do instituto, e da qual resultaram três mortos associados a atrasos no socorro, segundo concluíram as auditorias da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde. Por outro lado, o Ministério Público determinou o arquivamento, sem acusação, dos inquéritos abertos às mortes durante a greve do INEM de 2024.

Questionado sobre a greve, o presidente do INEM lembra que o atual conselho diretivo já passou por duas paralisações de trabalhadores do instituto (sendo que as duas, segundo Luís Cabral, tiveram uma baixa adesão) e não acredita que a greve marcada para setembro tenha um impacto significativo. “Os trabalhadores percebem a diferença entre reivindicações justas e reivindicações políticas. Não acredito que a greve tenha impacto, porque desde o dia 4 de novembro de 2024, os técnicos perceberam que são profissionais de saúde e estão sujeitos a regras deontológicas e éticas. Não podem colocar os utentes em causa”, realça o presidente do INEM.

Ordem dos Médicos pede “bom senso” e diz que há pontos da reforma do INEM que “têm de ser alterados”

Ao Observador, o bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes (que esteve reunido com o presidente do INEM esta terça-feira) espera que impere o “bom senso” na reunião marcada para esta quarta-feira no Ministério da Saúde, dada a sensibilidade que sempre envolve uma greve na área da emergência médica. “Tem de imperar o bom senso, tem de haver um entendimento. Uma greve nesta área tem sempre impacto negativo sobre os doentes, estamos a falar da vida de pessoas. E por isso têm de estar garantidos meios para os doentes emergentes serem socorridos”, diz o responsável, apelando também ao “sentido ético” dos profissionais.

"Tem de imperar o bom senso, tem de haver um entendimento. Uma greve nesta área tem sempre impacto negativo sobre os doentes, estamos a falar da vida de pessoas"
Carlos Cortes, bastonário da Ordem dos Médicos

A reunião desta terça-feira entre Carlos Cortes e Luís Cabral serviu para analisar os dados de desempenho do INEM, conhecer em concreto as mudanças previstas no âmbito da reforma e contribuir para soluções que reforcem a emergência médica em Portugal. O bastonário dos médicos considera que as discussões sobre o funcionamento do INEM “estão deslocadas do essencial”, que é, sublinha Carlos Cortes, a avaliação concreta dos resultados das situações de emergência a que o INEM responde todos os dias. “O foco principal tem de estar nos doentes. Os resultados em saúde nunca são medidos e têm de ser”, diz o responsável. “Um sistema de emergência médica mede-se pela capacidade de prestar uma resposta mais rápida, mais segura e mais eficaz a quem precisa de ajuda”, acrescenta Carlos Cortes.

[De regresso a Portugal, Carvalhão Gil garante que não se vendeu aos russos e que nem sequer sabia que o homem com quem foi detido trabalhava para o SVR. Para ele, era só um “parceiro de negócios”. Mas as buscas às casas do espião contam uma história diferente: a PJ encontra milhares de euros escondidos em casacos, gavetas e envelopes; dezenas de documentos secretos espalhados pelas várias divisões; e até um revólver dissimulado numa estante. Já está disponível o quinto episódio do novo Podcast Plus “A Vida Dupla do Espião Traidor”. Pode ouvir no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]