Duas finais perdidas da Liga Conferência com West Ham e Olympiacos, boas prestações na Serie A, a vontade de esquecer o 15.º lugar da última temporada para regressar à luta pelas vagas europeias. A Fiorentina teve a capacidade de fazer aquilo que há muito não fazia e investiu forte em 2026/27, dando ao seu novo treinador, Fabio Grosso (esse mesmo que marcou o penálti que decidiu o Mundial de 2006), um plantel como há muito não se via com caras novas como Christ Inao Oulaï, Dragusin, Álex Jiménez, Mateo Pellegrino, Arthur Atta, João Mário ou Marco Brescianini. Acima de todos, a maior das pérolas: Franco Mastantuono. Todos surgiam em telas como se fossem obras-primas de Botticelli, Leonardo da Vinci ou Miguel Ângelo no lançamento da Serie A, com o argentino a ter o principal destaque. No entanto, em Roma, a arte ficou para outros.
https://observador.pt/2026/08/19/rodrigo-encontrou-as-chaves-do-seu-anagrama-e-ja-nao-mora-na-invicta-fc-porto-oficializa-acordo-com-a-roma-por-25-milhoes-por-agora/
Depois de ter goleado o Benevento na Taça de Itália, a formação de Florença acabou goleada na estreia na Serie A no Estádio Olímpico. Mastantuono, de quem se espera(va) muito, mostrou pouco ou nada: 39 toques na bola em 62 minutos, nove passes completos, quatro faltas sofridas, 18 bolas perdidas. Nada correu bem ao esquerdino formado no River Plate, que acabou a atirar coisas ao chão no banco perante uma estreia na liga italiana que não trouxe boas recordações. Ao invés, e do outro lado do relvado, um artista apareceu naquele que foi o primeiro encontro na Serie A com pouco mais de um par de treinos pela Roma: Rodrigo Mora.
Titular num ataque em tridente com Paulo Dybala no apoio a Donyell Malen, o português foi um dos grandes destaques da primeira parte do encontro, tendo uma jogada a fintar da esquerda para o meio com um remate colocado para defesa de David de Gea como principal referência dos 54 minutos em que esteve em campo. Se a receção na chegada a território transalpino já tinha sido boa, a saída por troca com o argentino Matìas Soulé trouxe ainda mais apoio ao antigo jogador do FC Porto. O início dificilmente poderia ter sido melhor, entre o hat-trick de golos de Malen e de assistências de Dybala antes do 4-0 por Niccolò Pisilli.
Muito feliz pela estreia, mas ainda mais feliz pela vitória. Atmosfera incrível! Queremos fazer ainda melhor. Força Roma”, escreveu Rodrigo Mora depois da estreia no Olímpico de Roma.
“O Rodrigo Mora foi uma escolha certa. Ele precisa de melhorar em alguns aspetos, mas estamos a falar de um talento extraordinário. Tem 19 anos e já foi campeão nacional pelo FC Porto. Tem, certamente, margem para evoluir, mas também tem personalidade e mostrou-a esta noite. Cada vez que toca na bola, acontece algo de bonito. Pelas características que tem, é resistente e apresenta valores atléticos de grande nível. Pode atuar em qualquer posição do ataque e tem o futebol como talento. É um jogador versátil, que pode jogar tanto à esquerda como à direita. Obviamente, ainda há trabalho a ser feito: ele está aqui há apenas uma semana e só fez cinco treinos. Mas vai dar-nos muitas alegrias”, destacou o técnico Gian Piero Gasperini.
https://twitter.com/_Goalpoint/status/2092029318947872853
Nove dias depois de ter sido suplente não utilizado na deslocação do FC Porto a Vila do Conde, após ter feito 15 minutos na primeira jornada do Campeonato frente ao Alverca, Rodrigo Mora fez a estreia pela Roma na sequência de cinco dias na capital italiana, onde ficou com o número 86 que envergava na Invicta. “Estou ansioso para trabalhar com o treinador. Ele gosta muito de jogadores que atuam na posição 10 e eu gosto de jogar nessa posição. Acho que nos daremos bem. Champions? É algo com que sempre sonhei. Ainda não tive essa oportunidade e sei que sou jovem, mas era um sonho e um objetivo meu. Estou muito feliz e mal posso esperar para jogar na Liga dos Campeões. Dybala? Cresci a vê-lo jogar, quero muito jogar com ele”, comentou o jovem jogador português no dia da apresentação, em declarações ao portal Romanews.
https://twitter.com/HQDybala/status/2092047502404931666
“A saída do FC Porto ainda é difícil para mim. Tenho que assimilar tudo porque é a primeira vez que saio do FC Porto, onde passei toda a minha vida, mas não tenho dúvidas de que será uma mudança positiva. Foi uma negociação difícil que demorou bastante. Estava ansioso para chegar aqui. Sempre tive fé, mesmo quando as coisas não pareciam estar a correr tão bem. Mas sim, quando soube que ia me mudar para cá, fiquei muito feliz e tenho que ser grato por todo o apoio que recebi. Quando soube do interesse da Roma, muitas pessoas e muitos adeptos começaram a enviar-me mensagens, e isso emocionou-me. Obviamente, fiquei feliz. Agradeço a todos por isso, especialmente ao presidente e ao treinador”, acrescentou Rodrigo Mora, que já antes tinha deixado uma longa carta de despedida aos adeptos azuis e brancos antes da saída para Roma.
https://twitter.com/sporttvportugal/status/2091966640430678170
“Muitos sonhos, alguma timidez e, acima de tudo, muita vontade de jogar futebol: foi assim que, com apenas nove anos, cheguei ao FC Porto. Olhando para trás, dez anos depois, percebo que não cresci apenas como jogador. Cresci também como homem, como pessoa. O FC Porto moldou o meu ADN, incutiu-me valores e encheu-me de memórias. Levarei tudo isso comigo para o resto da minha vida! Entrei orgulhosamente para a história do livro de honra de vitórias sem igual aos 15 anos, quando tive a oportunidade de me estrear na equipa B, pela mão do mister Folha. Mais tarde, a 25 de setembro de 2024, realizei um dos meus maiores sonhos: estrear-me na equipa principal do FC Porto com apenas 17 anos”, começou por dizer.
https://twitter.com/nexygs9/status/2091987048144023918
“À parte de todos os golos, vitórias e prémios, o verdadeiro privilégio que tive foi o de sentir diariamente, ao longo de uma década, o carinho, o apoio e a paixão dos nossos sócios e adeptos. Vocês, dragões, estiveram sempre presentes! Vocês, tripeiros, fizeram a diferença! Vocês, o povo mais forte, fizeram-me sentir o verdadeiro significado de representar este clube! São vocês a alma do FC Porto! É a vossa raça que nos torna autênticos e a vossa paixão que nos faz perceber a responsabilidade de vestir de azul e branco. Convosco, consegui cumprir aquele que era, esse sim, o meu maior sonho: ser campeão nacional e poder festejar esse título na Avenida dos Aliados. Uma nação inteira vestida de azul e branco. Um troféu erguido perante uma cidade coberta de euforia, felicidade. Um grito só de todos nós que se propagou muito para além do Douro. Um sonho de criança que ainda hoje não consigo descrever”, prosseguiu o médio ofensivo.
https://twitter.com/CronacheTweet/status/2092000818836775124
“Mas a vida não pára, a vida avança… Chega hoje o momento de me despedir. É realmente difícil encontrar palavras que expliquem tudo aquilo que este clube representa para mim. Saio com o coração cheio! O FC Porto fez parte da minha infância e da minha adolescência. E fará para sempre parte da minha vida. Vou seguir o meu caminho, mas há coisas que nunca vão mudar. A pronúncia do Norte está em mim e onde eu estiver haverá sempre um pouco mais de azul! Será sempre o clube do meu coração”, concluiu Mora.