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(A) :: Dezasseis pessoas ficaram feridas após atropelamento em Albufeira. Condutor embriagado foi detido após tentativa de fuga

Dezasseis pessoas ficaram feridas após atropelamento em Albufeira. Condutor embriagado foi detido após tentativa de fuga

Há dois feridos com gravidade e dois militares da GNR foram assistidos após atropelamento na Oura. Condutor tinha carta válida em Portugal. Autarca descarta responsabilidade das autoridades.

Martim Andrade
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Inês André Figueiredo
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Agência Lusa
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Dezasseis pessoas ficaram feridas, duas das quais com gravidade, na sequência de um atropelamento na Oura, esta terça-feira, numa zona de bares em Albufeira. A GNR confirmou a detenção do condutor, um homem de 35 anos, sob suspeita de crimes de ofensa à integridade física qualificada, condução sob efeito de álcool e condução perigosa. As autoridades fizeram colheita de sangue para despistagem de substâncias psicotrópicas. Ao final da noite, à rádio Renascença, fonte oficial da Procuradoria-Geral da República confirmou que o Ministério Público abriu um inquérito para apurar as circunstâncias do acidente e para um “eventual apuramento de responsabilidades”.

Os factos remontam às 3h, na Rua Francisco Sá Carneiro. Um conjunto de militares da GNR abordou o condutor que seguia naquela zona que não obedeceu à ordem de paragem e inverteu a marcha. “Momentos depois, ao ser novamente intimado a parar por militares, o suspeito voltou a ignorar a ordem e avançou na direção dos peões e do dispositivo policial, atropelando várias pessoas”, lê-se na descrição da Guarda, num comunicado enviado às redações.

https://www.youtube.com/watch?v=rODRoYvQeCE

O homem de 35 anos embateu noutro carro enquanto tentava fugir das autoridades, mas acabou por ser intercetado e detido quando tentou colocar-se em fuga apeada. “Submetido ao teste de despistagem de alcoolemia, o suspeito acusou uma Taxa de Álcool no Sangue (TAS) de 1,29 g/l, tendo sido igualmente sujeito à realização de exames toxicológicos”, continuam.

Os vários feridos, entre os quais estavam dois militares da GNR, foram transportados para os hospitais de Portimão e Faro, e ainda para o Centro de Saúde de Albufeira, no distrito de Faro, indicou à Lusa fonte do Comando Sub-Regional do Algarve. No local estiveram 58 operacionais, com o apoio de 13 veículos.

Segundo fonte da Unidade Local de Saúde (ULS) do Algarve, tiveram alta dos hospitais seis feridos ligeiros, mantendo-se, em Portimão, internados dois feridos graves. O Serviço de Urgência Básica (SUB) de Albufeira também recebeu pessoas que ficaram feridas no atropelamento, quatro das quais já tiveram alta, enquanto outras quatro ainda se mantinham em observação às 16h00.

Autarca descarta falha de segurança

Rui Cristina, presidente da Câmara Municipal de Albufeira, assegura que não houve qualquer falha de segurança (“nem pensar“) e que se tratou de um “desrespeito total pelas regras” por parte de “alguém que estava altamente alcoolizado”.

Ao contrário do que tinha sido avançado inicialmente pelo autarca, o condutor tinha carta válida para conduzir em Portugal. A GNR explicou ao Observador que, inicialmente, o condutor mostrou uma carta provisória inglesa, que não o habilita a conduzir em Portugal, mas na revista ao carro foi encontrada uma outra carta, angolana, que dá a habilitação necessária — o que gerou a primeira informação errada.

Rui Cristina garante que este é um “ato isolado”. “Quando alguém contorna baias, é intercetado por uma patrulha e continua a fazer o que quer e o que lhe apetece, é complicado”, desabafa em declarações ao Observador, frisando que “ultrapassou as barreiras físicas e desrespeitou a autoridade”.

Rui Cristina explica ainda que “houve tiros de aviso, o que minimizou o número de vítimas”, enquanto a GNR confirma os disparos para alertar quem estava no local e advertir o condutor a parar, sem sucesso.

Rui Cristina realça que a autarquia tem vindo “a melhorar a segurança da vida noturna de Albufeira, de quem cá vive e quem vivia” e destaca a “diminuição dos decibéis” e “os estabelecimentos que fechavam às 4h começaram a fechar às 3h”.

https://observador.pt/programas/resposta-pronta/atropelamento-albufeira-rui-cristina-nao-foi-falha-de-seguranca/

Em conferência de imprensa em Albufeira, Rui Cristina recorda que estavam “os meios todos” na Rua da Oura, desde a GNR à polícia de intervenção, e que “de nada serviu“, mas garante que a autarquia vai “reavaliar a situação” e perceber o que pode ser feito para que “este tipo de ato isolado não volte a acontecer”.

O autarca assume a possibilidade de colocar “outro tipo de baias”, porém lembra que a colocação de betão, por exemplo, não permitiria assistências em emergência. “Muito dificilmente se poderá ir mais além, temos um reforço policial como nunca tivemos em ano nenhum, temos as baias que fazem barreira e tivemos esta situação”, reitera.

Sobre mudanças na Rua da Oura, Rui Cristina considera que já há “uma grande diferença” relativamente há um ano, quando “não se podia conversar na rua”. “É um caminho que está a ser trilhado”, realça.

Também em conferência de imprensa, o major Pedro Pereira, da GNR, revelou que o condutor é português, não reside em Albufeira e estava de férias na região algarvia. Sabe-se ainda que é emigrante no Reino Unido e era o único ocupante da viatura na altura do atropelamento. Quando foi finalmente travado pelas autoridades, “pediu desculpa, não fez mais do que isso“.

Além do exame ao álcool, que confirmou taxa crime, as autoridades fizeram colheita de sangue para despistagem de substâncias psicotrópicas e aguardam os resultados.

MAI lamenta “grave ocorrência”

O ministro da Administração Interna, Luís Neves, “condena e lamenta profundamente” a “grave ocorrência registada esta madrugada em Albufeira, na qual uma viatura atingiu dois militares da GNR e um grupo de jovens numa zona de diversão noturna muito frequentada por portugueses e estrangeiros”.

“O ministro manifesta a sua profunda solidariedade para com os militares da GNR e com todos os jovens atingidos e as respetivas famílias, acompanha com preocupação a evolução do seu estado de saúde e deseja a todos uma rápida e plena recuperação”, pode ler-se no comunicado.

O ministro da Administração Interna reconheceu “a pronta intervenção dos militares da GNR presentes no local” e refere que “as circunstâncias do sucedido serão integralmente apuradas pelas autoridades competentes”.

[De regresso a Portugal, Carvalhão Gil garante que não se vendeu aos russos e que nem sequer sabia que o homem com quem foi detido trabalhava para o SVR. Para ele, era só um “parceiro de negócios”. Mas as buscas às casas do espião contam uma história diferente: a PJ encontra milhares de euros escondidos em casacos, gavetas e envelopes; dezenas de documentos secretos espalhados pelas várias divisões; e até um revólver dissimulado numa estante. Já está disponível o quinto episódio do novo Podcast Plus “A Vida Dupla do Espião Traidor”. Pode ouvir no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]