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Cinco semanas e meia depois, o destino cumpriu-se: João Palhinha rescinde com Bayern e assina pelo Benfica

Sporting deixou de ser opção no final de junho, clubes ingleses caíram como opção em julho, Benfica tornou-se o caminho inevitável em agosto: João Palhinha assina pelos encarnados por 14+5 milhões.

Bruno Roseiro
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Aterrou em Lisboa ao início da tarde de sábado, ainda ia garantindo que estava apenas a aproveitar o fim de semana antes de voltar à Alemanha. “Ainda sou jogador do Bayern. Tenho dois dias de folga, vim aproveitar com os meus filhos, domingo regresso a Munique”, dizia João Palhinha em curtas declarações após a chegada ao aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa. As notícias eram mais que muitas, a quantidade de malas que já trazia contavam o resto, faltava apenas a oficialização de algo que era há muito esperado. Não foi no sábado, não foi no domingo, foi esta quarta-feira. E, quando fizer a próxima viagem à Baviera, será apenas para as últimas despedidas: o internacional português de 31 anos foi anunciado oficialmente pelo Benfica.

https://observador.pt/2026/07/13/como-joao-palhinha-passou-de-estar-perto-do-sporting-a-alvo-proximo-do-benfica-em-cinco-semanas/

Termina assim uma novela que há muito deixara de ser uma novela. Razão principal: o jogador que acabou a derradeira temporada num bom momento pelo Tottenham mas que nunca chegou a estar nos planos para os 26 de Roberto Martínez no Mundial tinha como única prioridade voltar a Portugal. O Bayern sabia disso, as equipas nacionais sabiam disso, todos sabiam disso. E foi isso que guiou as últimas cinco semanas e meia.

Durante vários dias, João Palhinha chegou a estar com um pé no Sporting, naquilo que seria um regresso ao clube onde terminou a formação quatro anos depois da saída para o Fulham. Os leões procuravam um ‘6’ para suprir a venda do dinamarquês Morten Hjulmand ao Atl. Madrid, a questão do ordenado também não seria problema tendo em conta que poderia ocupar o teto salarial de uma folha salarial leonina um pouco mais desafogada este ano, até a entrada na hierarquia de capitães ajudava num possível acordo. O que ficava a faltar? Um acordo com o Bayern. E se aí o Tottenham continuava a forçar para ficar com o médio, o maior problema era mesmo a resistência dos bávaros, que recusavam qualquer cenário de empréstimo a não ser que fosse acompanhado por uma compra obrigatória em 2027, sempre de 20 ou mais milhões de euros.

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Nesse contexto, o Sporting não queria avançar. Foi por isso que, na última semana de junho, os leões fizeram uma derradeira tentativa para libertarem o internacional português, que estava então ainda dividido entre o cenário de regresso aos verde e brancos e a hipótese de ficar de vez em Londres num projeto novo que estava a ser erguido pelos spurs. Pouco ou nada mudou. Assim, e por forma a que Rui Borges começasse a trabalhar desde o início de julho o novo meio-campo, Sergi Altimira foi contratado ao Betis, juntando-se ao jovem dinamarquês Silas Andersen nas opções para médio mais recuado. O espanhol chegou por 18,25 milhões de euros, mais dois milhões por objetivos, que eram pouco menos do que o Bayern pedia mas é um jogador com 24 anos e potencial de valorização desportiva e económica. Aí entroncava a grande diferença.

Se fosse uma corrida, o principal carro encostara às boxes enquanto o carro que seguia na roda acelerava para a frente. Na segunda semana de julho, a realidade mudara em definitivo e todas as partes sabiam disso. O Sporting sabia que João Palhinha não era opção e poderia (ou deveria) acabar na Luz. O Benfica sabia que João Palhinha era a principal opção e poderia (ou deveria) acabar na Luz. O próprio João Palhinha sabia que o Benfica era a sua principal opção e que poderia (ou deveria) ajudar para acabar na Luz. Quase seis semanas depois, aquilo que parecia estar destinado acabou mesmo por acontecer após uma longa espera.

https://twitter.com/SLBenfica/status/2092571507826233641

Pelo meio, outros clubes ingleses foram tentando o internacional português. O Aston Villa, que está numa fase de reconstrução da equipa depois de saídas importantes que causaram mossa no arranque da época. O Newcastle, que vendeu também vários titulares entre a saída do técnico Eddie Howe e que estava disposto a oferecer condições salariais ainda superiores às que tinha na Baviera. João Palhinha recusou todas essas abordagens, fazendo ver aos responsáveis do Bayern que a prioridade era apenas regressar a Portugal. Faltava o “resto”, que foi sendo negociado sobretudo nos últimos dias para chegar a um acordo final.

Se entre Benfica e jogador a negociação foi fácil, com Palhinha a assumir um ordenado bem mais baixo do que recebia na Baviera para voltar a Lisboa (que ainda assim era superior ao que podia ter em Alvalade) e a aceitar o repto lançado pelo antigo técnico Marco Silva, o acordo com o Bayern foi demorando perante toda a resistência que os alemães foram tendo à saída do médio por forma a minimizar as perdas que iriam sempre acontecer face aos 50 milhões de euros que tinham sido pagos ao Fulham em 2024. Ainda assim, a fasquia foi descendo. Primeiro, caíram os mais de 20 milhões de euros entre valores fixos e objetivos. Depois, desceu o montante de 20 milhões fixos. Por fim, tudo terá ficado acertado por 14 milhões fixos mais cinco milhões de variáveis, num valor que Frederico Varandas, líder do Sporting, considerava demasiado alto.

Depois de um compasso de espera nos dois últimos dias, muito por culpa de questões burocráticas ligadas às comissões que serão pagas pela transação e do pagamento do salário de agosto que ficou ainda do lado do Bayern, João Palhinha, que realizara (e passara) exames médicos esta segunda-feira, chegou de manhã ao Seixal, numa altura em que a equipa fazia o último treino antes da viagem para a Dinamarca, onde defronta esta quinta-feira o Aarhus na segunda mão do playoff de acesso à Liga Europa. O médio assinou um contrato de quatro temporadas, válido até junho de 2030, ficando com um dos vencimentos mais elevados do plantel.

“A Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD (“Benfica SAD”) informa que chegou a acordo com o Bayern Munique para a aquisição da totalidade dos direitos do jogador João Palhinha, por um montante de €14M (catorze milhões de euros), ao qual poderá acrescer até um valor máximo de €5M (cinco milhões de euros) pago em função de objetivos pré-definidos. A Benfica SAD celebrou um contrato de trabalho desportivo com o referido jogador que vigora até 30 de junho de 2030, o qual inclui uma cláusula de rescisão no valor de €50M (cinquenta milhões de euros)”, comunicou a sociedade da Luz à CMVM.

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“O Sporting esteve interessado no regresso de Palhinha, que nesse momento, em finais de junho, deu prioridade ao Tottenham porque queria ficar no clube. O que é legítimo. O Tottenham não aceitou as condições financeiras, e o Sporting não pôde ficar à espera de Palhinha, seja Palhinha ou outro jogador qualquer. Hoje, o Palhinha ainda é jogador do Bayern, o que para nós era impossível. Mas também vou dizer: se no final de junho as condições exigidas ao Sporting fossem aquelas de que se fala, não iríamos avançar por ele. Não estou a dizer se a decisão é certa ou errada, simplesmente não é o nosso projeto desportivo. Não é a nossa estratégia investir todas aquelas dezenas de milhões de euros num jogador com 31 anos. Não está certo nem errado, simplesmente não é o nosso projeto”, assumira o presidente verde e branco este domingo.

Tudo aconteceu quatro anos depois de João Palhinha ter deixado Alvalade e o futebol português para rumar ao Fulham, a troco de 20 milhões de euros fixos mais dois de variáveis (mais tarde renderia mais três milhões pela mais-valia de 10% numa futura venda). Pela mão de Marco Silva, o antigo jogador do Sporting afirmou-se na Premier e tornou-se um dos melhores jogadores da posição, algo que agradou ao Bayern, que pagou mais de 50 milhões pelo seu passe em 2024, com um ano de atraso por conta de problemas burocráticos. Apesar de ter sido na Alemanha que conquistou o único troféu de clubes desde que saiu de Portugal – a Bundesliga, que juntou à Liga das Nações do ano passado –, Palhinha não se conseguiu afirmar nos bávaros e, na época passada, acabou riscado por Vincent Kompany, chegando ao Tottenham por empréstimo.

Em Londres, João Palhinha voltou a encontrar o melhor nível e partiu para a melhor temporada da carreira no capítulo dos golos (sete), com duas assistências – igualou o melhor registo. “Chegou-se à frente quando mais precisámos e deu tudo pelo clube. Farás sempre parte da nossa família, João”, partilharam os spurs na hora da despedida. “Escrevo esta mensagem com uma enorme gratidão por toda a gentileza e todo o apoio que sempre me demonstraram ao longo da minha passagem por este clube tão especial. Representar o Tottenham teve um impacto profundo na minha vida, não apenas a nível profissional, mas também pessoal, e é algo que levarei comigo para sempre”, escreveu também o jogador nas suas redes sociais.

https://twitter.com/SLBenfica/status/2092575284231037379

Marco Silva é o outro fator que une João Palhinha ao Benfica. Foi com o treinador português que o médio se afirmou na Premier, sendo que a ligação entre ambos é pública, a ponto de, em dezembro, os dois terem ficado bastante tempo à conversa no final do duelo londrino entre Tottenham e Fulham. Thomas Frank, então treinador dos spurs (viria a ser substituído em fevereiro por Igor Tudor, que no final de março já estava também a ser trocado por Roberto De Zerbi) não terá gostado da atitude do seu jogador e, no jogo seguinte, deixou mesmo o médio no banco de suplentes, acabando por empatar frente ao Newcastle.

Depois da confirmação definitiva da chegada de João Palhinha, o Benfica tem agora outros assuntos ainda pendentes em relação ao mercado de transferências – e não são poucos. Por um lado, jogadores como Trubin, Lukebakio, Bruma e o próprio Richard Ríos deverão ser negociados nos próximos dias, naquele que será o corte definitivo no plantel às ordens de Marco Silva. Por outro, a SAD encarnada procura ainda chegar a alguns alvos para fechar o grupo, entre a chegada de um guarda-redes para ser a sombra de Samuel Soares na baliza, uma alternativa a Samuel Dahl no lado esquerdo da defesa, e, existindo margem, mais um jogador de características ofensivas que possa atuar preferencialmente a partir do lado direito do ataque.