“Nous n’étions pas prêts à compromettre la souveraineté du Canada ou à nuire à nos principaux secteurs. Nous n’étions pas prêts à faire de compromis sur notre souveraineté, la protection de la langue française et notre culture. Pour nos collègues américains, soyons clairs : pour mon gouvernement et pour le Canada, ces questions n’ont jamais été à l’ordre du jour même si les États-Unis ont essayé jusqu’à la dernière minute de les inclure”. [“Não estávamos dispostos a comprometer a soberania do Canadá nem a prejudicar os nossos principais setores. Não estávamos dispostos a abdicar da nossa soberania, da proteção da língua francesa e da nossa cultura. Para os nossos colegas americanos, que fique claro: para o meu governo e para o Canadá, estas questões nunca estiveram na ordem do dia, mesmo que os Estados Unidos tenham tentado incluí-las até ao último minuto”.]
Em francês, Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá, explicava uma das razões para sair da mesa de negociações com os Estados Unidos da América onde estava a ser trabalhado um acordo comercial entre os dois países vizinhos.
Foi mais uma vez Mark Carney que fez ouvir a sua voz contra o todo-o-poderoso Donald Trump, um confronto que não foi o primeiro e que tinha tido o prelúdio na Cimeira de Davos, em janeiro, quando o primeiro-ministro do Canadá alertou para a coerção económica das grandes potências aos países médios, e já depois do primeiro encontro dos dois chefes de governo em maio de 2025 — no qual Carney afirmou que o Canadá não está à venda, quando Trump sugeriu que o vizinho podia vir a ser o 51.º estado dos EUA.
Agora, Mark Carney decidiu retirar-se das negociações para um acordo comercial, não se deixando pressionar pela entrada em vigor das tarifas alfandegárias de 50% sobre produtos avaliados em 20 mil milhões de dólares (18,5 mil milhões de euros), que começaram no fim de semana. E ainda anunciou o estabelecimento de uma tarifa recíproca sobre bens que entrassem no Canadá chegados dos Estados Unidos. Uma retaliação “dólar por dólar”, declarou, que começará a 8 de setembro, numa altura em que as eleições intercalares nos Estados Unidos aquecem (realizam-se a 3 de novembro).
O Canadá é o maior parceiro comercial dos Estados Unidos, em trocas com saldo negativo para a maior economia do mundo. Só que se o Canadá representa cerca de 15% do comércio dos EUA, este país pesa bem mais na economia canadiana. Representa mais de metade do comércio do Canadá. E mesmo sabendo que os 50% de tarifas só apanham 5% das exportações do Canadá, Donald Trump já ameaçou estendê-las a mais produtos a partir de janeiro de 2027.
Foi na rede social Truth Social que o Presidente dos Estados Unidos ameaçou: “A 1 de janeiro de 2027 as tarifas a todos os carros, camiões, grandes e pequenos, componentes automóveis e aço serão aumentadas para 50%. Construam nos Estados Unidos e haverá zero tarifas. O Canadá não será mais tratado como um Estado. No comércio, e também de outras formas, estão entre as piores nações para se negociar. Nós não precisamos do Canadá, eles precisam dos Estados Unidos”. Noventa e cinco por cento dos negócios canadianos, continuou Trump, são feitos com os Estados Unidos, acusando o Canadá de ter imposto tarifas elevadas a agricultores e a produtos agrícolas dos EUA.
Já Mark Carney tinha acusado os Estados Unidos de “assinarem com lápis” alguns acordos e assumiu que o seu governo tinha percebido “antes de muitos” que “a América iria transformar todas as suas relações comerciais, que iria colocar um conjunto de tarifas nos seus aliados mais chegados e que iria usar a integração económica como arma”.
Os parceiros de longa data, com economias interligadas, entram agora numa escalada na guerra comercial sem que se perceba onde chegará. É também um teste para Mark Carney que assumiu, para a rutura das negociações, que os Estados Unidos estavam a exigir demasiado e a oferecer muito pouco e acrescentou: “Estamos em guerra quando somos atacados — nós fomos atacados”.
https://youtu.be/GZTax-P4D1w
As negociações não se restringiram às trocas comerciais entre os dois países. Foram mais além. Os Estados Unidos terão exigido menor obrigatoriedade na inclusão do francês em manuais ou a percentagem obrigatória de conteúdos em francês nas plataformas digitais — e por isso Carney, na conferência de imprensa que deu a explicar a rutura, escolheu frases relevantes para as dizer nessa língua. Uma linha vermelha, no entender do governo do estado do Québec, que tem o francês como língua oficial. Uma exigência que, segundo a imprensa canadiana, surgiu à última hora. Mark Carney acusou ainda os Estados Unidos de quererem interferir na soberania do Canadá ao pretenderem determinar com quem o país pode ter acordos, tentando impedir relações com países terceiros.
Mark Carney, desde que chegou à liderança, já negociou acordos com outros países, cerca de vinte, nomeadamente com a China, assumindo pretender diminuir a dependência do país com os Estados Unidos. E assume a perspetiva de duplicar o acesso a outros mercados “porque acreditamos no comércio livre” e “os Estados Unidos queriam restringir isso, o que é inaceitável”.
“Não podemos aceitar o que ofereceram e não podemos dar o que pediram”, declarou Carney, depois de assumir que nos últimos dias até tinha havido alguns avanços, mas exigências de última hora fizeram o Canadá recuar.
Mas qual é o verdadeiro impacto?
Ainda não se sabe como o Canadá vai responder “dólar por dólar”, mas uma coisa é certa. O Canadá depende, economicamente, mais dos Estados Unidos do que o contrário. Só que o Canadá tem alguns bens “preciosos” para o vizinho, como gás natural, energia e crude. “Não acredito que queiram que deixemos de enviar alguma dessa energia”, assumiu Carney.
As tarifas recíprocas afetam em particular a indústria automóvel canadiana, que já foi ameaçada com custos adicionais. A soberania pode estar assegurada, mas a fatura chegará de outra forma. O professor de economia da Universidade de Calgary, Trevor Tombe, estima que o Canadá pode perder 90 mil empregos, caso as tarifas permaneçam implementadas no tempo, e atribuindo uma redução nas vendas para os Estados Unidos na proporção das tarifas (50%). Com base nesta assunção, cerca de 52 mil empregos diretos estarão em risco, a que se somarão os fornecedores indiretos desses exportadores. A taxa de desemprego, atualmente nos 6,4%, escalará 0,4 pontos para 6,8%.

Os setores mais diretamente afetados serão a agricultura, indústria de eletrónica, têxteis, mobiliário, indústria de plásticos, com o transporte e a logística a serem indiretamente afetados.
Para Trevor Tombe o emprego será o maior efeito, com o impacto macroeconómico a poder ser ténuo, ainda que a Capital Economics tenha potenciado o impacto, alertando que uma guerra comercial de retaliações mútuas poderá levar o Canadá para uma recessão. As tarifas terão um impacto substantivo nas exportadoras diretamente afetadas, mas ainda não é certo em relação ao resto da economia, contrapõe a unidade de investimento do CIBC (Canadian Imperial Bank of Commerce), admitindo um impacto de 0,5 pontos na evolução do PIB canadiano — há outras estimativas de corte de 0,4 pontos no PIB. Mas tudo depende da evolução da guerra comercial. Mark Carney, no entanto, prometeu ajuda às empresas e trabalhadores mais afetados.
Com a aplicação de tarifas de 50% em 5% das exportações, o aumento médio efetivo dos custos aduaneiros será, segundo estima Joseph Steinberg, professor de economia da Universidade de Toronto, de 2,5 pontos percentuais. Uma análise do banco canadiano, RBC, aponta para um aumento de 3% para 6% das tarifas pagas pelos exportadores do Canadá, deixando de constar entre as mais baixas dos parceiros dos Estados Unidos, mas ainda assim abaixo da média tarifária dos EUA de todos os países (cerca de 7%). Segundo escreve o RBC, o aumento observado pode não ser tão elevado, porque simplesmente muitos dos produtos deixarão de ser comercializados.

O acordo preliminar passava pela redução das tarifas sobre os automóveis de 25% para 15% e do aço e do alumínio de 50% para 25%, eliminaria a tarifa de 10% sobre a madeira, além de revogar algumas das taxas mais recentes.
A imprensa internacional dá conta de que os Estados Unidos à última hora, no entanto, alteraram as reduções propostas à indústria automóvel: o corte seria aplicado apenas aos veículos ligeiros e não aos pesados, o que teria impacto na fábrica da General Motors de Oshawa e da Ford Motor em Oakville.
O Canadá cederia nas tarifas em relação à indústria automóvel e admitia alterar a atribuição de licenças nos lacticínios.
Apesar dos impactos, Mark Carney parece estar a ser bem-sucedido na sua luta contra Trump, pelo menos aos olhos dos eleitores. Três em cada quatro canadianos apoiam a decisão de Carney de sair da mesa das negociações, segundo um inquérito divulgado pelo Angus Reid.

O papel de Howard Lutnick
Não é de hoje a animosidade entre o secretário de Estado do Comércio dos EUA, Howard Lutnick, e os parceiros canadianos. Foi este membro da Administração Trump que, em junho, segundo a imprensa canadiana, terá sido instrumental na defesa de Matthew Moroun e a sua perda de monopólio com a abertura da ponte Gordie Howe, na fronteira de Windsor (Ontario) e Detroit (Michigan). O Canadá acabou a pagar a ponte, mas acedeu a repartir as receitas de portagens. A ponte abriu em julho.
https://observador.pt/especiais/poe-fim-a-um-monopolio-de-um-financiador-de-trump-e-abre-em-plena-guerra-de-tarifas-a-ponte-que-une-e-desune-canada-e-estados-unidos/
Antes, no entanto, já tinha sido o ponto principal de fricção quando Lutnick, em abril, se atirou à estratégia comercial do Canadá (minuto 14:06 do vídeo): “Eles são péssimos. É a pior estratégia de sempre”, declarou em relação à abertura do vizinho de fazer negócios com a China, lembrando a dependência do Canadá em relação aos Estados Unidos, “o consumidor do mundo”.
https://www.youtube.com/watch?v=Kl1gtK1ol8E
O histórico não ajudava e, segundo a imprensa canadiana, um telefonema de sexta-feira entre Lutnick e Carney encerrou o caso. O secretário de Estado do Comércio terá endurecido o tom e feito exigências adicionais, nomeadamente sobre a indústria automóvel. Mais duras do que os negociadores. Terá sido essa duplicidade que levou Carney a declarar que os Estados Unidos não falaram a uma só voz e não estavam unidos. O que, aliás, e entretanto, foi desmentido pelo negociador principal dos EUA, Jamieson Greer. À CNBC atirou para o outro lado as culpas de não se ter chegado a acordo: “Simplesmente queriam mais. Não sei se foi uma questão política. Não faz, certamente, sentido em termos económicos, mas talvez razões políticas”.
Questionado se o envolvimento nos últimos dias de Lutnick teria contribuído para não haver acordo, Mark Carney remeteu para a Administração dos Estados Unidos essa resposta. “Há unidade na equipa do Canadá. Não se pode dizer o mesmo em relação à dos Estados Unidos”.
Lutnick, que já mereceu a alcunha de Nutclick (depreciativa, querendo significar lambe-botas) no Canadá, é um dos mentores das tarifas da Administração Trump.
https://observador.pt/especiais/a-quem-e-que-donald-trump-da-ouvidos-nas-tarifas-do-nerd-ao-xerife-quem-sao-os-cinco-economistas-que-aconselham-o-presidente/#title-2
As tarifas como arma política de Trump estão a pôr mais dinheiro nos cofres dos EUA mas a retirá-lo das empresas e consumidores
“As tarifas estão a funcionar”, afirmou numa audição no Senado, em junho, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, acrescentando que elas estão a ajudar a reduzir o défice e promovem a reindustrialização do país. Mas cerca de um ano e meio depois de Donald Trump ter transformado as tarifas numa das principais armas da sua política económica, o balanço é menos linear do que a retórica da Casa Branca leva a crer.
Os números oficiais mostram que as taxas aduaneiras geraram uma receita extraordinária para os cofres federais, mas também aumentaram os custos para empresas e consumidores norte-americanos (embora talvez menos do que se temia).
Além disso, a política tarifária agressiva de Trump introduziu um grau elevado de incerteza no investimento e acabou por desencadear uma batalha judicial que obrigou o Governo a devolver dezenas de milhares de milhões de dólares aos importadores – aqueles que, efetivamente, pagam as tarifas.
A dimensão orçamental da política é, apesar de tudo, significativa. No ano fiscal de 2025, a cobrança de direitos aduaneiros disparou para cerca de 195 mil milhões de dólares, mais 150% do que no ano anterior. Em 2026, a receita continua em níveis historicamente elevados: até julho, as receitas provenientes da cobrança de taxas alfandegárias tinham atingido os 154,5 mil milhões de dólares.
Estes são números brutos que não consideram, porém, a parcela substancial das receitas obtidas que está, agora, a ser devolvida. Em causa estão as tarifas lançadas ao abrigo do International Emergency Economic Powers Act (IEEPA) – que foram “chumbadas” pelo Supremo Tribunal dos EUA.
A 20 de fevereiro deste ano, o Supremo Tribunal concluiu, por maioria, que a Lei dos Poderes Económicos de Emergência Internacional (IEEPA) não dava ao Presidente autoridade para impor as tarifas a que chamou de “recíprocas”, no “Dia da Libertação” (2 de abril de 2025), que incluíam uma tarifa universal de 10% e taxas (bem) mais elevadas aplicadas a determinados países, seguindo uma fórmula que foi calculada pela Casa Branca para refletir até que ponto cada país se vinha “aproveitando” dos EUA.

As tarifas “recíprocas” anunciadas por Trump no chamado “Dia da Libertação” foram uma das duas grandes categorias de tarifas que o Supremo Tribunal anulou em 20 de fevereiro de 2026. A outra grande categoria de taxas cujo fundamento legal foi anulado foi as chamadas “tarifas do fentanil”, que tinham sido aplicadas ao Canadá, México e China – ou, em rigor, aplicadas às empresas que importam bens desses países para os EUA.
A Casa Branca tem procurado manter as tarifas no centro da política económica (e orçamental) sob outros fundamentos legais que não aquele “chumbado” pelo Supremo Tribunal. Porém, o efeito prático da decisão do tribunal foi que abriu a porta à restituição das tarifas que tinham sido cobradas ao abrigo dessa lei. E, desde então, a Administração e a Alfândega norte-americana têm enfrentado uma operação de reembolso de grande dimensão.
A Customs and Border Protection criou um sistema específico para processar as devoluções, onde os importadores reclamam os valores pagos. Estimativas recentes citadas pela Reuters apontam para cerca de 100 mil milhões de dólares em pedidos de reembolso já processados ou em processamento.
Segundo dados compilados pelo Peterson Institute for International Economics, no ano fiscal de 2026 (que começou em 1 de outubro e vai até 30 de setembro), 81,3 mil milhões já tinham sido efetivamente devolvidos, em grande parte dos casos reembolsos feitos devido à decisão do tribunal.
Por exemplo, no mês de maio de 2026, pouco depois da decisão do tribunal, os reembolsos de direitos aduaneiros chegaram a quase 22 mil milhões de dólares, ligeiramente acima dos 21,9 mil milhões arrecadados nesse mês. Em junho, a diferença foi ainda maior: cerca de 49,2 mil milhões de dólares em reembolsos contra 23,6 mil milhões de novas receitas, produzindo uma receita líquida de direitos aduaneiros negativa em 25,6 mil milhões.
Ou seja, o Governo americano chegou a estar a devolver mais dinheiro em tarifas do que aquele que estava a arrecadar, em cada mês.
https://observador.pt/especiais/imbroglio-nas-tarifas-empresas-americanas-podem-ser-reembolsadas-mas-o-que-as-europeias-e-portuguesas-perderam-ninguem-pagara/
Embora Trump tenha apresentado as tarifas como um instrumento para obrigar os parceiros comerciais a pagar e como uma forma de proteger a indústria americana, a maior parte do encargo económico é suportado pelos importadores norte-americanos. Parte desse custo pode depois ser absorvido pelas empresas, pelos fornecedores estrangeiros ou transferido para os consumidores através de preços mais elevados.
Nos casos em que as empresas repercutiram os custos nos consumidores, a questão é até que ponto elas irão, agora, repercutir nos consumidores as devoluções. O partido democrata, através de congressistas como Greg Casar, acusa a Casa Branca de estar a devolver uma parte das tarifas “às empresas” e “não aos consumidores e à classe trabalhadora”.
Os estudos económicos disponíveis sugerem que o impacto sobre a inflação foi, ainda assim, menor do que alguns dos cenários mais pessimistas inicialmente previstos. Um estudo recente da Reserva Federal de Boston estima que as tarifas acrescentaram cerca de 0,5 pontos percentuais à inflação subjacente. O mesmo estudo concluiu que, em alguns casos, houve ganhos de produtividade que permitiram a algumas empresas absorver uma parte significativa do aumento dos custos sem o transferir integralmente para os consumidores.
Isso não significa que a política não tenha custos. A Tax Foundation estima que o conjunto das tarifas impostas ou previstas por Trump reduz, no longo prazo, o PIB norte-americano em cerca de 0,4% e o equivalente a 345 mil empregos a tempo inteiro.
E representam, em média, um aumento de impostos de cerca de 840 dólares por agregado familiar americano e considera que a política não alterou de forma significativa o défice comercial. A organização também estima efeitos negativos sobre a atividade económica, embora reconheça que as tarifas geram uma receita fiscal (bruta) considerável.
Finalmente, há um custo menos fácil de medir: a incerteza. Empresas que importam componentes ou matérias-primas passaram a ter de tomar decisões num ambiente em que as taxas podem mudar, ser suspensas, substituídas por outras ou contestadas judicialmente. A Tax Foundation considera que esta instabilidade pode prejudicar investimento e contratação e sublinha que esse custo económico não é recuperável através dos reembolsos.

Em relação ao acordo comercial com a União Europeia, a ameaça de tarifas extremamente elevadas acabou por produzir uma solução negociada durante o verão passado – uma solução que cria um enquadramento que é bem distinto do comércio praticamente livre que existia antes da ofensiva tarifária de Trump.
O entendimento estabelecido entre Washington e Bruxelas fixou um teto de 15% para a generalidade das exportações europeias para os EUA, incluindo setores como automóveis, semicondutores, produtos farmacêuticos e madeira. Alguns produtos ficam, porém, sujeitos apenas às tarifas normais da cláusula da nação mais favorecida ou a taxas zero.
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Em contrapartida, a União Europeia comprometeu-se a eliminar tarifas sobre bens industriais norte-americanos e a conceder maior acesso a vários produtos agrícolas e alimentares dos Estados Unidos. O acordo inclui ainda compromissos europeus de compra de energia norte-americana e de investimento nos EUA.
Para Trump, o acordo foi apresentado como uma vitória porque os Estados Unidos mantêm uma barreira tarifária que antes não existia e conseguiram concessões europeias sem uma guerra comercial aberta. Para a Europa, foi sobretudo uma forma de evitar o cenário mais gravoso que estava em cima da mesa: tarifas norte-americanas muito superiores e uma escalada de retaliações.
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