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(A) :: Carro pessoal para ministros era prática normal até Passos Coelho, diz Miguel Relvas

Carro pessoal para ministros era prática normal até Passos Coelho, diz Miguel Relvas

Ao comentar o caso do carro de Luís Neves, Relvas lembrou que só com Passos Coelho acabaram as viaturas e a segurança pessoais dos membros do Governo.

Sâmia Fiates
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Ter um carro de serviço utilizado a nível pessoal, como Luís Neves terá feito com o Volkswagen Golf apreendido pela PJ e cedido ao Ministério da Administração Interna em regime de comodato, era uma prática comum até ao Governo de Pedro Passos Coelho, de acordo com o que disse Miguel Relvas em declarações ao programa Explicador da Rádio Observador, ao comentar o caso revelado esta quinta-feira.

“Eu fui secretário de Estado em 2002, no Governo Durão Barroso, e à época os ministros e secretários de Estado tinham também a utilização de um carro pessoal. Todos eles. Uma viatura de utilização pessoal para além da viatura oficial. Isso terminou com o governo de Passos Coelho“, explicou o ex-ministro e antigo secretário-geral do PSD. “Numa das reuniões do Conselho de Ministros, tomou a decisão de que os membros do Governo deixariam de ter polícia à porta de casa, pelos custos que isso implicava, e que os polícias deviam estar era ao serviço das populações e não a aguardar os membros do Governo à porta de sua casa. E deixou de haver o carro pessoal”, esclarece.

De acordo com uma reportagem da TVI/CNN/Nascer do Sol, Luís Neves mantém, enquanto ministro da Administração Interna, a viatura que conduzia quando liderava a direção nacional da Polícia Judiciária (PJ). Trata-se de um carro desportivo Volkswagen Golf GTD, apreendido pela PJ num processo-crime, que foi cedido ao Ministério da Administração Interna em regime de comodato. Segundo a investigação, Luís Neves conduz o automóvel sem ser acompanhado por motoristas ou elementos das forças de segurança e também o utiliza na sua vida pessoal.

De acordo com Relvas, que foi ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares em 2011, durante o Governo Passos Coelho, a questão da dispensa da segurança não será uma opção do ministro. “Não são os ministros que dizem: ‘Não, eu não quero a segurança.’ A segurança é independente da opinião do ministro ou do gabinete do ministro”, diz Miguel Relvas, que considera que Luís Neves “pode ter andado a guiar e ter a segurança atrás”. “Eu, com o meu carro pessoal, várias vezes saí e tinha a segurança a acompanhar sem que fosse visível.”

Mesmo assim, o antigo secretário-geral do PSD assinala o caso como mais um exemplo das falhas de comunicação no Governo. “Isso tem a ver com a forma como o Governo está organizado. Não é uma questão do ministro A ou do ministro B. Tem que haver coordenação política, tem que haver coerência“, assinala Miguel Relvas, que tem sido crítico à administração de Luís Montenegro. “O caso do MAI é um caso concreto, é um caso de desgaste, mas nós estamos há mais de um mês numa situação incrível. É o caso do MAI, foi o caso dos professores (…), o falso caso das férias do primeiro-ministro”, assinala. “O primeiro-ministro tem que ser capaz de olhar para esta questão da coordenação política, tem que ter um Governo organizado e ter um verdadeiro número dois.”

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