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(A) :: O "raro" Pogacar, o "complexo" vírus e a "grande paixão" pelo ciclismo: João Almeida "só depende das pernas" para voltar ao pódio da Vuelta

O "raro" Pogacar, o "complexo" vírus e a "grande paixão" pelo ciclismo: João Almeida "só depende das pernas" para voltar ao pódio da Vuelta

Um ano depois de ter alcançado o maior resultado da carreira em Espanha, João está de volta à Vuelta, agora como o maior apoio de Pogacar. "O passado já passou, o foco está para a frente", garantiu.

Tiago Gama Alexandre
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Faltam menos de 24 horas para o regresso de João Almeida a uma Grande Volta. Num ano que tem sido de grande incerteza para o ciclista de A dos Francos, as certezas parecem ter ficado guardadas para a reta final da temporada. Depois de ter vivido o seu melhor ano como profissional em 2025, com dez vitórias e o segundo lugar na Volta a Espanha, Almeida até começou a nova época com o segundo lugar na Volta à Catalunha, mas o regresso a Portugal atirou-o para a mó de baixo. O terceiro lugar na Volta ao Algarve veio atrelado a um vírus no sangue que lhe prejudicou a época até esta altura. Inicialmente, o Bota Lume teve de redefinir objetivos e abdicar da Volta a Itália. Depois, apontou baterias à Volta a Espanha e trocou a participação na Volta a Burgos pela Volta à Polónia, prova em que viria a desistir devido a uma queda. Agora, os holofotes estão todos colocados em Espanha, onde Almeida será o grande escudeiro de Tadej Pogacar rumo a mais uma vitória com história.

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“Tive uma semana dura na semana passada [na Polónia], mas estamos aqui à partida para dar o nosso melhor. É claro que chego com pouca confiança, não só em termos de resultados, mas porque a preparação não foi o ideal. Não consegui fazer a Volta à Polónia como queria. Teria sido muito importante para ganhar ritmo de competição e ter um estímulo diferente do treino, além de testar as pernas. Mas podemos estar sempre confiantes no nosso talento. Sendo um voltista, espero ir melhorando de dia para dia. Mesmo que comece mal, espero continuar todos os dias e chegar à última semana melhor do que comecei. Estamos aqui para dar o nosso melhor e, felizmente, temos um grande líder para nos dar bons resultados”, começou por dizer o dorsal 12 em conferência de imprensa com os meios de comunicação portugueses.

No entender de Almeida, a presença de Pogacar na Vuelta acaba por tirar pressão, dado que o melhor ciclista do mundo “é quase uma garantia”. “As perguntas para ele já nem são se vai ganhar, mas se vai ganhar mais facilmente ou onde vai atacar… É quase uma garantia, embora saibamos que, na realidade, é difícil para todos — mesmo para ele —, e há muitos fatores fora do nosso controlo. Ter o Tadej dá uma tranquilidade enorme a toda a equipa e tira a pressão de cima de tudo. Pódio? Só dependo mesmo das minhas pernas. Ele é um corredor muito simpático em todos os aspetos e extremamente generoso. Gosta de recompensar qualquer colega de equipa pelo trabalho que fazemos por ele. Acho que nunca vimos, no passado, campeões como ele a fazer pelos colegas o que ele faz. É muito raro ver isso”, acrescentou o português.

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“Vou dia a dia. Tenho de ver como me sinto. Obviamente vou tentar ajudar o Tadej ao máximo que conseguir. As questões de resultados individuais vão ficar pendentes. Vou ver no dia a dia como estou e dar o meu melhor. Se o Pogacar me bloqueia? Ninguém está bloqueado. É tudo uma questão de força e capacidade física. Vou dar o meu máximo nestes primeiros dias para ver onde estou e como me sinto. Se vir que não estou bem para discutir a classificação geral, focar-me-ei noutra coisa, mas o principal, neste momento, é ajudar o Tadej. Somos uma equipa forte e temos de estar bem para ajudá-lo no que ele precisar. Vou tentar manter-me na frente, estar no primeiro grupo com os melhores e depois ver dia a dia”, explicou Almeida sobre a abordagem da Emirates à última da Grande Volta do ano. Quanto à lesão no joelho esquerdo, o número dois disse que sofreu “uma ferida um pouco mais funda e uma pancada forte com edema ósseo” na Polónia: “É só para não apanhar sol. Mais uns dias e tiro o penso. Está tudo tranquilo”.

Depois de uma Volta a França em que Isaac del Toro se afirmou no seio da equipa do Médio Oriente, terminando a prova no terceiro lugar, João Almeida diz que a ascensão do mexicano não o afeta. “Sinto-me igual. Acho que há espaço para todos. É um bom companheiro de equipa, dou-me muito bem com ele e fico super feliz pelos resultados que tem tido e por ver o esforço dele ser recompensado. Isso não interfere muito. O que interessa é a nossa capacidade e os nossos objetivos. Vírus? É um tema complexo. São coisas que acontecem. Já vimos no passado com vários corredores, por exemplo o [Mark] Cavendish, com mononucleose, ou atletas com Covid-19 prolongada, ficarem impedidos de andar no limite durante meses. O corpo por vezes reage assim. O que interessa é que às vezes as coisas não correm tão bem, mas estamos sempre aqui a tentar dar o nosso melhor”, assumiu Almeida.

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Por fim, o Bota Lume falou sobre a sua capacidade mental para ultrapassar as dificuldades. “É muito frustrante trabalhar tanto e, depois, não estar ao nível desejado. É aceitar que as coisas nem sempre correm como queremos. Faz parte da vida ter percalços. Se esse fosse o maior problema das nossas vidas, acho que o mundo estaria muito melhor do que está. O ciclismo é a minha grande paixão e o meu objetivo de vida. Tudo o que faço é para ser um melhor ciclista. Há sempre uma aprendizagem a tirar e estes momentos tornam-nos mais fortes mentalmente. O passado já passou, o foco está para a frente”, concluiu João Almeida, que vai partir para o contrarrelógio deste sábado, no Mónaco, às 17h56 de Portugal continental. Já o colega Ivo Oliveira, o outro português em prova, inicia a Vuelta pelas 17h10.

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