Está na estrada a 81.ª edição da Volta a Espanha. Pela sétima vez na história, a principal corrida espanhola partiu do estrangeiro, com o Mónaco a receber a gran partida pela primeira vez. A história da Vuelta-2026 passava, em grande parte, pela presença de Tadej Pogacar (UAE Team Emirates-XRG), que procura fechar com chave de ouro o lote de vitórias nas três Grandes Voltas e juntar-se ao lote de magníficos em que entrou Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike) na primeira metade do ano, com o triunfo na Volta a Itália. Por outro lado, o regresso de João Almeida à competição e à prova em que foi segundo há um ano era aguardado com particular entusiasmo, com o Bota Lume a partir com o dorsal dois da equipa (12), atrás do campeão do mundo, que é o 11. Já Ivo Oliveira, o outro português que participa na última Grande Volta do ano, corre com o 14 nas costas.
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Ao longo dos próximos 21 dias, os 184 ciclistas que compõem o pelotão de 23 equipas — as 18 WorldTeams, as três melhores ProTeams Pinarello Q36.5, Cofidis e Tudor, e ainda as wildcards Burgos Burpellet BH e Kern Pharma — vão percorrer 3.275 quilómetros em quatro países (Mónaco, França, Andorra e Espanha) distribuídos por quatro etapas onduladas, uma etapa ondulada com final em alto, quatro etapas planas, quatro etapas de média montanha, seis etapas de montanha e dois contrarrelógios. No total há dois dias de descanso — nas segundas-feiras a partir da segunda semana — e cerca de 58 mil metros de desnível positivo acumulado. Apesar de a startlist deste ano estar longe da de outros tempos — está inclusivamente abaixo da que esteve no Tirreno-Adriático —, Felix Gall (Decathlon CMA CGM), Primoz Roglic (Red Bull-Bora-hansgrohe), Mattias Skjelmose (Lidl-Trek), Enric Mas (Movistar), Sepp Kuss (Visma), Oscar Onley (Netcompany Ineos) e Santiago Buitrago (Bahrain Victorious) prometem lutar pelo pódio.
“Tem sido um ano complicado. Chego bem, talvez com pouca confiança. Estou aqui para dar o meu melhor, porque temos uma corrida para vencer. Estou aqui para ajudar o Tadej a ganhar o que lhe falta. Se conseguir um bom resultado, ótimo. Senão, terei dado o meu melhor. Corri na Polónia, voltei a ficar doente, mas não foi nada de especial. Estamos aqui com vontade e vou dar tudo. Pódio? Depende da minha condição física. Espero estar bem, mas veremos diariamente como estou. Pogacar? Já o fiz várias vezes e é um prazer trabalhar com ele. Dá muito gosto e, no final, fazes parte de uma história. Isso encanta-me muito e dá-me muita vontade. Com que resultado ficarei feliz? Na verdade não sei… como terminar [risos]. Ainda quero fazer os Mundiais, os Europeus e a Lombardia. Depois veremos se há mais alguma corrida”, explicou o português à imprensa.
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“Há muito tempo que queria competir novamente na Vuelta. Conversámos sobre isso em dezembro. Queria muito competir porque a partida é no Mónaco. Este ano era o momento certo para competir tanto no Tour quanto na Vuelta. Houve um intervalo considerável entre as provas, que acho que foi o suficiente para recuperar. A Vuelta ainda é a vitória que falta na minha coleção. Farei de tudo para conquistá-la. Vencer as três maiores corridas por etapas é um grande objetivo com o qual sonho há vários anos. Espero que as minhas pernas funcionem bem. Temos talentos excecionais na partida e aguarda-nos uma corrida exigente. A Vuelta será muito difícil. Espero que todos os que estão aqui estejam bem preparados. Há ciclistas muito bons aqui e nunca é fácil. Não posso terminar a Vuelta completamente exausto. Terei que ser inteligente e prudente”, teceu o esloveno que reside no principado e procura ser o segundo ciclista a vencer Tour e Vuelta no mesmo ano, depois de Chris Froome, em 2017.
A 23 dias do término em Granada — Madrid recebe o Grande Prémio de Espanha de Fórmula 1 na mesma data, pelo que a Vuelta teve de rumar a sul por questões de segurança —, a carrera roja começou com um contrarrelógio individual de 9,4 quilómetros no Mónaco praticamente plano, que percorreu as principais ruas do tradicional circuito citadino do automobilismo. Ainda assim, a chegada junto à famosa marina de Monte Carlo era bastante técnica e prometia ser importante para as contas da vitória e da primeira camisola vermelha.
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Como seria de esperar, foi preciso aguardar-se pelo final do contrarrelógio para se ver a decisão da vitória, com Joshua Tarling (Netcompany) a abrir as hostilidades com a liderança no ponto intermédio e na meta, retirando 1,22 segundos ao tempo de Callum Thornley (Red Bull). João Almeida acabou por se defender bem e terminou a prova a 14,27 do britânico, antes de Ethan Hayter (Soudal Quick-Step) saltar para a liderança por 4,1. Wout van Aert (Visma) chegou a 9,36, seguindo-se Tadej Pogacar que, depois de ter passado no ponto intermédio a 2,18 segundos, voou na parte final e bateu o britânico pela primeira vez num contrarrelógio por… nove centésimos de segundo. Primoz Roglic fechou as hostilidades a 22 segundos do compatriota. Nas contas finais, Almeida fechou em 18.º a 18,46, ao passo que Ivo Oliveira foi 14.º a 14,34.