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(A) :: "Está a custar-nos caro". Milei culpa aborto pela queda de natalidade na Argentina

"Está a custar-nos caro". Milei culpa aborto pela queda de natalidade na Argentina

Presidente argentino afirma que o aborto "está a custar caro" ao crescimento económico do país. Nascimentos diminuíram 47% numa década, mas já estavam em queda antes da aprovação da lei da IVG.

Miguel Pereira Santos
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Javier Milei responsabilizou os movimentos feministas e a legalização do aborto pela diminuição da taxa de natalidade na Argentina. “Esta paixão por assassinar crianças no ventre da mãe está a custar-nos caro em termos de crescimento e nem vou mencionar o impacto no sistema de pensões”, disse o Presidente argentino, segundo o jornal La Nación.

“Estamos a pagar um preço muito alto pela loucura dos lenços verdes”, disse, numa referência ao símbolo do movimento feminista e da luta pela legalização do aborto. “Hoje, a Argentina não atinge um crescimento populacional e uma taxa de natalidade que permitam a renovação de gerações”, lamentou o Presidente liberal, durante um discurso no Council of the Americas, em Buenos Aires.

Não é a primeira vez que Javier Milei responsabiliza a lei da interrupção voluntária da gravidez pela baixa da natalidade na Argentina. “Em termos de abortos, a Argentina fez uma grande confusão que provocou esta queda na taxa de reprodução”, argumentou em maio deste ano. No entanto, a lei que permite a realização da interrupção voluntária da gravidez está em vigor no país desde 2021 e a taxa de natalidade na Argentina está em queda desde 2014, quando se registaram 777 mil nascimentos.

Na década seguinte deu-se uma queda de 47% no número de nascimentos, sendo que se registaram 413.135 em 2024. A taxa de fecundidade na Argentina está cada vez mais longe de garantir a renovação geracional de 2,1 filhos por mulher em idade fértil — valor que se atingiu pela última vez em 2001. Em 2022, a taxa de fecundidade na Argentina fixou-se nos 1,4 filhos.

Os estudos sobre a queda da natalidade no país não consideram o aborto como um dos fatores contribuintes. Por outro lado, a academia aponta para o adiamento da idade em que se tem o primeiro filho, a crescente participação das mulheres no mercado de trabalho, a alteração das expectativas reprodutivas e a eficácia dos métodos contracetivos como fatores decisivos.

Um recente estudo citado pelo jornal La Nación mostra que 57% dos cidadãos com idades entre 18 e 45 anos não têm o número de filhos que gostariam de ter. “Ao contrário da ideia difundida de que as pessoas não querem filhos, esse desejo permanece presente numa parcela significativa da população. Não se trata apenas de as pessoas estarem a optar por ter menos filhos, mas também de muitas não encontrarem as condições necessárias para realizar os seus desejos reprodutivos”, afirma o relatório.

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