A Universidade de Harvard vai pagar indemnizações num total de 53 milhões de dólares (45 milhões de euros) às famílias de pessoas cujos restos mortais foram roubados à morgue universitária e vendidos no mercado negro.
Cedric Lodge foi condenado em dezembro a oito anos de prisão por ter roubado e vendido restos mortais doados para investigação médica à morgue de Harvard, onde trabalhou durante quase três décadas. Lodge declarou-se culpado do roubo e venda dos cadáveres no mercado negro, entre 2018 e 2021, num esquema em que colaborou com outras seis pessoas.
Quando Lodge foi inicialmente acusado em 2023, vários processos civis foram interpostos contra Harvard, acusando a universidade de ignorar a má conduta do funcionário da sua morgue durante anos. Os processos foram inicialmente rejeitados, mas o Supremo Tribunal Judicial de Massachusetts acabaria por decidir que os queixosos tinham argumentos suficientes para provar que Harvard não agiu de boa-fé.
Tanto a universidade como os autores destas ações judiciais pediram esta segunda-feira ao tribunal que aprovasse o acordo coletivo no valor total de 53 milhões de dólares. “Os atos criminosos de Lodge foram moralmente repreensíveis e incompatíveis com os padrões que a Universidade de Harvard e a Escola de Medicina de Harvard esperam para o tratamento de doadores de órgãos e dos seus familiares”, lê-se numa carta publicada pelos reitores da faculdade de Harvard após ser alcançado o acordo. Além disso, a faculdade anunciou a criação de uma bolsa anual para estudantes de medicina “em reconhecimento e homenagem a todos os nossos doadores de órgãos”.
Segundo os procuradores responsáveis pelo caso, Cedric Lodge aproveitou o cargo de gestor do programa de doações anatómicas para desmembrar cadáveres doados à faculdade de medicina de Harvard. Depois de utilizar os corpos doados para investigação médica, os cadáveres podem ser cremados, devolvidos às famílias ou enterrados no cemitério médico da universidade.
Segundo o Departamento de Justiça norte-americano, Lodge roubou órgãos, cérebros, pele, mãos, rostos, cabeças dissecadas e outros restos humanos. Em conjunto com a mulher, o homem de 58 anos vendeu as partes dos corpos a compradores na Pensilvânia e em Massachusetts e enviou-as através do sistema de correios norte-americano.
https://observador.pt/2023/06/15/antigo-diretor-da-morgue-de-harvard-acusado-de-roubar-e-vender-restos-humanos/
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