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(A) :: Itália. Presidente da Câmara de Como proíbe bicicletas no centro da cidade após ter sido atropelado

Itália. Presidente da Câmara de Como proíbe bicicletas no centro da cidade após ter sido atropelado

A medida abrange 30 ruas e entra em vigor em setembro. Críticos acusam o autarca de "transformar problemas individuais em problemas coletivos".

Margarida Vieira dos Santos
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Alessandro Rapinese foi atropelado por uma bicicleta elétrica em junho. Pouco depois, o presidente da Câmara de Como anunciou a proibição da circulação destes veículos no centro histórico da cidade italiana. A medida, que entra em vigor em setembro e abrange cerca de 30 ruas, desencadeou críticas de residentes e de vários políticos, que o acusam de ter agido por uma questão de vingança pessoal.

“Fui acusado de adotar esta medida porque fui atropelado por uma bicicleta elétrica – certamente, isso é verdade. As pessoas agem com base nas suas próprias experiências e eu sei o que é ser atropelado por uma destas bestas”, disse Rapinese à agência Ansa, citado pelo The Guardian. No entanto, o autarca garante que a decisão foi tomada por motivos de segurança pública, dado que a cidade recebe diariamente milhares de turistas.

A proibição, de acordo com o jornal britânico, aplica-se tanto a bicicletas tradicionais como a bicicletas elétricas, dado que o código da estrada italiano não distingue entre os dois tipos. Assim, os ciclistas terão de desmontar e seguir a pé nas ruas abrangidas pela medida. Já em 2022, a cidade de Como tinha proibido a circulação de trotinetes elétricas de aluguer no centro histórico.

O atropelamento ocorreu quando Rapinese saía da Câmara Municipal, após uma reunião do executivo dedicada à discussão de medidas para limitar a circulação no centro da cidade. “Noutras cidades, uma criança acaba no hospital e só depois os políticos tomam medidas. Aqui, nem cheguei a ser hospitalizado. Fui atropelado por uma bicicleta, recolhi informações e foi daí que surgiu esta medida”, afirmou o autarca.

Entretanto, foi lançada uma petição que apela ao presidente da Câmara para que recue na decisão. Críticos da medida defendem que algumas das ruas abrangidas estão entre as mais largas do centro e proporcionam um percurso tranquilo até ao Lago de Como, considerando que a proibição impede residentes e visitantes de recorrerem a um meio de transporte acessível e amigo do ambiente.

“Como merece um sistema de mobilidade que garanta a segurança dos peões sem penalizar os residentes, os trabalhadores e aqueles que optam por meios de transporte sustentáveis”, afirmou a estrutura local de Como do Partido Democrático (centro-esquerda). Já Paolo Emilio Russo, do partido de direita Forza Italia, considerou a proibição “absurda”.

Vários ciclistas planeiam percorrer as ruas abrangidas pela proibição numa ação de protesto marcada para meados de setembro. Vincenzo Falanga, presidente da Nova Como, uma associação local responsável pela organização da iniciativa, acusou o executivo de Rapinese de “transformar problemas individuais em problemas coletivos”.

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