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(A) :: A passagem por Espanha, o curso de Gestão e a titularidade na NCAA antes do sonho: Rúben Prey, o jovem que pode estar a caminho da NBA

A passagem por Espanha, o curso de Gestão e a titularidade na NCAA antes do sonho: Rúben Prey, o jovem que pode estar a caminho da NBA

Começou nos regionais em Portugal, seguiu para Espanha e estreou-se num dos principais campeonatos da Europa e na EuroCup. Chegou aos EUA pela porta universitária, onde sonha com a NBA.

Tiago Gama Alexandre
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Depois de Neemias Queta, Portugal pode ter mais um jogador na NBA. Numa altura em que a Seleção Nacional está reunida no Casal Vistoso para preparar a dupla jornada da segunda ronda europeia da qualificação para o Campeonato do Mundo do próximo ano, com o selecionador Mário Gomes a tecer críticas à falta de condições do local face ao calor, Rúben Prey anunciou que se vai candidatar ao próximo draft do principal campeonato de basquetebol do planeta, que vai acontecer em junho do próximo ano. Assim, quase seis anos depois do poste dos Boston Celtics ter aberto a porta da NBA — com direito a título de campeão em 2023/24 —, Portugal pode vir a ter o seu segundo jogador na liga norte-americana.

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“Próximo draft? Sim! Ainda tenho de melhorar tecnicamente em alguns aspetos do meu jogo, continuar a trabalhar no meu tiro [lançamento exterior], e também no meu físico, para ganhar mais uns quilinhos de músculo. Mas acho que estou bem encaminhado. Sinto que melhorei tecnicamente no lançamento exterior e no jogo interior. Além disso, na última vez que estive na Seleção, em 2024, pesava 95 quilos e agora peso 105, ou seja, ganhei algum músculo e isso nota-se dentro de campo. NCAA? É uma competição incrível. Acho que sou abençoado por poder competir no St. John’s e por termos chegado tão longe. Vou tentar chegar ainda mais longe este ano. Tive propostas para sair, mas confio no Rick Pitino, confio no programa que ele tem. Nunca considerei muito sair”, assumiu o poste que representa os St. John’s Red Storm, do campeonato universitário norte-americano.

Curiosamente, Rúben Prey e Neemias Queta foram as duas principais novidades de Mário Gomes para esta dupla jornada internacional, dado que os dois têm dificuldades em conciliar o calendário das suas equipas com o que é praticado na Europa e ao nível das seleções. Esta é a primeira vez que os dois são chamados em conjunto para a Seleção Nacional, onde Prey não atua desde 2024 e Neemias desde o Campeonato da Europa do ano passado. O objetivo é claro e passa por ajudar Portugal a marcar presença no Mundial, algo que nunca aconteceu ao nível do basquetebol. Na primeira fase, Portugal terminou o grupo B no segundo lugar, tendo agora pela frente três equipas do grupo A: Espanha, Geórgia e Ucrânia. Os linces começam no quarto lugar, com três vitórias e três derrotas que derivam da primeira fase.

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Dentro da Seleção, os elogios a Prey têm sido evidentes, a começar pelo próprio Queta: “O Rúben tem estado muito bem nos treinos. Tem sido um dos jogadores que tem mais corpulência física e tem evoluído desde a última vez que o vi. Acho que tem um futuro brilhante”. “Costumamos dizer que só quem está importa, mas ter a equipa na máxima força aumenta muito a confiança. O Neemias e o Prey não estão tantas vezes connosco, mas fazem parte da família. Têm uma presença física muito grande. Defensivamente é difícil acabar perto do cesto com eles em campo. A nível do ressalto ajudam bastante. No ataque temos os bloqueios e o ressalto ofensivo. São jogadores diferenciados, que vão dar muito à Seleção e são mais uma ajuda para o excelente trabalho que estamos a fazer”, disse, por sua vez, o capitão Miguel Queiroz.

Já o selecionador nacional teceu vários elogios ao jovem jogador e falou sobre a possibilidade de colocá-lo em campo ao lado de Queta. “Evoluiu bastante, do ponto de vista físico, técnico e mental, e na maneira como está em campo. Outra coisa não seria de esperar. Está numa grande universidade, com grande tradição e com um dos treinadores mais bem-sucedidos da história do basket norte-americano. Está muito melhor a todos os níveis. Temos as coisas organizadas de maneira a que possam estar os dois em campo ao mesmo tempo. O Rúben pode jogar a quatro e a cinco. Quando tivermos um quatro mais lançador, vamos mais à procura de certas coisas. Quando contarmos com um quatro menos lançador e mais forte perto do cesto, procuraremos outras. Não temos muito tempo para trabalhar, mas eles estão a fazê-lo muito bem, a assimilar as coisas e sinto-me confiante. Vamos ser uma equipa forte, competitiva, à qual vai ser difícil ganhar”, disse Mário Gomes à imprensa desportiva.

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Rúben David de Oliveira Santos Prey nasceu a 16 de fevereiro de 2005 em Paço de Arcos, é filho de Catrin Prey e David Pinto, e tem mais três irmãos: Rafael, Joana e Leandro. A sua ligação ao basquetebol começou na equipa da terra com apenas sete anos, perdurando até aos 13, idade em que saiu para rumar ao Queluz. Na equipa de Sintra sagrou-se vice-campeão de Lisboa, ficou em terceiro lugar na final-six a nível nacional e, ao serviço da seleção regional de Lisboa de Sub-14, venceu a festa do basquetebol juvenil.

Em 2019/20 chegou às camadas jovens do Joventut Badalona, na Catalunha, para fazer parte da equipa de cadetes e juniores. Com apenas 15 jogos jogou pela equipa satélite na Liga EBA, o campeonato amador de Espanha. Em 2022/23 jogou pela equipa de juniores do Badalona e, em fevereiro, venceu o Adidas Next Generation Tournament, realizado em Patras, na Grécia, torneio no qual foi eleito o MVP.

Depois de alternar entre a equipa satélite e o CB Prat, da Liga Plata — a Terceira Divisão espanhola —, Rúben Prey foi convocado para integrar o Basketball Without Borders, um campus da NBA realizado em Salt Lake City, em fevereiro de 2023, decorrendo durante o fim de semana do habitual all-star. Em 2023/24 começou na Liga Plata pelo CB Prat, mas estreou-se no Campeonato espanhol na sétima jornada pelo Joventut Badalona, devido às inúmeras baixas na equipa de Barcelona. A primeira partida foi contra o Casademont Zaragoza, tendo jogado oito minutos e feito dois pontos, dois ressaltos e uma assistência.

O português acabou por convencer e fez parte da rotação da equipa, chegando ao fim da época com 19 jogos na liga e nomeado para melhor jogador jovem, prémio que viria a ser entregue a Jean Montero, do Andorra, que atualmente representa o Olympiacos. No Campeonato espanhol, o seu melhor jogo foi frente ao Río Breogán, tendo feito 12 pontos, dois ressaltos, duas assistências e três recuperações de bola. Para lá disso, fez 11 jogos na EuroCup e chegou a estar afastado da equipa por motivos disciplinares.

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Foi em junho de 2024 que Prey deu o salto para o basquetebol norte-americano, ingressando na Universidade de St. John’s, em Queens, Nova Iorque, para tirar uma licenciatura em Gestão e representar o St. John’s Red Storm na NCAA. A escolha foi simples e deveu-se à reputação daquela universidade, bem como ao nível do curso, que o basquetebolista considera ser o melhor.

Na época de estreia participou em 33 jogos alcançando médias por jogo de 7,7 minutos, 1,6 pontos, 1,5 ressaltos e 2,5 assistências por perdas de bola. Já em 2025/26, o internacional português foi utilizado em todos os 37 jogos da sua equipa, mas só foi titular numa ocasião. Em termos de médias, ficou-se pelos 10,7 minutos, 4,3 pontos, 2,1 ressaltos, 62,5% de eficácia nos triplos (15 em 24), 50,5% nos lançamentos de campo e 67,2% nos lances livres. Foi o terceiro melhor jogador dos Red Storm em termos de bloqueios (0,7 por jogo).

Em St. John’s, Prey trabalha com Rick Pitino, experiente treinador do basquetebol universitário que chegou a orientar Boston Celtics e New York Knicks. “O Rúben é o exemplo do jogador de equipa. Nunca se queixa dos minutos, mas podia jogar em praticamente qualquer equipa do país. No próximo ano vai ter o seu starting role pela primeira vez e vai jogar muito”, garantiu o técnico de 73 anos sobre a titularidade que deverá acontecer na nova época. Curiosamente, Rúben já se tinha cruzado com outro treinador experiente em Espanha, no caso Aíto García Reneses, que treinou nomes como Ricky Rubio, Rudy Fernández ou Pau Ribas. A experiência aconteceu no Joventut Badalona, que contratou Aíto para treinar seis jovens das suas camadas jovens duas vezes por semana: Prey, Zsombor Maronka, Miguel Malik Allen, Yannick Kraag, Adrià Domènech e Kris Helmanis.

Aos 21 anos, Rúben Prey tem, à luz dos últimos dados do St. John’s Red Storm, 2,11 metros de altura e pesa 105 kgs. É “um grande fã de Cristiano Ronaldo” e, na universidade, Psicologia do Desporto é a sua disciplina favorita. Quanto à lição que leva para a sua vida, foi aprendida com a mãe e diz para “acreditar em si mesmo e nunca deixar de sonhar”.

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