Um cenário pitoresco, com casas com paredes de pedra, cercadas por árvores, rios e canais. Assim é Cotswolds, na zona centro-oeste de Inglaterra, a cerca de 160 quilómetros de Londres, repleta de aldeias com construções dos séculos XVII e XVIII entre colinas. O estilo de vida bucólico propiciado nesta região tem chamado a atenção de celebridades que procuram um sítio tranquilo para viver com a família — e distante de outros já visados pelos paparazzi, como Los Angeles e os Hamptons, nos EUA.
Há quase cinquenta anos, as belezas daquela região já chamavam a atenção do então Príncipe de Gales. Em 1980, Carlos III comprou a propriedade de Highgrove, adicionando mais uma casa ao espólio da família real britânica. Anos depois, a sua escolha foi a mesma de vários aristocratas e políticos — como o antigo primeiro-ministro britânico, David Cameron, que comprou uma casa na região em 2001. No mesmo ano, Kate Moss comprou também uma casa em Cotswolds, para a qual se mudou em 2021 durante a pandemia de Covid-19.


Mas a transformação de Cotswolds num reduto de celebridades em busca de um estilo de vida country-chic teve o seu boom a partir de 2016, quando David e Victoria Beckham — que mantêm uma boa relação com o Rei — remodelaram um celeiro em Great Tew, em Oxfordshire, transformando-o na sua casa de campo. Também Ellen DeGeneres — amiga de longa data de Meghan Markle — vive naquela região. No passado mês de dezembro, o vocalista dos Oasis Liam Gallagher comprou também uma propriedade em Cotswolds, sem deixar de fazer piada sobre o “êxodo” de pessoas famosas. “Para toda a gente linda de Cotswolds: venho em paz, nem vão dar pela minha presença. Não sou como essas celebridades tolas que gostam de dar nas vistas“, escreveu numa publicação no X.
Aquela zona entrou no que as revistas britânicas referem como a “A-list” dos famosos. A vila de Great Tew fica a apenas cinco minutos de carro da Soho Farmhouse, uma quinta centenária transformada em hotel de luxo e clube privado. Por ali já passaram Taylor Swift, Kim Kardashian, Harry e Meghan Markle — o consultor do espaço, Markus Anderson, é amigo próximo de Meghan desde antes do seu casamento. Um dos primeiros encontros entre Meghan e Harry terá inclusive ocorrido na Soho Farmhouse, com Markus a garantir a privacidade que os dois almejavam, disse o The Sun.



Especula-se que esta região seja uma das prováveis eleitas do casal de duques como futura morada, que na terça-feira anunciou que vai voltar a ter o Reino Unido como a sua morada principal, e que esteve recentemente em Highgrove. Após passarem alguns dias das férias em Portugal — com Meghan a partilhar a fotografia de um restaurante no Alentejo no seu Instagram — o casal e os filhos foram recebidos por Carlos III e Camila na casa no condado de Gloucestershire. E terão começado o trabalho de prospeção.
Mas há mais uma zona que pode competir com Cotswolds. Recentemente, com a retirada do convite para a estada no Palácio de Buckingham, Harry decidiu ficar hospedado com a mulher e os filhos na residência do seu tio, Charles Spencer, onde Diana cresceu e foi enterrada. Nesta viagem, os Sussex colocaram flores na campa de Diana, cercada por um lago na propriedade em que esta viveu até se mudar para o Palácio de Kensington. O conde revelou que a decisão de enterrar o corpo de Diana em Althorp — a cerca de 120 quilómetros de Londres e que descreveu como um lugar “mais seguro” — foi tomada para proteger a sua privacidade.
Harry rompeu com os Windsor, mas nunca com os Spencer — família que não tem obrigações com a agenda monárquica de Buckingham — com os quais manteve contacto mesmo após a morte da sua mãe. No funeral de Diana, em 1997, Charles Spencer caminhou lado a lado com Harry e William. No 10º aniversário da sua morte, em 2007, William sentou-se ao lado da Rainha Isabel II e do príncipe Filipe, enquanto Harry escolheu sentar-se ao pé dos Spencer. E por Harry manter uma boa relação com a sua família materna, refugiar-se perto de Althorp é uma das hipóteses mais fortes em cima da mesa, segundo a imprensa britânica.
Certo é que não está previsto que Harry, Meghan, Archie e Lilibet deixem os Estados Unidos para viver em Londres ou numa das casas da família real. Os refúgios na zona campestre inglesa podem vir a tornar-se o novo lar dos Sussex, que se mudaram para a Califórnia em 2020. Tanto Cotswolds como Northamptonshire são apontados pela imprensa britânica como as possíveis escolhas do casal. Não por acaso: Cotswolds é repleta de mercados orgânicos, algo que poderia encantar a atriz que é dona de uma marca de compotas e chás com esta identidade. E entre Northampton e Cotswolds há mais um hotel no mesmo estilo da Soho: o country club Estelle Manor, aberto em 2023 em Oxfordshire, escolhido por Kim Kardashian e Lewis Hamilton para uma escapadinha de fim de semana no início deste ano. Em 2018, antes do casamento dos Sussex, dos filhos e da saída da família real, o Metro britânico apontava que aquela zona poderia ser escolhida por estes para viver.
Para além do charme da paisagem, o regresso a Inglaterra pode também estar relacionado com o cancro que o Rei Carlos III enfrenta desde 2024 e a preocupação que os antigos membros seniores da família real têm com a sua segurança — que passou a ser contratada de forma privada quando deixaram os cargos reais. A mudança para a zona rural já repleta de seguranças nos empreendimentos privados e também naqueles frequentados pelas celebridades permitiria que estivessem tanto próximos de Buckingham quanto dos Spencer. Harry estará também a uma curta distância do seu primo James — o Conde de Wessex, que vai estudar na Universidade Real Agrícola, em Gloucestershire — e também da residência da Princesa Ana, e de outro primo, Peter Philips, que se casou em junho com Harriet Sperling numa cerimónia em Cotswolds, e que também se instalou em Gatcombe Park.
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