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(A) :: Detetados vestígios de navio naufragado ao largo da Escócia. Investigadores acreditam ser o barco que transportava o tesouro de Carlos I

Detetados vestígios de navio naufragado ao largo da Escócia. Investigadores acreditam ser o barco que transportava o tesouro de Carlos I

O Blessing of Burntisland carregava o tesouro real para a coroação escocesa de Carlos I, espólio hoje avaliado em 23 milhões de euros. Avanços só foram possíveis com recurso a novas tecnologias.

António Moura dos Santos
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Um grupo de investigadores acredita estar prestes a pôr fim a mais de 30 anos de buscas pelo Blessing of Burntisland, navio que naufragou em 1633 quando viajava para a coroação do rei Carlos I na Escócia. A equipa ainda não tem a certeza de que se trata desta embarcação em particular, mas diz que os vestígios encontrados “sugerem-no fortemente”.

De acordo com o The Telegraph, a equipa do projeto Burntisland Heritage, formada para procurar os destroços do Blessing of Burntisland, anunciou que tinham sido “localizados” vestígios deste navio real debaixo do lodo do estuário do rio Forth, na Escócia, adiantando também que os esforços para recuperar artefactos eram “iminentes”.

No entanto, o líder do grupo responsável pelas investigações, Ian Archibald, quer refrear as expectativas porque ainda não há certeza absoluta destes achados. “Podemos ter encontrado o local de um naufrágio histórico, mas ainda não o identificámos”, afirmou ao Telegraph. “Será necessário realizar um trabalho mais aprofundado para determinar o que — se é que há alguma coisa — se encontra ali”, adiantou.

Para já, foi recolhida uma amostra de madeira, cuja proveniência ainda é desconhecida, sendo necessário proceder à sua datação por carbono. No entanto, os investigadores dizem que a amostra “aponta fortemente para que os destroços sejam os do Blessing”, dada a localização onde foi encontrada e onde o navio afundou, apesar de se estimar haver perto de 500 navios naufragados registados neste estuário.

A busca pelos restícios do Blessing of Burntisland já dura há mais de 30 anos, tornada impossível pelas águas turvas do rio Forth até recentemente. Hoje, os avanços na tecnologia de localização subaquática, como o radar de penetração no solo submarino utilizado nesta operação, já permitem identificar provas até agora ocultas.

Embarcação com cerca de 18 metros de comprimento, o Blessing of Burntisland virou-se durante uma tempestade em julho de 1633 enquanto atravessava o Estuário do Forth, numa viagem entre Leith, a sul, e Burntisland, a norte. O seu objetivo era transportar os tesouros de Carlos I para Edimburgo, onde o monarca, que já era Rei de Inglaterra e da Irlanda, viria a ser coroado Rei da Escócia.

De acordo com o Telegraph, acredita-se que o navio tenha afundado por estar sobrecarregado com tesouros, tendo apenas dois dos seus 35 passageiros e tripulantes sobrevivido. Julgada para sempre perdida, a carga real desta embarcação valia, à época, 100 mil libras, o que equivale hoje a 20 milhões de libras ou 23 milhões de euros. Entre o espólio constava um serviço de jantar de 280 peças em ouro e prata encomendado por Henrique VIII.