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(A) :: A segurança, a relação com William e o refúgio em Portugal: o que se sabe e falta saber sobre o regresso de Harry e Meghan ao Reino Unido

A segurança, a relação com William e o refúgio em Portugal: o que se sabe e falta saber sobre o regresso de Harry e Meghan ao Reino Unido

Seis anos depois de saírem da realeza, os duques de Sussex voltam sem segurança garantida nem reconciliação com William. Permanece a proximidade com Charles Spencer e um refúgio em Portugal.

Sâmia Fiates
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“Não vejo um mundo em que eu traga a minha mulher e os meus filhos de volta ao Reino Unido neste momento”. A frase é do príncipe Harry, e foi dita há pouco mais de um ano, numa entrevista à BBC em que também assumia o desejo de se reconciliar com a família. Desde então, correram negociações diplomáticas e dois encontros presenciais. A reunião familiar de 10 de julho poderá ter sido o que faltava para a decisão drástica e que estará a ser planeada há muito mais tempo, garante o biógrafo Andrew Lownie, num comentário enviado ao Observador. Foi só no passado domingo — e há menos de duas semanas da mudança oficial — que o Rei Carlos III terá sido informado da opção do filho de regressar ao Reino Unido. Seis anos depois da saída abrupta da família real, e do isolamento numa mansão em Montecito, na Califórnia, Harry e Meghan esperam viver um renascimento: manter uma vida em família na terra do Rei, com os filhos dentro do sistema de educação britânico e talvez com algumas escapadinhas por Portugal. “O regresso de Harry pode ser motivado pelo desejo de estar mais perto de um pai que talvez não tenha muito tempo de vida, mas também pode ser oportunista – para se firmar na família real enquanto o seu pai está no poder e antes que o seu irmão lhe retire os títulos e aos seus filhos”, considera Lownie, que já escreveu livros sobre figuras polémicas da realeza britânica, como André Mountbatten-Windsor e Eduardo VIII.

A notícia foi revelada à mesma hora — 22h em Lisboa — de forma “exclusiva” por pelo menos três órgãos de comunicação social internacionais: a revista norte-americana People, que destaca a “maior decisão” do casal desde que deixou os papéis como membros séniores da realeza; o tabloide britânico The Sun, que fala nos evidentes sorrisos de Harry num evento em Washington na passada quarta-feira; e o jornal The Telegraph, que diz que os duques de Sussex pretendem viver numa propriedade que não pertence à família real, e fora de Londres. A mudança não é anunciada como definitiva: a residência britânica é descrita como um “lar primário por um período estendido”, mas o casal manterá a sua casa em Montecito, assim como a casa de férias na Comporta.

Para além de surpreendente, a notícia deixa muitas pontas soltas sobre o futuro da família. Não há dúvidas de que o regresso reflete a reaproximação de Harry ao pai — que terá ficado “naturalmente satisfeito com a oportunidade de ver mais a sua família regularmente, tanto em âmbito privado quanto pessoal”. Contudo, acontece num cenário em que ainda não estão totalmente resolvidas as dúvidas sobre a proteção pessoal de Harry, Meghan, Archie e Lilibet; pouco tempo depois de o duque de Sussex perder outra batalha judicial contra um tabloide britânico e sem uma reconciliação pública com o irmão e sucessor direto ao trono.

A vida escolar dos filhos e as boas relações com o tio Spencer e a prima Eugenie

Pesa na balança o futuro dos príncipes Archie e Lilibet, de sete e cinco anos, que começam em escolas britânicas já em setembro — apesar de ainda não se saber em quais instituições. A secretária de Educação do Reino Unido, Lucy Powell, disse à BBC que não foi avisada antecipadamente e soube da informação pelas redes sociais, ao mesmo tempo “que o resto do mundo”. Powell destaca que o facto de os filhos dos duques de Sussex entrarem para uma escola britânica é “um grande endosso” ao sistema educacional do Reino Unido, mas que não acredita que as crianças irão frequentar uma escola pública.

O jornalista Richard Eden já avançava em setembro de 2025 que o duque de Sussex estava interessado em proporcionar uma educação britânica às crianças. “Posso dizer que Harry quer educar os filhos aqui no Reino Unido”, disse um dos amigos do príncipe ao jornalista e cronista social do Daily Mail. “Harry sente que as crianças estão a perder o acesso à extensa rede de contactos familiares que a sobrinha e os sobrinhos estão a desfrutar”, assinalou ainda a fonte, na altura. De acordo com a revista Hello!, os irmãos devem frequentar uma instituição que seja próxima da residência do casal, e com um regime misto ao invés de um internato, o que é comum no Reino Unido. Archie estará matriculado no terceiro ano enquanto Lilibet deve frequentar o primeiro ano na escola primária.

Sabe-se também que no passado os duques rejeitaram matricular os filhos nas mesmas escolas frequentadas pelo príncipe na infância. No livro de memórias Na Sombra, Harry criticou o Eton College, onde o filho mais velho do príncipe William, George, inicia os estudos no próximo ano letivo. Numa declaração ao Daily Mail em 2025, um porta-voz dos Sussex disse que o príncipe Harry “não colocou o nome do seu filho para concorrer a uma vaga em Eton e não tem planos de o fazer”.

"Considerando os comentários que o casal fez no passado sobre a Família Real e a Grã-Bretanha sobre racismo, etc., é cínico e hipócrita, mas a reinvenção e a criação de novas narrativas nunca os preocuparam. A América, no fim das contas, não deu certo e isso sugere um novo começo."
Andrew Lownie, jornalista e historiador

Além da aparente reconciliação com Carlos III, Harry e Meghan mantêm uma relação próxima com outros membros da realeza que vivem no Reino Unido. No último verão, quando visitou o país, a família hospedou-se na residência de Charles Spencer, irmão de Diana. A relação com o tio vem de longa data: desde que Spencer decidiu caminhar lado a lado com os sobrinhos no funeral da princesa em 1997 até às polémicas mais recentes que vieram com o casamento com Meghan Markle. No livro de memórias, o duque de Sussex recorda a presença do tio quando decidiu visitar o túmulo da mãe ao lado da mulher, por exemplo.

E será, de acordo com Andrew Lownie, para perto do tio de Harry que os Sussex irão encontrar refúgio. “Vão viver numa residência privada e não real, apesar de não se saber se compraram ou se vão alugar. Dizem-me que vão mudar-se para perto do irmão de Diana, Charles Spencer, com quem discutiram a mudança há algum tempo”.

Ao mesmo tempo, Harry e Meghan mantêm boa relação com a prima do príncipe, Eugenie. A princesa é o único membro da realeza a aparecer em fotografias pessoais do casal no documentário Harry & Meghan, lançado em 2022 pela Netflix. Na produção, os duques de Sussex recordam um dos primeiros momentos do relacionamento, em que foram a uma festa de Halloween com Eugenie e o futuro marido, Jack Brooksbank. A filha de André Mountbatten-Windsor também já visitou o primo nos EUA em outras ocasiões, como em 2022, quando foi ao SuperBowl no SoFi Stadium, na Califórnia.

Também terá sido pela influência da prima que os Sussex compraram uma casa em Portugal — onde a imprensa britânica já especula que o casal poderá passar boa parte do seu tempo livre. Foi na mansão no Costa Terra Golf & Ocean Club, em Melides, empreendimento para o qual Jack Brooksbank trabalha, que a família passou alguns dias das férias de verão deste ano, antes da tão aguardada reunião com os monarcas britânicos no final de julho.

A editora de realeza do Telegraph, Victoria Ward, acredita que a compra da casa em 2023 já representava o desejo do casal em deixar os EUA. Num artigo de opinião, dá detalhes sobre o regime de Golden Visa como um dos atrativos de Portugal para os norte-americanos, por exemplo. Ward aposta ainda que Meghan deve continuar a gerir a sua marca de lifestyle As Ever a partir da nova base — o que também poderá representar o início de uma produção na Europa. No momento a empresa comercializa itens como compotas, chás e vinhos, apesar de o item mais vendido ser as pétalas de flores comestíveis.

Vida fora da realeza: dos acordos comerciais falhados às poucas causas sociais

Quando deixaram a realeza em 2020, a proposta apresentada por Harry e Meghan era a de manter uma posição “metade dentro, metade fora, onde poderiam autofinanciar-se, mas continuando a trabalhar para a Família Real”, escreve Hugo Vickers, na biografia Queen Elizabeth II, lançada em março. Contudo, Isabel II foi categórica ao dizer que não era possível promover causas sociais em nome da coroa e ainda assim corresponder aos interesses comerciais relacionados com atividades profissionais privadas.

Os Sussex então seguiram um caminho próprio que não se mostrou muito bem-sucedido. Em 2020 o casal assinou um contrato milionário com o Spotify, que a imprensa internacional especulava rondar os 20 milhões de dólares. O objetivo era criar podcasts centrados em “narrativas poderosas e valores universais”. Três anos depois, o casal produziu apenas dois podcasts: um especial de Natal e Archetypes, um podcast apresentado por Meghan que discutia estereótipos contra mulheres, com convidadas como Mariah Carey e Paris Hilton. A produção teve apenas 12 episódios até ao anúncio do fim do acordo, em meados de 2023. De acordo com um artigo da Vanity Fair de janeiro de 2025, o podcast só saiu do papel pela pressão do Spotify em produzir conteúdo, já que nem Harry nem Meghan teriam dado início voluntariamente a nenhum projeto.

Já o contrato com a Netflix, que rendeu o documentário sobre o casal e o programa de culinária e lifestyle Com Amor, Meghan, foi renovado em 2025, mas de acordo com o Deadline, não há planos para uma terceira temporada da série e o serviço de streaming deixou de ser investidor na As Ever. O futuro neste negócio passa por outros projetos audiovisuais, como um drama com temática de polo que os Sussex assinam como produtores executivos. A Archewell Productions, produtora do casal, também lançou recentemente o documentário Cookie Queens, sobre a produção e venda de biscoitos por meninas escuteiras. “Eu fui escuteira, a minha mãe era líder de tropa. E acho que o valor da amizade, da dedicação a um objetivo, como podem ver em Cookie Queens, reflete muito bem como essas meninas persistem em algo que é importante para elas e não desistem. E a autoconfiança é um valor essencial que vem com o facto de ser escuteira.”

Por outro lado, Harry e Meghan tentaram manter ativa a organização filantrópica Archewell. Em 2021, o primeiro ano fora da realeza, a associação arrecadou 13 milhões de euros para causas sociais — contudo, de acordo com os dados divulgados pela Vanity Fair, em 2022 o valor desceu para dois milhões. Em janeiro de 2025, com os incêndios que assolaram a Califórnia, os Sussex abriram as portas de casa e foram distribuir donativos às vítimas, sob acusações de serem “turistas do desastre”.

Nos últimos tempos o casal parece ter conseguido dividir as funções: enquanto Meghan se dedica à marca de lifestyle, uma empresa privada; Harry ocupa-se com as ações de caridade, dos eventos dos Jogos Invictus às crianças da WellChild. Um exemplo é a viagem que os dois fizeram à Austrália em abril: entre as visitas a hospitais infantis e a participação do príncipe num evento contra o cancro, Meghan aproveitou para promover a As Ever, ser a protagonista de um retiro de wellness de luxo e fazer uma aparição no MasterChef. E é neste modelo que os dois devem seguir, garante Andrew Lownie, apesar de não se saber ao certo como vão conseguir financiar um estilo de vida que envolve as escolas privadas dos filhos, a manutenção das casas em Londres, Montecito e Melides e uma conta de milhões depois de um caso perdido contra o Daily Mail em julho.

Sem segurança e sob o olhar dos tabloides

As informações veiculadas na imprensa internacional são claras: não se espera, para já, que o status de Harry e Meghan sofra qualquer alteração com a mudança. Ou seja, o casal e os filhos permanecem “indivíduos privados”, e não exercem qualquer papel oficial dentro da família real. E o que também não deve mudar é o tema polémico da segurança pessoal da família.

Andy Burnham disse na manhã desta quinta-feira, ao ser questionado sobre se o Governo havia estabelecido algum acordo em relação à proteção dos duques de Sussex, que este era um “assunto privado”. “É um tema para Harry e Meghan, e desejamos sucesso na movimentação que estão a fazer”, afirmou. Já um porta-voz do Home Office, o equivalente britânico ao Ministério da Administração Interna, disse que o sistema de segurança governamental é “rigoroso e proporcional”. “É a nossa política de longa data não fornecer informações detalhadas sobre esses acordos, pois fazê-lo poderia comprometer a sua integridade e afetar a segurança dos indivíduos.”

A segurança tem sido ao longo dos anos o principal motivo para Harry afirmar não poder visitar mais o Reino Unido ou trazer a mulher e os filhos ao país. Em 2020, quando o casal optou por deixar os seus papéis como membros seniores da realeza britânica, os seus nomes foram retirados da lista de proteção policial do Ravec, o Comité Executivo para a Proteção de Realeza e Figuras Públicas. O órgão é formado por organismos do Estado como o Home Office, a Polícia Metropolitana e membros da família real, e tem o trabalho de organizar a segurança de pessoas da realeza e outros VIP. A proteção nestes casos é paga com o dinheiro dos contribuintes. O mesmo aconteceu com André Mountbatten-Windsor em 2019, quando deixou as suas funções como membro sénior da realeza — atualmente o ex-príncipe conta apenas com uma equipa de segurança privada.

Quando perdeu o direito à segurança policial, o príncipe Harry tentou pagar pela respetiva segurança, ainda feita por agentes da Polícia Metropolitana, mas isso não lhe foi permitido. Harry travou uma batalha judicial por anos, que chegou ao fim em 2025, com a decisão final de que não receberia de volta o direito à proteção policial. No final do ano, a BBC revelou que uma nova revisão ao caso estava a ser feita, mas até ao momento não se sabe quem fica responsável pela segurança do príncipe e da sua família.

De acordo com o Daily Mail, a segurança policial para a família pode custar mais de 5 milhões de euros para os contribuintes. Em declarações ao jornal, Dai Davies, o antigo chefe da proteção real na Polícia Metropolitana, considera que “as chances de Harry recuperar o seu direito à segurança policial subiram consideravelmente”. “Trazer a família, ser residente, o seu perfil… O nível de ameaça deve ser revisto com cuidado novamente. Não digo que ele vá receber de volta a proteção, mas o tema deve ser alvo mais uma vez de uma análise profissional, na minha opinião”.

"Nunca conseguiria levar e buscar os filhos na escola sem que isso se transformasse numa sessão de fotos real com uma área reservada à imprensa com 40 pessoas a tirar fotos"
Meghan, em entrevista em 2022

A preocupação com a segurança é quase uma consequência de outro trauma que assombra os Sussex: a pressão dos tabloides. Desde que deixou a realeza que Harry trava batalha atrás de batalha contra vários jornais britânicos que publicaram histórias sobre si e a mulher ao longo dos anos. Em janeiro de 2025 o News Group Newspapers, dono do jornal The Sun, concordou em pagar a Harry uma “indemnização substancial” e pediu desculpas pela “grave intromissão” na sua vida privada entre 1996 e 2011. No final de 2023 o príncipe já havia vencido 15 ações no caso contra o Mirror Group Newspapers, acusando-o de coletar informações ilegalmente. Mas a batalha mais recente, contra os detentores do Daily Mail, num processo conjunto com outras figuras públicas como Elton John ou Elizabeth Hurley, resultou numa derrota para o grupo e uma indemnização que pode ascender aos 18 milhões de euros.

“Fizeram a vida da minha mulher miserável”, afirmou o príncipe numa das declarações em tribunal. Em entrevista à revista The Cut em 2022, já depois de deixar o Reino Unido, Meghan assumiu que “nunca conseguiria levar e buscar os filhos na escola sem que isso se transformasse numa sessão de fotos real com uma área reservada à imprensa com 40 pessoas a tirar fotos”. De recordar que William e Kate costumam levar e buscar os filhos diariamente — a Casa Real costuma organizar uma sessão de fotos controlada com a imprensa no primeiro dia de aulas em troca da privacidade das crianças ao longo do semestre, explica o Telegraph. A antiga secretária de imprensa da Rainha Isabel II, Ailsa Anderson, analisa a decisão dos Sussex em entrevista à BBC Radio 4. “É uma surpresa extraordinária, um verdadeiro raio em céu azul”, disse, assinalando que a mudança implica resolver acordos de segurança, a relação problemática com a imprensa e também o mal-estar com os príncipes de Gales.

Como fica a relação com William e o que será do futuro?

Há seis anos o regresso parecia impossível. À saída da realeza, seguiu-se a confirmação das muitas mágoas com a família real. O casal foi de uma entrevista bombástica à apresentadora Oprah Winfrey em 2021 ao livro de memórias revelador do príncipe em 2023, descrevendo detalhes de conflitos com o irmão, o pai e a madrasta. Meghan protagonizou capas de revistas e entrevistas a desdenhar dos códigos de vestimenta e protocolos reais. Apenas dois anos depois, Harry falava em reconciliação. “Considerando os comentários que o casal fez no passado sobre a Família Real e a Grã-Bretanha sobre racismo, etc., é cínico e hipócrita, mas a reinvenção e a criação de novas narrativas nunca os preocuparam. A América, no fim das contas, não deu certo e isso sugere um novo começo. Meghan já teve o seu período com a família e agora é a vez de Harry construir pontes com um pai que pode não viver por muito mais tempo. Eles também podem ter-se cansado da América sob o governo do presidente Trump”, considera Andrew Lownie.

"Há algumas coisas que aconteceram, especialmente entre mim e o meu irmão, e em alguma extensão entre mim e o meu pai, que não quero que o mundo conheça. Porque sei que eles nunca iriam perdoar-me"
Príncipe Harry, em entrevista em 2023

Entretanto, há uma relação mais difícil de recuperar: a com o irmão. “É claro que alguns membros da minha família nunca me vão perdoar pelo que eu fiz”, disse Harry em 2025. “Há algumas coisas que aconteceram, especialmente entre mim e o meu irmão, e em alguma extensão entre mim e o meu pai, que não quero que o mundo conheça. Porque sei que eles nunca iriam perdoar-me”, disse ainda o príncipe, numa entrevista anterior. “Os grandes perdedores são o príncipe e a princesa de Gales. Cumpriram o seu dever e sentir-se-ão traídos e humilhados. Pode ser lamentável ter uma família dividida, mas é difícil imaginar como William e a sua esposa poderão perdoar alguns dos comentários e comportamentos de Harry e Meghan”, considera Andrew Lownie.

De facto a última visita dos Sussex ao Reino Unido, que marcou o reencontro de Carlos III com Archie e Lilibet depois de quatro anos sem ver os netos, não contou com uma reunião entre irmãos e primos. Aliás, William e Kate estiveram sempre em eventos oficiais em nome da realeza em localizações distintas dos compromissos de Harry. Mas o biógrafo real vai além: “A mudança também prejudica os outros membros da realeza que ainda estão na ativa. Assim como Diana costumava ofuscar Carlos, as atividades de Harry e Meghan têm mais chances de serem noticiadas do que a última visita beneficente da princesa Ana ou do príncipe Eduardo.”

Por outro lado, saem vitoriosos os Sussex. “Parece que finalmente alcançaram a estratégia ‘metade dentro, metade fora’”, aponta Lownie que elege ainda outro grande vencedor deste acordo: o Rei Carlos III. “Queria reconciliar-se com o seu filho mais novo e a medida desviará a atenção das questões mais amplas que estão a ser levantadas sobre o que ele sabia sobre o ex-príncipe André e questões mais abrangentes sobre o privilégio real, responsabilidade e governança.” O jornalista recorda ainda que “a Família Real enfrenta uma crise de recrutamento. Os únicos membros da realeza em atividade com menos de 60 anos são os príncipes de Gales. O seu filho mais velho tem apenas 13 anos. A família perdeu o príncipe André e os planos de recrutar as suas duas filhas, Beatrice e Eugenie, foram suspensos devido a preocupações com as suas atividades comerciais. Há uma necessidade urgente de reforços.”

Portanto, o objetivo de Harry e Meghan poderá ainda ser maior: regressar ao seio da realeza, e voltar a assumir papéis oficiais dentro da instituição. É o que acredita o biógrafo, que argumenta que a família poderia ter optado por se mudar para Portugal, “onde já têm casa, há muitas boas escolas particulares para os seus filhos pequenos e estariam próximos de um membro da família que fala com eles”. “A esperança do casal é que possam ser chamados para ocupar festas nos jardins, enquanto o Palácio testa o humor do público e, eventualmente, eles possam regressar às funções reais”, afirma o escritor. “Um bom teste será o Natal. Será que o casal se juntará à família real em Sandringham? Se sim, será que o ex-príncipe André, as suas filhas e a sua ex-esposa participarão da festa? Ou será que todos serão convencidos a usar a desculpa de visitar as suas famílias não reais?”

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