Este domingo, dia 23, milhares de candidatos ao Ensino Superior vão estar atentos ao email, enquanto esperam receber o resultado da sua candidatura à universidade. Até lá, alguns alunos estarão em contrarrelógio, à espera de ver resolvidos problemas que ainda subsistam na sua candidatura. É o caso de estudantes que receberam reapreciações com erros de correção e de alunos que não conseguiram associar a ficha ENES por falhas da plataforma (que o Ministério nega).
Há cerca de uma semana, a 7 de agosto, foram finalmente afixadas nas escolas as notas das reapreciações dos exames de 1.ª fase. Após a sua divulgação, os alunos podiam então pedir a ficha ENES (documento onde consta uma espécie de resumo do percurso escolar de cada aluno) e assim atualizar a nota com que se iriam candidatar à 1.ª fase do concurso de acesso ao Ensino Superior.
As notas chegaram de forma faseada às várias escolas e, de acordo com a hora a que tal acontecia, os alunos podiam (ou não) pedir logo a ficha ENES: tudo dependia do horário de funcionamento dos serviços administrativos. “No Algarve as notas foram afixadas na sexta-feira pelas 14h e não houve problema [em pedir a emissão da ficha ENES]. Em Lisboa foi só pelas 19h e não foi possível”, relata a representante do movimento cívico Missão Escola Pública.
Segundo Cristina Mota, é aí que começa o problema: “As pautas foram afixadas e, entretanto, começou logo a contar os três dias seguidos [para se pedir a emissão da ficha ENES], mas perderam dois dias com o fim de semana e não tiveram logo acesso ao documento.” Quando isso finalmente aconteceu, “ao acederem à plataforma” para atualizar a nota de candidatura que constava na nova ficha ENES, “a plataforma não reconhecia o novo código da ficha” que tinha sido emitida pela escola.
https://observador.pt/2026/08/07/exames-afinal-reapreciacoes-nao-chegaram-as-escolas-esta-manha-atraso-pode-sobrecarregar-secretarias-e-dificultar-emissao-da-ficha-enes/
Confrontado com esta questão, o Ministério da Educação diz que não se trata de “qualquer falha na plataforma”. “A ficha ENES de Reapreciação permite ao candidato aceder à plataforma durante os três dias previstos para a alteração da candidatura na sequência da divulgação do resultado da reapreciação. Terminado esse período, a mesma ficha deixa deliberadamente de permitir o acesso, de modo a impedir alterações à candidatura fora do prazo legalmente fixado”, lê-se na resposta enviada ao Observador.
Ainda assim, para dar resposta a estas situações, adianta o Ministério governado por Fernando Alexandre, “as escolas foram informadas de que deverão emitir uma Ficha ENES de Reclamação“, que já irá permitir o acesso à plataforma de candidatura.
Cristina Mota, porém, insiste que “mais importante que emitir uma nova ficha ENES, é a plataforma estar apta para receber novos códigos”. “O problema é a plataforma em si, o erro que surge indica que o prazo para uma nova ficha findou no dia 6 [de agosto].”
Situações têm de ser resolvidas até à véspera da publicação das colocações
Mas não fica por aqui. De acordo com a representante da Missão Escola Pública, chegaram ainda a este movimento queixas de “alunos que reportaram que o seu exame de 1.ª fase tinha erros. Pediram reapreciação e veio novamente com erros. Tiveram que fazer uma reclamação, mas ainda não foi atendida.” De acordo com o artigo 65.º do Despacho Normativo n.º 3/2026, estas reclamações têm de ser tratadas em 30 dias, pelo que a resposta pode chegar apenas já em setembro.
“O presidente do JNE [Júri Nacional de Exames] decide, comunica o resultado e devolve todo o processo de reclamação, via online, quando aplicável, no prazo máximo de 30 dias úteis contados a partir da data da apresentação da reclamação na escola, recorrendo, se necessário, a pareceres de professores especialistas e a pareceres da Inspeção-Geral da Educação e Ciência”, lê-se neste despacho.
https://observador.pt/2026/08/05/ministro-da-educacao-da-garantias-a-ordem-dos-advogados-de-que-havera-igualdade-no-acesso-ao-superior/
Se estes alunos conseguirem resolver os erros e atualizar os dados com a nova nota que surgiu da reapreciação “até sábado, conseguem ainda concorrer à 1.ª fase”, diz Cristina Mota. Mas “se os problemas entretanto não forem resolvidos, terão de pedir vagas extraordinárias às universidades”, medida prevista e já várias vezes mencionada pelo ministro da Educação como sendo uma opção para resolver problemas relacionados com os erros verificados na classificação dos exames nacionais.
A dirigente da Missão Escola Pública alerta ainda que, caso haja muitos estudantes a pedir vaga extraordinária, teremos “alunos a frequentar cursos já cheios sem que existam mais professores a lecionar”, sendo que também poderá afetar as “bolsas a atribuir e as vagas nas residências universitárias”. “As vagas extra podem parecer um benefício, mas vão trazer muitas consequências.”
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