O Hotel Miragem, localizado na marginal de Cascais, pretende avançar com um despedimento coletivo que pode afetar 140 trabalhadores efetivos na unidade, de acordo com fonte sindical. O despedimento é justificado pela realização de obras de remodelação na unidade na sequência da compra, anunciada no ano passado, pelo grupo espanhol Ibervalles e ARD Investment & Development.
Contactado pelo Observador, o diretor-geral da unidade hoteleira de cinco estrelas, José Branco, confirma o despedimento coletivo, justificado por obras de remodelação que podem durar pelo menos 24 meses. O responsável explicou que a situação não era juridicamente enquadrável no regime do layoff. A unidade vai ficar sem atividade durante o processo que envolve obras profundas. E não avançou mais dados sobre o número de trabalhadores abrangidos pelo despedimento coletivo.
Segundo um comunicado do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Hotelaria, Turismo, Restauração e Similares, o despedimento coletivo abrange 140 trabalhadores efetivos e 35 contratados a termo. A avançar, esta decisão “terá um forte impacto social no concelho de Cascais, afetando diretamente trabalhadores e respetivas famílias”, para além de ser “profundamente injusta e desproporcionada”.
Em causa, acrescenta, não está o encerramento definitivo da empresa por falta de atividade. “Estamos perante uma unidade hoteleira que será alvo de um significativo investimento, com vista à sua remodelação e posterior reabertura”. O sindicato considera que a intenção da empresa “não preenche os pressupostos previstos” no Código do Trabalho para qualificar a situação como despedimento coletivo. Já foi feita uma denúncia à Autoridade das Condições do Trabalho e pedida a intervenção do Ministério do Trabalho.
O Hotel Cascais Miragem Health & SPA foi comprado no ano passado por cerca de 125 milhões de euros ao grupo português GJC Hotels. O comunicado a anunciar a operação indicava já a intenção da Ibervalles & Development de investir 80 milhões de euros na renovação do hotel, num investimento global de 205 milhões de euros. Atualmente com 195 quartos e 13 andares, o hotel situa-se na avenida marginal com vista para o mar a curta distância da praia e do centro de Cascais.
Foi inaugurado há mais de 20 anos e já recebeu eventos públicos como a conferência da revista Economist em 2015, na qual esteve em foco a saída limpa de Portugal do programa da troika.
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