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Acesso ao Ensino Superior. Educação Básica não preenche vagas e Engenharias voltam a dominar top 5 de médias mais altas

Foram colocados quase 50 mil estudantes na 1.ª fase de acesso ao Superior, mas ainda sobram 6.639 vagas. Na Madeira, um curso de Engenharia teve apenas um colocado — com média acima de 18 valores.

Mariana Marques Tiago
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Inês Correia
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Veja aqui se entrou no Ensino Superior

Quase 50 mil alunos ficaram colocados na 1.ª fase de acesso ao Ensino Superior. Num ano em que o número de candidatos aumentou 13,9% (em parte devido à simplificação dos requisitos mínimos de entrada), a média mais alta foi registada no curso de Engenharia Aeroespacial, no Porto, com o último colocado a registar 19,5 valores. Medicina assume a 3.ª posição de cursos com média mais elevada e Educação Básica, pela primeira vez em dois anos, não preencheu todas as vagas. Na Madeira, entrou um só estudante em Engenharia Física e Computacional (e fê-lo com uma média de 18,28 valores).

Os dados foram revelados pelo Ministério da Educação um dia antes do previsto por ter sido divulgado o documento Excel nas redes sociais. De acordo com os dados enviados às redações, este ano houve um aumento do número de colocados no Ensino Superior Politécnico (24,5%) e Universitário (8,1%). Os estudantes colocados têm agora de se matricular nas respetivas instituições de ensino entre 24 e 27 de agosto.

Primeira vez em dois anos que Educação Básica não preenche vagas: sobram 46

Perante a contínua falta de professores — e depois de dois anos em que as vagas para Educação Básica ficaram totalmente preenchidas logo na 1.ª fase — no concurso deste ano o cenário mudou ligeiramente. Houve quatro cursos de Educação Básica (um dos quais em regime pós-laboral) que não preencheram os lugares à primeira. As vagas sobram agora no Instituto Politécnico de Portalegre (37 vagas), Politécnico de Beja (6), Politécnico da Guarda (2) e Politécnico de Setúbal (1).

Este ano, as vagas iniciais em Educação Básica eram 1.344 (um aumento de 187 face a 2025) e houve 1.294 colocados. O número, mesmo assim, aumentou face ao ano anterior, em que ficaram colocados 1.197 estudantes.

O top 3 de instituições com as médias mais elevadas nesta área fica no Norte e nas ilhas. Em primeiro lugar surge Educação Básica no Politécnico do Porto, onde o último dos 120 colocados entrou com 15,45 valores. Atrás surge a Universidade do Minho, com o último estudante a entrar com uma média de 15,15. E em terceiro a Universidade da Madeira, com uma média de 14,95 valores.

Já na área da Saúde, ao olharmos para Medicina, foram colocados 1.573 estudantes — e não sobrou uma única vaga para a 2.ª fase. Trata-se de uma ligeira subida do número de colocados face a 2025, quando entraram 1.559 estudantes (preenchendo também o total de vagas).

Segundo os dados, este ano o destaque vai para a Universidade do Porto, onde entraram os últimos colocados com as notas mais altas: 18,67 valores na Faculdade de Medicina e 18,57 no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar. Atrás surge a Universidade do Minho (18,42 valores), a Universidade de Aveiro (18,38 valores) e por último a Universidade de Trás-os-Montes (18,18 valores).

Os 5 cursos com médias mais altas: Engenharias e Medicina

O ano muda, mas o top mantém-se inalterado: os cursos com as médias de entrada mais elevadas são Medicina e formações da área da Engenharia.

O primeiro lugar deste ranking é ocupado por Engenharia Aeroespacial na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. O último colocado entrou neste curso com uma média de 19,5 valores e não sobrou nem uma das 30 vagas inicialmente abertas para esta formação superior. Face a 2025, houve um aumento da média em 0,07 valores.

Logo atrás surge o mesmo curso, mas desta vez na Universidade do Minho, onde o último estudante entrou com uma média de 18,98 valores. Entre o primeiro e segundo curso com média de entrada mais elevada há uma diferença de cerca de meio valor.

Em terceiro lugar neste top cinco surge o primeiro curso de Medicina, localizado na Universidade do Porto, onde o último colocado entrou com uma média de 18,67 valores. Em 2025, Medicina surgia em 5.º lugar, sendo ultrapassada por várias Engenharias, mas este ano voltou a subir.

Os dois últimos cursos deste top 5 são Engenharia e Gestão Industrial, no Porto, com 18,65 valores de média; e Engenharia Aeroespacial no Instituto Superior Técnico, com 18,6 valores.

Há 5 cursos em que o último colocado entrou com menos de 10

Na outra ponta da tabela, com as notas mais baixas de entrada, surgem diferentes cursos. Desde Gestão a Biologia, passando por Engenharia de Sistemas de Computadores, são cinco os cursos em que o último colocado entrou com uma média abaixo de 10 valores.

O primeiro lugar da tabela é ocupado por Gestão e Informática, no Instituto Politécnico de Viseu, onde o último dos 16 colocados entrou com 9,7 valores. Para a 2.ª fase do acesso ao Ensino Superior sobram ainda seis vagas. Atrás, surgem Biologia (na Universidade dos Açores) e Turismo (no Politécnico de Beja), onde o último colocado entrou com uma média de 9,8 valores.

Os últimos dois cursos desta tabela são ambos em Politécnicos, mas em cidades diferentes. Falamos do curso de Engenharia de Sistemas de Computadores, em Lisboa, e Educação Ambiental e Turismo de Natureza, em Santarém. Nestas duas formações superiores, os últimos colocados entraram com média de 9,9 valores. Em cada um destes cursos sobram 25 e 31 vagas, respetivamente.

Na Madeira há um curso onde o único colocado entrou com média de 18,28

E se há cursos onde os últimos alunos a entrar o fizeram com média quase negativa, também há cursos onde ninguém entrou. Foi o caso de 38 cursos superiores localizados nas universidades/politécnicos da Beira Interior (1), Évora (2), Minho (1), Trás-os-Montes (2), Beja (2), Bragança (14), Castelo Branco (4), Guarda (3), Leiria (2), Portalegre (1), Santarém (1), Setúbal (1), Viana do Castelo (1), Viseu (2) e Tomar (2).

O Instituto Politécnico de Bragança foi aquele que deixou mais vagas por preencher. Na verdade, os dados do Ministério revelam que, das 1.937 vagas que este Politécnico abriu, apenas 784 foram preenchidas (40,5%).

E os cursos onde só uma pessoa ficou colocada? No total, foram 18 as formações superiores em que só um estudante entrou e, desses, o destaque vai para o curso de Engenharia Física e Computacional na Universidade da Madeira: o único estudante a ser colocado entrou com uma média de 18,28 valores. Para a 2.ª fase ficam agora disponíveis as restantes 14 vagas às quais ninguém se candidatou.