Até há uns dias, era um daqueles nomes algo desconhecidos que se movia pelas sombras e era sinónimo de dinheiro. No espaço de uma semana, tornou-se o protagonista de movimentações milionárias em duas gigantescas marcas do desporto mundial. Entre Los Angeles e Londres, entre os Lakers e o Chelsea, Mark Walter está a agitar e muito o mês de agosto.
Tudo começou, aparentemente, na semana passada. A 12 de agosto, pouco mais de um ano depois de adquirir os Lakers e de forma completamente inesperada, Mark Walter anunciou que tinha decidido vender a franquia da NBA. O empresário norte-americano lucrou com o negócio, já que comprou a equipa de Los Angeles por cerca de 10 mil milhões de dólares à mítica família Buss e vendeu por perto de 13 mil milhões a Josh Kushner, irmão de Jared Kushner, genro de Donald Trump, e Bob Iger, CEO da Disney durante mais de uma década — mas a decisão levantou dúvidas.
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De acordo com o Financial Times, Mark Walter está a ser investigado pelo Departamento de Justiça dos EUA por ter alegadamente utilizado as suas próprias seguradoras para canalizar milhares de milhões de dólares em empréstimos irregulares a empresas igualmente detidas por si. O Wall Street Journal acrescenta que já existiram buscas e que um computador do empresário foi mesmo confiscado, enquanto que a Forbes adianta que uma das seguradoras, a Delaware Life Insurance Company, foi intimada no início do ano depois de uma auditoria ter revelado que alguns investimentos não tinham sido comunicados à Securities and Exchange Commission (SEC), o equivalente à CMVM nos EUA.
Em resumo, de forma bastante direta, Mark Walter estará a tentar vender os principais ativos que detém para garantir o pagamento das mais do que prováveis multas a que será sujeito, para além da possibilidade de ter de cobrir os milionários empréstimos ilegais. Nesse sentido, depois dos Lakers, o empresário norte-americano estará a estudar a possibilidade de também ceder a participação que tem no Chelsea.
Segundo o The Guardian, tanto Mark Walter como Todd Boehly, o também empresário norte-americano que é chairman do Chelsea desde 2022, estão a considerar a venda das suas participações à Clearlake Capital, o fundo de crédito que já tem mais de 60% do clube inglês. Em 2022, quando Roman Abramovich foi forçado a afastar-se dos blues na sequência da invasão da Ucrânia por parte da Rússia, Walter, Boehly e Hansjörg Wyss, um empresário suíço, juntaram-se à Clearlake Capital para fundar a BlueCo, um consórcio que comprou o clube ao oligarca russo. O trio ficou com cerca de 13% cada um, sendo que Todd Boehly reservou a posição de chairman e liderou mesmo todas as operações do futebol profissional durante cerca de um ano.
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O choque direto entre os acionistas minoritários e o acionista maioritário começou há cerca de dois anos e prendeu-se essencialmente com a construção de um novo estádio para substituir Stamford Bridge, algo que os três empresários não consideram prioritário e que o fundo de crédito acha essencial. Agora, com a investigação federal nos EUA a Mark Walter e a decisão já anunciada de Todd Boehly de deixar o cargo de chairman no fim da temporada, o controlo absoluto da Clearlake Capital no Chelsea parece ser cada vez mais um caminho sem retorno — sendo que as duas participações, em conjunto, devem chegar perto dos sete mil milhões de dólares.
Com 66 anos e natural de Cedar Rapids, no Iowa, Mark Walter é um dos fundadores da Guggenheim Partners, empresa de investimento que criou com os herdeiros da família Guggenheim em 1999. Foi aí, precisamente, que conheceu o amigo e sócio Todd Boehly, que também trabalhou na mesma firma durante mais de uma década. Fundou a TWG Global em 2024, uma holding multinacional da qual continua a ser CEO, e tem uma fortuna avaliada em mais de 13 mil milhões de dólares.
Pelo meio, acumulou investimentos no desporto. Para além da entrada mais recente nos Lakers e no Chelsea, em conjunto com Todd Boehly é também o dono dos LA Dodgers, equipa de basebol que atua na MLB, das LA Sparks, equipa feminina de basquetebol que atua na WNBA, e de toda a PWHL, a liga feminina de hóquei no gelo dos EUA, controlando ainda parte dos franceses do Estrasburgo, cujo treinador é o português Hugo Oliveira. A comunicação social norte-americana tem indicado nos últimos dias que Mark Walter pode também afastar-se dos Dodgers, mas a verdade é que ainda não existem indícios palpáveis de que venha a acontecer.
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