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Entrada do Estado na REN "a médio e longo prazo terá efeito sobre o preço" da energia, diz Montenegro

Montenegro assegura que "todos os elementos" sobre a entrada do Estado na REN vão ser disponibilizados. "São operações que têm a ver com empresas cotadas, que têm regras próprias."

Cátia Rocha
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O primeiro-ministro afirma que “todos os elementos” sobre a entrada do Estado na REN (Redes Energéticas Nacionais) “serão, naturalmente, disponibilizados e serão alvo da apreciação e do escrutínio do país”. Mas garante, desde já, que este investimento vai permitir “chegar mais facilmente à casa das pessoas e às empresas e para podermos diminuir efetivamente os custos” da eletricidade.

Luís Montenegro foi questionado sobre a compra de 13,7% do capital da REN à Pontegadea Inversiones, a holding ligada à família do fundador da Zara, o espanhol Amancio Ortega. A operação foi anunciada na sexta-feira, através de um comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e, posteriormente, mencionada durante o discurso de Montenegro no Pontal.

https://observador.pt/2026/08/14/empresa-do-estado-parpublica-faz-contrato-para-comprar-137-da-ren-a-empresa-do-dono-da-zara/

O valor da operação não consta do comunicado da CMVM, levando partidos como o PS e o PCP a questionar a decisão. Montenegro explica que “são operações que têm a ver com empresas cotadas, que têm regras próprias e que é preciso seguir para não haver nenhuma distorção no mercado”. “Foi isso que foi feito até ao momento e é o que vai ser feito daqui em diante.”

O primeiro-ministro afirma que o objetivo de regresso do Estado ao capital da REN passa por “contribuir, de forma ainda mais permanente, para a concretização de um sistema cujos investimentos permitam que a rede esteja reforçada”. Montenegro fala na hipótese de se “poder chegar mais facilmente à casa das pessoas e às empresas e para podermos diminuir efetivamente os custos”.

https://observador.pt/especiais/porque-quer-o-estado-voltar-a-ren-as-explicacoes-e-as-perguntas-sem-resposta/

Falando em maior “autonomia estratégica”, o primeiro-ministro considera que, “a médio e longo prazo”, a entrada no capital “terá efeito sobre o preço”. “Ninguém diz que é a intervenção na REN que provoca diretamente uma alteração de preço — mas é uma das condições para podermos proteger o interesse estratégico de termos uma rede mais resiliente, protegermos as nossas infraestruturas críticas e fazer fluir o sistema de maneira a que possa ser otimizado”, explica.

Em comunicado, foi dito que a operação está condicionada à concessão de visto do Tribunal de Contas. Representa um regresso do Estado português à estrutura acionista da empresa, cujo processo de privatização foi concluído em 2014, durante o Governo PSD/CDS-PP liderado por Pedro Passos Coelho, com a saída dos restantes 11% que ainda estavam na esfera pública.

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