O Benfica tinha uma resposta a dar depois do empate caseiro com o Académico de Viseu na ronda inaugural da Primeira Liga, e deu-a sem margem para dúvidas: 0-7 em Rio Maior, uma das maiores goleadas da história do clube, fora de portas.
Marco Silva entrou na sala de imprensa do Municipal de Rio Maior com o tom de quem sabia que tinha de gerir a euforia tanto quanto o resultado. Começou pelo essencial: “Uma vitória totalmente justa e saborosa da forma como jogámos. Vitória muito importante, boa, uma reação ao muito mau resultado da 1.ª jornada. Bons momentos, bons golos e foi a reação que queríamos”. Mas o que mais o satisfez não foram os sete golos — foi o que não aconteceu do outro lado: “O que me deixa mais satisfeito foi não termos sofrido golos e não termos concedido oportunidades. Deixar a baliza a zero tem um sabor completamente diferente”. Antes de qualquer outro tema, quis destacar os adeptos: “Jogando fora praticamente em casa, como é habitual. Uma grande diferença do primeiro jogo para este tem a ver com os adeptos, o estádio cheio, o apoio único para nós e faz com que andemos para a frente”.
Sobre o estado da equipa, o técnico foi cauteloso. “Percebo que no futebol vamos da desilusão à euforia muito rápido, mas não vou por aí. Ganhámos, três pontos, respondemos como queríamos a um mau resultado e é tão simples quanto isso”, defendeu. O aviso para o futuro veio a seguir: “Os adversários vão começar a bloquear-nos de outras formas e temos de descobrir outros caminhos”. Sobre Sudakov, admitiu que o ucraniano ainda não encontrou o melhor registo: “Está a precisar de golo, assistência. Percebe-se que está a jogar com tensão a mais. Trabalha bastante com e sem bola, mas tem de acreditar mais do que eu”. Já sobre Trubin, que assistiu ao 7-0 do banco sem grandes reações visíveis, Marco Silva não se esquivou: “Ficava espantado era se o Trubin não estivesse chateado e triste. Para mim é completamente normal. Só há uma forma de demonstrar, que é trabalhar. E tem feito isso muito bem”, explicou.
Vangelis Pavlidis tratou de tornar a noite ainda mais sua. Hat-trick em sete minutos (47’, 49’ e 54’) e uma assistência para Rafa logo aos 14’ — números que o colocam na história do clube como o estrangeiro a completar o hat-trick mais rapidamente. Ainda assim, o grego de 27 anos preferiu repartir os créditos: “Desde o momento em que marcámos o primeiro golo, criámos imensas oportunidades, na primeira parte toda também. Devíamos ter marcado mais golos na primeira parte. Os golos não chegaram, só marcámos dois, mas na segunda parte viemos com a mesma energia, com uma boa pressão e boa finalização, e penso que após 10 ou 15 minutos, o jogo já estava resolvido”, disse à SportTV, antes de deixar o relvado de Rio Maior com a bola debaixo do braço.
Do outro lado, Filipe Coelho tinha chegado ao jogo a antecipar exatamente o que acabou por acontecer — sem suavizar o que estava pela frente. Na véspera, tinha dito que “as fragilidades do Benfica são poucas” e que a sua equipa “não podia facilitar”. O 0-7 que se seguiu confirmou a urgência dos alertas e deixou o técnico de 41 anos com trabalho acrescido pela frente depois de duas derrotas consecutivas no arranque da Liga.
André Geraldes não demorou muito a sintetizar a noite: “Não vale a pena falar muito, foi uma noite muito má da nossa parte. Temos de pedir desculpas aos nossos adeptos. É um resultado muito pesado, mas também sabemos que o Benfica é uma equipa muito forte”.
O capitão dos gansos, de 35 anos, virou rapidamente as atenções para o que aí vem. “Por um lado, ainda bem que aconteceu agora, pois ainda temos muito para jogar. Aprender também com este jogo vai ser importante no futuro, mas agora vamos seguir o nosso caminho. Continuamos confiantes no que estamos a fazer, é uma longa caminhada, é um resultado que pesa, mas amanhã já temos de estar a pensar no próximo jogo”, assegurou. O Gil Vicente, em Barcelos no dia 24, é o próximo passo. “Não vai criar essa dúvida, porque ainda falta muito jogo. São três pontos que não conquistámos e vamos seguir o nosso caminho”, concluiu.
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