O calor excessivo voltou a provocar, esta segunda-feira, constrangimentos na circulação do metro do Porto. Tal como aconteceu durante a onda de calor do início de julho, a empresa de transportes viu-se obrigada a recolher veículos para as oficinas, quando os passageiros já notavam um aumento da temperatura no interior das carruagens, com os ares condicionados a falhar no seu objetivo, e alguns atrasos.
“Devido ao calor intenso que se faz sentir, a circulação nas linhas Azul (A) e Laranja (F) está a realizar-se de forma muito condicionada”, escreveu a Metro do Porto no X (antigo Twitter). O problema está há muito tempo sinalizado e tem-se repetido no verão, sobretudo nos últimos anos. “O motivo principal dos atrasos ocorridos (…) prende-se com anomalias registadas na tipologia de veículos Eurotram: a maior (72 unidades de um total de 120 que compõem a nossa frota) e mais antiga (há cerca de 25 anos a circular na nossa rede)”, esclareceu a empresa, em julho, em resposta ao Observador. Esta segunda-feira, a Metro do Porto não especificou quantos veículos recolheu às oficinas.
https://twitter.com/MetrodoPorto/status/2089359903185945016?s=20
“A Metro do Porto está ciente das falhas verificadas no sistema de ar condicionado de algumas das composições Eurotram e lamenta o desconforto que estas situações têm causado aos seus clientes. Em média, 15% das reclamações escritas recebidas estão relacionadas com o ar-condicionado”.
Os responsáveis da empresa reiteram não ter dados sobre problemas de saúde provocados pelo calor sentido dentro das carruagens, que tem sido um relato constante sempre que as temperaturas sobem. Ainda assim, esta segunda-feira recomendaram aos passageiros que se mantenham hidratados.
https://observador.pt/2026/07/02/calor-excessivo-nas-carruagens-volta-a-atormentar-passageiros-do-metro-do-porto/
“Estes veículos [Eurotram] foram projetados numa época em que não eram expectáveis as ondas de calor contínuas como aquelas a que, hoje, a população está sujeita. À data da sua aquisição, e com base nas projeções então definidas pelo Instituto Português da Meteorologia e da Atmosfera (IPMA), foi definido um referencial térmico máximo na ordem dos 35 graus centígrados. Uma vez ultrapassada esta temperatura, o ar-condicionado desliga-se devido à alta pressão“, justifica a Metro do Porto.
“Os sistemas de climatização das composições do Metro funcionam com controlo automático em função da temperatura exterior e seguem as normas internacionais que regulam o funcionamento destes equipamentos. Ou seja, o nosso sistema não permite que o ar condicionado seja desligado em nenhuma circunstância. Em caso de avaria, o veículo em causa é sujeito a uma intervenção para reparação da anomalia, normalmente, logo no próprio dia. Nenhuma composição inicia ou prossegue a operação sem o sistema de ar condicionado operacional“.
Este calor provoca falhas no sistema de refrigeração que levam à supressão de algumas viagens, como aconteceu em julho e voltou a acontecer esta segunda-feira nas linhas que servem Matosinhos e Fânzeres, Azul (A) e Laranja (F), respetivamente. Tal como estas, também a linha Amarela (D) — entre Gaia e o Hospital S. João — utiliza os Eurotrams.
Para tentar mitigar estes constrangimentos, a Metro do Porto diz estar a “adotar medidas de curto e médio prazo”, incluindo a aquisição de “mais 22 unidades”, que devem chegar “em breve” à área metropolitana do Porto. Em julho, a empresa chegou a optar por realizar “injeções de ar frio para o interior das composições” que iniciaram a marcha na estação Senhor de Matosinhos.
Em resposta ao grupo parlamentar do Livre, o Ministério das Infraestruturas e Habitação explicou que estes Eurotram ainda têm “uma vida útil remanescente estimada em cerca de dez anos, correspondendo aproximadamente a um terço da vida útil expectável para veículos ferroviários desta tipologia”. Segundo a resposta consultada pela agência Lusa, o Governo e a Metro do Porto “têm acompanhado esta realidade e, ao longo dos últimos anos, a empresa tem vindo a implementar diversas medidas destinadas a mitigar os constrangimentos associados à climatização da frota Eurotram”.
https://observador.pt/2026/08/08/veiculos-do-metro-do-porto-que-sobreaquecem-no-verao-ainda-tem-10-anos-de-vida-util/
O Livre procurou saber quais seriam as “medidas imediatas adotadas para evitar novas interrupções ainda em 2026”. O Governo respondeu que estão “em curso diversas iniciativas com vista ao reforço do desempenho dos sistemas de climatização, sem prejuízo da manutenção da frota em serviço até ao termo da sua vida útil”. Entre as medidas “destacam-se o recondicionamento dos sistemas AVAC [aquecimento, ventilação e ar condicionado] existentes e a instalação de novos equipamentos com desempenho superior, já em curso em parte da frota”, de forma a “melhorar as condições de conforto térmico, quer para os passageiros, quer para os maquinistas, especialmente durante períodos de calor extremo”.
No entanto, na resposta consultada pela Lusa, o ministério defende que as ocorrências são “pontuais” e os restantes veículos têm apresentado “um desempenho globalmente satisfatório face aos episódios de calor extremo registados no corrente ano”. “Esta frota é atualmente a única que pode operar sem restrições nas linhas Azul [Matosinhos], Amarela [Gaia] e Laranja [Fânzeres], por razões associadas às características da infraestrutura”, nomeadamente as curvas do percurso, que as composições mais recentes não conseguem executar.
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