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Netanyahu acorda com Conselho da Paz criação de grupo de trabalho para supervisionar desarmamento do Hamas em Gaza

Após reunião em Jerusalém com Kushner e o diplomata Mladenov, Israel e o organismo de Trump concordam em nomear um general norte-americano para supervisionar o processo.

Agência Lusa
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O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, anunciou esta segunda-feira um acordo com o Conselho da Paz, organismo responsável pela trégua na Faixa de Gaza, para a criação de um grupo de trabalho de supervisão do desarmamento do movimento islamita Hamas.

Em comunicado, o gabinete de Netanyahu indicou que, após “conversações profundas e construtivas” com o Conselho da Paz, foi acordado criar dois grupos de trabalho, um dos quais sobre o desarmamento e a desmilitarização da Faixa de Gaza.

O chefe do Governo israelita reiterou no texto que “tanto Israel como o Conselho da Paz estão determinados a ver implementado rapidamente e concluído” o desarmamento das milícias palestinianas, “antes do início de qualquer processo de reconstrução em Gaza”.

Um segundo grupo de trabalho “irá focar-se no saneamento básico, na água potável e noutras questões de saúde pública para a população de Gaza, que também afetam a população de Israel”, prosseguiu o comunicado do líder israelita, que não fornece detalhes sobre a composição e enquadramento das novas estruturas.

O anúncio surge após o final de uma reunião em Jerusalém entre Netanyahu, Jared Kushner, genro e conselheiro do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o representante do Conselho da Paz para a Faixa de Gaza, o diplomata búlgaro Nickolay Mladenov, mas o comunicado não faz referência à presença do enviado norte-americano.

Segundo uma fonte da parte israelita citada pela agência France-Presse (AFP), Netanyahu e Kushner concordaram com a nomeação de um general norte-americano para supervisionar o desarmamento do Hamas.

Os dois lados “concordaram que o primeiro passo para a desmilitarização da Faixa de Gaza seria pedir ao Hamas que entregasse as suas armas para que pudessem ser tornadas inoperáveis sob a supervisão de um general norte-americano”, disse a mesma fonte à AFP, sem confirmação imediata por parte de Washington.

A reunião ocorre depois de Netanyahu ter recusado o plano apresentado pelo Conselho da Paz com apoio de Donald Trump, que previa o desarmamento do Hamas e a retirada do exército israelita, que ocupa atualmente mais de 60% do enclave palestiniano.

O Hamas tinha concordado com este roteiro no final de julho.

No domingo, no Cairo (Egito), Jared Kushner realizou uma reunião direta e muito rara com membros da liderança dos islamitas palestinianos, insistindo, segundo informações à AFP de fontes que pediram o anonimato, no desarmamento das suas milícias e exigindo medidas “verificáveis”.

Durante a reunião com o primeiro-ministro israelita, o enviado da Casa Branca estava acompanhado por membros do Conselho da Paz, incluindo o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, informação não confirmada pela estrutura idealizada por Donald Trump.

A agência Associated Press (AP) também confirmou a reunião entre Netanyahu, Kushner e os representantes do Conselho da Paz, e o jornal israelita Haaretz adicionou a presença do embaixador norte-americano em Israel, Mike Huckabee.

A administração dos Estados Unidos já admitiu um papel do exército norte-americano e forças estrangeiras aliadas na supervisão do acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza alcançado em outubro de 2025, que reduziu mas não terminou as ofensivas militares israelitas, estando desde então por fechar as negociações para a segunda fase da trégua.

De acordo com a versão publicada pelo Conselho da Paz em julho, o roteiro norte-americano estipulava que o desarmamento do Hamas e o desmantelamento da sua rede de túneis seriam supervisionados pelo Comité Nacional para a Administração de Gaza (CNAG), um órgão de tecnocratas palestinianos destinado a gerir os assuntos quotidianos do território durante um período de transição.

Ao rejeitar o documento, Netanyahu exigiu o desarmamento “genuíno” do Hamas.

No poder no território desde 2007, o grupo palestiniano anunciou em julho que iria dissolver a sua administração civil e transferir as suas responsabilidades para o CNAG, enquanto exigia a retirada israelita do território e o fim das operações do exército.

De acordo com as mesmas fontes citadas pela AFP, Kushner realçou à liderança do Hamas, no domingo, que deixaria de ter qualquer papel na governação de Gaza.

Os islamitas palestinianos, por sua vez, transmitiram ao enviado norte-americano que era preciso pressão sobre Netanyahu para desbloquear a implementação da segunda fase do plano de Washington, disse um representante do Hamas à agência noticiosa francesa.

Durante anos, os Estados Unidos recusaram qualquer contacto com o Hamas, que classificam como uma organização terrorista.

Jared Kushner reuniu-se também no domingo com o Presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, e com responsáveis do Qatar e da Turquia, outros países mediadores no processo de paz na Faixa de Gaza.

O Hamas e Israel acusam-se mutuamente de violação do cessar-fogo no território e continuam sem acordo para a segunda fase do entendimento, que propõe o desarmamento das milícias palestinianas, a retirada gradual de Israel e a criação de um órgão tecnocrático palestiniano e o destacamento de uma força internacional de estabilização.

A guerra no enclave foi desencadeada pelos ataques liderados pelo Hamas a 7 de outubro de 2023 no sul de Israel, nos quais morreram cerca de 1.200 pessoas e 251 foram feitas reféns.

Em retaliação, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave, que provocou mais de 73 mil mortos, segundo as autoridades locais, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.