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(A) :: Entre o sobe e desce da águia, o Benfica voou (bem) mais alto frente a um ganso que não tirou os pés do chão (a crónica do Casa Pia-Benfica)

Entre o sobe e desce da águia, o Benfica voou (bem) mais alto frente a um ganso que não tirou os pés do chão (a crónica do Casa Pia-Benfica)

O Benfica saiu de Rio Maior com três pontos, depois de vencer por 0-7 o Casa Pia. Pavlidis assinou um hat-trick numa goleada aberta por Prestianni. Rafa e Jhon Durán também marcaram pelas águias.

Manuel Conceição Carvalho
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No arranque da partida, a época do Benfica continuava num sobe e desce constante e uma vitória sobre o Casa Pia não mudava esse paradigma. Mas podia abrir as portas a um novo. Derrota frente ao St. Gallen na Suíça, vitória em casa sobre os mesmos suíços, vitória na Luz frente ao Hearts, empate na jornada inaugural da Liga com o Académico de Viseu — e novo empate no Tynecastle frente aos escoceses, suficiente para passar à próxima eliminatória de acesso à Liga Europa. Marco Silva sabia que a equipa ainda não tinha encontrado o ritmo que queria imprimir, e o jogo desta segunda-feira em Rio Maior frente ao Casa Pia era a primeira oportunidade real de o fazer na Primeira Liga, agora sim com adeptos presentes.

O contexto tinha mais uma camada de complexidade: o Benfica somava uma derrota e dois empates nos últimos três jogos frente ao Casa Pia. Um historial que não passou despercebido na conferência de imprensa de antevisão, ainda que Marco Silva tivesse tentado relativizá-lo. “Os resultados não foram todos positivos para nós, mas nós não temos de pensar nisso. Nós temos de pensar em como é que temos de reagir a um mau resultado. Nós não ganhámos na primeira jornada. Um clube grande como somos tem de reagir rapidamente e reagir é no jogo seguinte. E o jogo seguinte é com o Casa Pia” afirmou o técnico, que lamentava os “erros muito penalizadores” que tinham conduzido ao empate com o Académico, mas reconhecia que a equipa apresentara “muitos pontos positivos” que agora teria de materializar numa vitória. A mensagem para o futuro era clara. “Todos os jogos terão de ser de atenção obrigatória e vistos, como eu tenho vindo a falar, quase como finais”, alertou.

Do outro lado estava um Casa Pia que chegou a esta partida sem pontos, após a derrota na Madeira frente ao Marítimo, por 1-0, na primeira jornada. Filipe Coelho não tinha feito da situação do adversário a base da sua preparação. O treinador dos gansos reconheceu o valor do Benfica sem complexos — “As fragilidades do Benfica são poucas. Não é por não terem conseguido vitórias nos últimos jogos que a nossa sensação vai mudar. É uma equipa fortíssima, com muitos argumentos, que gosta de apertar o adversário” —, mas também não escondeu onde via uma possível janela de oportunidade. “Pode haver ainda mais pressão, por ter começado o campeonato com um ponto. Quer chegar rapidamente ao topo e não poderá facilitar”, afirmou, acrescentando que o Casa Pia abordaria o jogo “sem premissas” ligadas ao historial recente entre as duas equipas.

Do lado encarnado, havia baixas a registar. Aursnes e Dedić — o último em negociações avançadas para sair para o Newcastle — não estavam disponíveis para o jogo de Rio Maior. Sem estas duas peças, Marco Silva escolhia Barrenechea — ao lado de Barreiro — para o centro do terreno e Alexander Bah para a ala direita, respetivamente. Na frente, Pavlidis continuava a ser dono da posição e Prestianni, depois do jogo que fez diante do Académico de Viseu, conseguiu, mais uma vez, o lugar à esquerda, que já foi de Schjelderup. Rafa e Sudakov fechavam as escolhas no capítulo ofensivo. A restante defesa do Benfica contava com o capitão Tomás Araújo, Lenglet e Dahl, na proteção a Samuel Soares, que voltou a adiantar-se a Trubin na titularidade da baliza encarnada.

Filipe Coelho apostou num ex-Benfica para a baliza do Casa Pia. André Gomes perfilava-se atrás de uma defesa a quatro. André Geraldes (capitão) alinhava à direita e Abdu Conté estava responsável pelo corredor oposto. No eixo estavam João Goulart e David Albino. No meio-campo, Seba Pérez e Lawrence Ofori atuavam perto do reforço Gabi. O onze do Casa Pia começava e acabava no Seixal: à direita atuava Kevin Prieto e o resto do ataque era composto pelos ex-Benfica Rochinha, à esquerda, e Henrique Araújo, ao centro.

Para se perceber como tudo isto ia funcionar, era preciso que João Pinheiro apitasse para o início da partida. Foi isso que o árbitro da Associação de Futebol de Braga fez — e deu início a um duelo em que o Benfica começou, desde logo, a vencer. Prestianni voltou a fazer jus à sua ascensão na hierarquia do plantel encarnado. Vindo da esquerda, subiu no terreno com a bola e cortou para o corredor central. Na meia lua da área casapiana tentou a sorte e, por falar em sorte, foi mesmo feliz. Pelo caminho, o esférico sofreu um desvio. André Gomes estirou-se para a esquerda, enquanto a bola entrou lentamente pelo meio da baliza. Três minutos e os favoritos já estavam em vantagem. 

Era difícil perceber-se se o Benfica entrou bem embalado pelo golo ou se o golo surgiu pela boa entrada do Benfica. Antes sequer de essas dúvidas serem esclarecidas, os encarnados não deixaram ninguém pensar — incluindo o adversário. Pavlidis apanhou a linha defensiva dos gansos desprotegida e arrancou pelo meio em direção a João Goulart. Correu o suficiente para que as atenções desfocassem de Rafa, que se desmarcou entre a defesa e o guarda-redes anfitrião. Na cara de André Gomes, Rafa picou sobre o adversário e dilatou a vantagem dos encarnados. Aos 14′, o Benfica tinha uma mão nos três pontos, depois do bom gesto técnico do número 27.

Depois ainda houve tempo para um susto na baliza dos visitantes, com um remate de Gabi a tocar no poste direito da baliza de Samuel Soares. Foi um oásis no meio do domínio encarnado, que continuou à procura do golo. Primeiro foi Prestianni, a tentar bisar, com André Geraldes a bloquear o perigo. Depois foi Sudakov que, sozinho na meia lua, atirou colocado para uma das grandes intervenções de André Gomes na partida. O guarda-redes formado no Seixal protagonizou outro grande momento entre os postes, depois de fazer uma mancha a um remate de Pavlidis, antes de o lance ser invalidado por fora de jogo.

Ficha de jogo

Casa Pia-Benfica, 0-7

2.ª jornada da Primeira Liga 2026/27

Estádio Municipal de Rio Maior

Árbitro principal: João Pinheiro (AF Braga)

Casa Pia: André Gomes, André Geraldes, David Sousa, João Goulart, Abdu Conté, Lawrence Ofori, Gabi Pereira, Sebastián Pérez, Kevin Prieto, Henrique Araújo, Rochinha

Suplentes utilizados: Korede Osundina, Alassana Jatta, Selvi Clua, Khaly, Pedro Rosas

Treinador: Filipe Coelho

Benfica: Samuel Soares, Alexander Bah, Clément Lenglet, Tomás Araújo, Samuel Dahl, Leandro Barreiro, Enzo Barrenechea, Gianluca Prestianni, Georgiy Sudakov, Rafa Silva, Vangelis Pavlidis

Suplentes utilizados: Jhon Durán, Manu Silva, Andres Schjelderup, Richard Ríos, Lukebakio

Treinador: Marco Silva

Golos: Prestianni (3′), Rafa (14′), Pavlidis (47′, 50′, 54′), Ofori (autogolo, 58′), Jhon Durán (61′)

Ação disciplinar: cartão amarelo para Seba Pérez (62′) e Khaly (79′), segundo cartão amarelo e expulsão para Khaly (90+2′)

Ao intervalo, o Benfica seguia para os balneários com mais certezas de si próprio, mesmo com aquele susto junto da baliza de Samuel Soares. Mais bola, mais esclarecimento e melhores oportunidades para os visitantes.

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Ninguém estava preparado para o que aconteceria na segunda parte. O Casa Pia também não. Ninguém sabe o que Marco Silva terá dito aos jogadores, mas as águias protagonizaram uma entrada na etapa complementar absolutamente avassaladora. Os golos chegavam em catadupa. Depois de assistir Rafa na primeira parte, Pavlidis tratou de assinar um hat-trick no espaço de sete minutos. O primeiro do grego surgiu aos 47′, com Rafa a isolar o avançado.

Depois fez por si próprio: aos 50′ desenhou um slalom dentro da área e atirou para o quarto golo dos visitantes.

Quatro minutos depois recebeu um passe de Barreiro e fechou a sua conta pessoal e conseguiu o hat-trick mais rápido da Primeira Liga neste século — a par de Banza, em 2023 —, momentos antes de ser substituído por Durán… que também marcou (60′), dois minutos depois de ter entrado. Mas ainda antes da substituição, Ofori desviou um cruzamento de Dahl e marcou um autogolo.

Mesmo a ganhar por sete, a equipa de Marco Silva nunca parou de procurar o oitavo. A intensidade acalmou com o relógio e o Casa Pia tentou estabelecer uma espécie de pacto de não agressão, à exceção da única oportunidade que conseguiu através de Rochinha. O Benfica confirmou as suspeições de Filipe Coelho, quando afirmou que os encarnados tinham poucas fragilidades. E o plantel de Marco Silva deu uma resposta cabal ao seu treinador, que antes tinha pedido uma reação rápida ao empate na ronda inaugural. Os encarnados saem de Rio Maior como quarto classificado, à frente do Sporting, por terem mais golos marcados, mas em igualdade pontual com os leões. Depois desta goleada, os da Luz tornam-se no melhor ataque do Campeonato, com nove golos apontados — mais quatro golos que o FC Porto e que o Sporting, segundos neste parâmetro.

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