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(A) :: Vigília por professor encontrado morto junta centenas de pessoas em Londres. "O racismo fez isto"

Vigília por professor encontrado morto junta centenas de pessoas em Londres. "O racismo fez isto"

Centenas de pessoas homenagearam Jason Arday numa das praças mais conhecidas de Londres. Angariação de fundos já juntou mais de 140 mil euros para ajudar família.

Mariana Lima Cunha
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Continuam as ondas de choque após a morte inesperada de Jason Arday, o antigo professor de Cambridge que chegou a ser o mais jovem docente negro da prestigiada universidade e que se demitira no início do mês após acusações de plágio. Em Londres, centenas de pessoas reuniram-se na tarde desta segunda-feira para prestar homenagem a Arday e ouvir os discursos de familiares e pessoas próximas, enquanto uma campanha de angariação de fundos já chegou aos 140 mil euros. 

Nas redes sociais correu a convocatória para a vigília, convocada pela organização antirracista Stand Up to Racism, para as 18h desta segunda-feira, em Trafalgar Square, no centro de Londres. A organização pediu que as pessoas interessadas em homenagear o antigo professor se vestissem de preto e trouxessem uma flor. 

Como mostravam várias imagens e vídeos publicados nas redes sociais, pouco depois da hora marcada a praça começava a encher-se, com a deputada do Labour Diane Abbott a discursar para as centenas de pessoas que se encontravam ali, no ponto de encontro: as escadas da National Gallery.

https://twitter.com/AntiRacismDay/status/2089401277419487460

Já no domingo tinha decorrido uma vigília em Cambridge, onde Arday deu aulas de Sociologia da Educação desde 2023 até ao passado dia 5 de agosto, onde compareceram mais de 200 pessoas, dava conta a BBC. Foi organizada pelos seus antigos alunos, que quiseram celebrar o professor que descreveram como “um homem brilhante” e concluíram: “O racismo é o culpado disto”. 

Arday demitiu-se do cargo como professor após as acusações de plágio e outras questões sobre as suas conquistas profissionais, tendo na altura negado a veracidade das alegações. A família acabou por dizer, quando anunciou que tinha sido encontrado morto, que a “campanha de desinformação” que se teria seguido foi “demasiado” para o professor.

Os antigos alunos de Arday defenderam que o processo mostrou a “crueldade” e “difamação” dirigidas a um professor jovem por ser negro, recordando que pessoas como ele “não pertencem” a uma instituição como Cambridge.

Não foram as únicas iniciativas tomadas após a morte de Arday: a família do antigo professor veio agradecer este fim de semana a quem doou dinheiro através de uma página de angariação de fundos, que já ultrapassa os 140 mil euros em mais de 4500 doações. 

“Estamos incrivelmente comovidos pela generosidade de quem contribuiu para o funeral do Jason, um memorial e custos associados. Apesar de nenhuma soma de dinheiro o trazer de volta, a generosidade que mostraram ajuda a facilitar algumas das pressões práticas que enfrentamos enquanto tentamos lidar com a nossa perda”.

A Stand Up to Racism veio defender que a morte de Arday é o resultado de uma “caça às bruxas” que teria resultado do “racismo” demonstrado por políticos e órgãos de comunicação social de extrema-direita: “Estão a espalhar a mentira extremista de que os negros só são escolhidos por causa da cor da sua pele e não das suas habilidades. Têm sangue nas mãos”. 

Como recorda a Sky News, a universidade começou por dizer que Arday tinha sido alvo de uma “vil” campanha de desinformação, mas lançou entretanto uma investigação independente à contratação do professor.

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