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Donald Trump anunciou, este domingo, que os Estados Unidos vão “reduzir substancialmente” a escala dos exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul. O Presidente norte-americano afirmou que estes exercícios, que começam esta segunda-feira, são “dispendiosos” e enviam “um sinal totalmente inadequado e hostil” à Coreia do Norte.
“Com base na minha muito boa relação com Kim Jong-Un, da Coreia do Norte, não estou satisfeito com o facto de os EUA terem, há muito tempo, concordado em participar em exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul”, escreveu nas redes sociais.
O líder dos EUA acrescentou que “tendo em conta que já é demasiado tarde para os cancelar”, deu instruções ao Secretário da Defesa, Pete Hegseth, “para reduzir substancialmente os exercícios militares conjuntos”. Além disso, Trump destacou que Seul recusou juntar-se aos Estados Unidos na “desnuclearização” do Irão.
Os Estados Unidos e a Coreia do Sul realizam exercícios militares conjuntos há mais de 70 anos. A edição deste ano, chamada de Ulchi Freedom Shield, deverá envolver cerca de 18.000 soldados sul-coreanos e uma parte considerável dos 28.500 soldados norte-americanos estacionados no país.
Presidência sul-coreana está a analisar situação e oposição diz que caso significa um “desastre diplomático”
A Casa Presidencial da Coreia do Sul disse, citada pelo The Guardian, que está a analisar a publicação de Trump e “espera que a relação amistosa entre os líderes dos EUA e da Coreia do Norte conduza a um diálogo significativo entre os dois países, abrindo caminho a negociações destinadas a promover a paz e a estabilidade na Península Coreana”.
O líder da oposição sul-coreana, Jang Dong-hyeok, classificou a decisão de reduzir os exercícios militares conjuntos como um “desastre diplomático causado pelo próprio Governo de Lee Jae-myeung [Presidente sul-coreano]”.
Cheong Seong-chang, vice-presidente do Sejong Institute, um centro de investigação sediado em Seul, afirmou ao The Guardian que Trump poderá ir mais longe caso volte a reunir-se com Kim, podendo eventualmente decidir suspender por completo os exercícios ou reduzir o número de tropas norte-americanas sem consultar a Coreia do Sul.
Para a investigadora, a aliança entre os EUA e a Coreia do Sul continua a ser “extremamente importante”, mas defendeu que Seul deveria reduzir gradualmente a sua dependência de Washington em matéria de segurança e aumentar a sua própria capacidade de dissuasão nuclear, uma ideia que tem “amplo apoio público” no país, apesar de ser rejeitada pelo Governo e de enfrentar oposição internacional.
Leif-Eric Easley, professor de Estudos Internacionais na Universidade Ewha Womans, em Seul, alertou, porém, que reduzir a dimensão dos exercícios iria “diminuir o processo de a Coreia do Sul assumir uma maior responsabilidade pela sua própria defesa e enfraquecer a dissuasão face a possíveis conflitos na Ásia”.
As poupanças resultantes da redução dos exercícios são marginais, enquanto os benefícios diplomáticos para as relações com a Coreia do Norte são duvidosos”, notou, à Agência France-Presse.
Já Lim Eul-chul, especialista em assuntos da Coreia do Norte na Universidade Kyungnam, acrescentou que é pouco provável que Pyongyang se deixe influenciar pelo anúncio de Trump.
“O Norte só o considerará significativo se os exercícios conjuntos forem cancelados na sua totalidade, em vez de serem apenas reduzidos. Há poucas razões para considerar isto significativo“, explicou.