O antigo ministro ucraniano da Defesa, Mykhailo Fedorov, afirmou que, dentro de três a seis meses, a Ucrânia terá capacidade de atacar a Rússia com mísseis balísticos fabricados no país.
Numa entrevista realizada em Kiev e concedida ao canal norte-americano CBS, no domingo, Fedorov afirmou que, apesar de ser “difícil de prever” quando é que a Ucrânia terá capacidade de lançar mísseis balísticos, acredita que tal é possível.
Acho que é possível em todos os sentidos, porque não temos tempo para pensar nisto, mas para fazer”, sublinhou.
A interceção de mísseis balísticos russos tem sido um dos principais desafios da Ucrânia, o que tem levado a vários pedidos por parte de Kiev aos Estados Unidos para fabricar intercetores Patriot no país.
Até ao momento, os ataques ucranianos contra a Rússia têm sido feitos através de mísseis de cruzeiro Flamingo e de drones de longo alcance, tendo o programa de mísseis balísticos ucraniano sido aprofundado durante o mandato de Fedorov como ministro da Defesa da Ucrânia entre janeiro e julho de 2026.
A sua demissão, provocada por alegados desentendimentos com o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, tem causado protestos em todo o país.
Em junho, uma das principais empresas militares ucranianas, Fire Point, começou a testar mísseis balísticos. Na semana passada, a CEO da companhia, Iryna Terekh, afirmou ao Politico que é “perfeitamente realista” que o primeiro míssil balístico esteja pronto este outono.
O nosso FP-7 já está em processo de certificação. Isto exige um certo número de lançamentos de teste em combate, realizados sob um procedimento especial”, afirmou Terekh.
O FP-7 tem um alcance de 200 quilómetros e carrega uma ogiva de 150 quilos, e faz parte do Freyja, sistema antibalístico europeu. O Fire Point também está a desenvolver o míssil balístico FP-9, “que carrega uma ogiva de 800 quilos com um alcance de até 855 quilómetros, colocando Moscovo dentro do seu alcance“, refere o Politico.