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Francisca Martins fica em quarto na final europeia de 400 metros livres e estabelece novo recorde nacional

A nadadora portuguesa conseguiu percorrer os 400 metros em 4:06,93 minutos, atrás das alemãs Werner (terceira) e Gose (segunda), que não conseguiram a medalha de ouro — da italiana Simona Quadarella.

Manuel Conceição Carvalho
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A nadadora portuguesa Francisca Martins terminou a final dos 400 metros livres nos Europeus de natação em quarto lugar, com o tempo de 4:06,93, batendo o recorde nacional de 4:07,50 minutos que a própria estabeleceu em julho de 2025.

Francisca Martins vem de uma semana como poucas atletas portuguesas alguma vez viveram numa grande competição internacional. Quatro finais em seis dias. Novos recordes nacionais estabelecidos. E todos os indicadores de que o melhor ainda está por vir, como a própria já tinha prometido.

https://observador.pt/2026/08/13/tres-finais-em-quatro-dias-francisca-martins-termina-em-nono-lugar-na-final-de-200-metros-livres-nos-europeus-de-natacao/

Francisca Martins, conhecida no mundo da natação como Kika, nasceu em Felgueiras e nunca saiu de lá — pelo menos de clube. É do FOCA, o clube da cidade, onde foi crescendo e acumulando marcas nacionais com uma regularidade que começou a chamar a atenção bem antes de qualquer Europeu. Em 2022, foi campeã universitária nos 400 metros livres nos Jogos Mundiais Universitários em Berlim, com ouro na distância e prata nos 800 metros. O palco foi crescendo. Os tempos foram baixando.

Em Belgrado, nos Europeus de 2024, chegou ao pódio pela primeira vez numa grande competição sénior: bronze nos 400 metros livres, com 4:10,94 minutos. Era a segunda medalha de Portugal naqueles Europeus, e a confirmação de que Francisca Martins tinha feito a transição para o nível europeu de topo. A prova foi conquistada pela húngara Ajna Kesely, com 4:06,56 minutos, seguida da checa Barbora Seemanova com a prata. Kika chegou atrás delas, mas chegou. Com 20 anos.

Paris 2026 começou logo no primeiro dia. Na final da estafeta 4×200 metros livres, Francisca Martins abriu a prova e nadou o percurso individual em 1:57,80 — novo recorde nacional dos 200 metros. “Estamos prontas para fazer ainda melhor no futuro“, disse à saída. Dois dias depois, nos 800 metros, entrou na segunda final individual e saiu em oitavo, com 8:41,50 — e voltou à piscina no dia seguinte, de manhã, para as eliminatórias dos 200 livres, onde venceu a série e fez o sétimo tempo geral.

À tarde, nas meias-finais, foi mais longe ainda: 1:57,56, novo recorde nacional, e um empate com a britânica Leah Schlosshan que transformou a qualificação para a final numa incerteza. Havia três cenários em cima da mesa: um swim-off ainda nessa noite, um swim-off na manhã seguinte, ou a disputa da final com nove nadadoras em vez de oito. Foi esta última opção que reuniu consenso. Francisca na pista 0, Schlosshan na pista 8. A checa Barbora Seemanova venceu o ouro com 1:54,38 minutos, a prata foi para a neerlandesa Marrit Steenbergen e o bronze para a britânica Freya Colbert. Francisca terminou em nono, com 1:58,18, abaixo do tempo das meias-finais e atrás de Schlosshan, oitava com 1:57,48. Três finais em quatro dias — estafeta, 800 metros, 200 metros. Não era o resultado que queria, mas o caminho que fez para lá chegar já tinha história suficiente.

“Estou concentrada e preparada para, no domingo, tirar o melhor de mim e mostrar aquilo que valho na minha prova principal”, garantiu. A prova principal eram os 400 metros livres. A prova em que já tinha sido bronze. A prova em que chegou às eliminatórias desta manhã com o terceiro melhor tempo, 4:08,01 minutos, apenas atrás das alemãs Maya Werner e Isabel Gose, a 51 centésimos do recorde nacional de 4:07.50 que estabeleceu em julho de 2025. A história repetiu-se este domingo, apenas com a italiana Simona Quadarella à frente das alemãs e a encabeçar o pódio, depois de percorrer os 400 metros em 4:01,34 minutos.