Ainda nem as bancadas do Principality Stadium, em Cardiff, tinham tido tempo para aquecer e a rede da baliza do Manchester City já tinha abanado. Cerca de 30 segundos de Supertaça Inglesa e já o Arsenal vencia por 1-0, depois de Calafiori receber um passe rasteiro de Lewis-Skelly e adiantar os gunners no marcador. Não havia sequer tempo para questionar o que seria a carta fechada de um Enzo Maresca ao comando de um Manchester City ainda na ressaca de Pep Guardiola, que saiu no final da última época, sem que os londrinos marcassem.
Para um duelo que começou praticamente com a vantagem dos campeões ingleses, Mikel Arteta apostou no seu habitual sistema, com uma linha de quatro defesas, e um meio-campo liderado por Martin Odegaard — o homem mais adiantado no centro do terreno. No campo das novidades, os reforços Bruno Guimarães e Christos Tzolis integravam o lote de titulares do primeiro onze da época oficial do Arsenal, o que pode antecipar as preferências do técnico espanhol para o que se segue na temporada 2026/2027. Na frente, Havertz era o titular, enquanto Viktor Gyökeres começava no banco, como o centro-campista Declan Rice.
Do lado oposto, Enzo Maresca também deixou inicialmente um dos principais nomes do plantel no banco: Rodri não entrou no primeiro onze titular da época oficial dos citizens. Nas zonas mais recuadas do meio-campo estavam Kovacic e Elliot Anderson. À frente da dupla estava Phil Foden, com Doku e Semenyo nos corredores, no apoio a Erling Haaland. Atrás, uma linha de quatro na proteção à baliza de Donnarumma, onde estava Rúben Dias.
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Essa proteção não aguentou muito e ainda viria a sofrer um segundo golo menos de meia hora depois. Tzolis aproveitou um cruzamento demasiado largo, vindo da direita, para servir Havertz de cabeça. O avançado alemão, igualmente num cabeceamento, tinha poucas hipóteses de finalizar para fora do alvo, dada a tão curta distância a que estava do golo. Aos 28′, o Arsenal já ganhava por dois e as bancadas — vermelhas, por sinal — do Principality voltavam a ‘arejar’. Os adeptos londrinos levantavam-se para celebrar a conquista de um troféu que já não parecia fugir. Os adeptos sky blue levantavam-se para pedir mais à equipa — e os que não o faziam, levantavam-se com a vontade de abandonar aquela festa londrina.
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Mas houve tempo para a resposta do City. Sem golo, no entanto. Mais do que isso, tempo para dar sinal de vida. Aos 40 minutos, Haaland recebeu o esférico no centro da grande área e rematou perto da marca de penálti para uma grande defesa de David Raya. Numa segunda vaga, segundos depois, Doku ainda tentou marcar, mas a bola saiu longe do alvo. Nesse lance, o guardião espanhol foi decisivo para que o Arsenal chegasse ao intervalo com dois golos de vantagem e para deixar o Manchester City ainda mais pensativo durante o intervalo da discussão de um jogo em que ainda não tinha verdadeiramente entrado.
A segunda parte chegou com a mesma história — quase igual à da primeira, mas não tão rápida. Menos de dois minutos depois do início da segunda metade, o Arsenal voltava a marcar. Uma vez mais, Tzolis reclamou a sua quota de importância no prato ofensivo que os gunners serviam aos citizens. O grego encontrou Odegaard, que avançou uns metros para entrar na área e, com toda a calma, receber orientado para ultrapassar Gvardiol e esperar que Donnarumma se precipitasse e fizesse uma estirada a um remate que só saiu depois de o guarda-redes italiano já estar deitado no relvado. 3-0. Aos 55′ já se ouviam olés em Cardiff e aos 60′ Enzo Maresca já tinha esgotado todas as suas substituições, enquanto Arteta ainda tinha duas para usufruir.
Os três golos acabaram por trazer uma versão do City que os sky blue ainda não tinham conseguido ser no jogo. Até ao terceiro golo, o Arsenal, mesmo com menos bola, mostrava mais conforto em fazer aquelas ocupações territoriais que Pep Guardiola fez o futebol habituar-se, com verdadeiros cercos à área adversária. O City, pelo contrário, foi respondendo com as saídas rápidas de Jeremy Doku, na tentativa de jogar direto para Haaland. A partir do golo de Odegaard, o que mudou foi a zona onde os citizens passaram a trocar a bola. O que não mudou foi a dificuldade em criar oportunidades claras de golo. E, na ausência de oportunidades, foi na meia distância que Cherki tentou mudar os destinos da equipa de Maresca, mas Raya negou essa possibilidade aos 72′, com uma defesa mais fácil do que a que tinha feito ao remate de Haaland na primeira metade do duelo.
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O que se seguiu, até ao fim do jogo, foi um Arsenal a gerir a sua vantagem com o relógio, enquanto já tinha, na prática, os dois pés no palco onde iria levantar a Supertaça minutos depois. Ainda com 10 minutos por jogar, os adeptos do City que tinham vontade de abandonar a festa londrina, desde o segundo golo, acabaram mesmo por fazê-lo. O Arsenal leva para o Emirates o primeiro troféu oficial da época 2026/2027, o 50.º do seu palmarés e a sua 18.ª Supertaça. O Manchester City começa a temporada ainda a tentar encontrar-se, depois da saída de peso no comando técnico, com a saída de Pep Guardiola do cargo de treinador principal.