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(A) :: A melhor marca de sempre não deu para mais — mas chegou para tudo: depois de ter feito história, Camila Rebelo é oitava nos 100 costas

A melhor marca de sempre não deu para mais — mas chegou para tudo: depois de ter feito história, Camila Rebelo é oitava nos 100 costas

Depois de ameaçar nas eliminatórias, Camila chegou à meia-final para se tornar na primeira portuguesa a baixar do minuto nos 100 metros costas. Sai de Paris com uma prata e um lugar na história.

Tiago Gama Alexandre
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Camila Rodrigues Rebelo. É com as iniciais mais conhecidas do desporto mundial (“CR”) que se escrevem outras páginas de ouro do desporto nacional, pelos braços e pelas pernas da menina que nasceu em Vila Nova de Poiares há 23 anos e escolheu passar parte da sua vida dentro de água, numa piscina com 25 ou 50 metros de comprimento. Determinada em conquistar o mundo numa luta contra as melhores das melhores e, especialmente, contra si, Camila chegou à natação com apenas dois anos, tendo começado a treinar na Piscina Municipal da Lousã, a cerca de 13 quilómetros da sua localidade. A partir daí embarcou numa longa maratona de sucesso até chegar aos Campeonatos da Europa de Desportos Aquáticos deste ano, que decorrem em Paris.

https://observador.pt/2026/08/11/a-nadar-para-tras-anda-se-para-frente-batem-se-recordes-e-ganham-se-medalhas-camila-rebelo-e-vice-campea-europeia-de-200-metros-costas/

De regresso à capital francesa depois de ter estado nos últimos Jogos Olímpicos, Camila Rebelo continuou a deslumbrar ao longo desta semana, de cabeça para cima e de costas para a água, que é como quem diz a fazer aquilo em que é uma das melhores do planeta. A meio da semana, a nadadora da Associação Louzan Natação/Efapel afirmou-se na prova dos 200 metros costas, na qual conquistou a prata. Com a missão a meio, Camila regressou à piscina esta sexta-feira para acabar aquilo que começou. A competir na quarta eliminatória dos 100 metros costas, a portuguesa arrancou bem e apurou-se para as meias-finais no segundo lugar da série, com 1.00,43 minutos, registo que lhe valeu o quinto lugar no quadro global. Poucas horas depois, a sessão da noite trouxe-lhe (mais) um lugar na história: nadou em 59,90 segundos e tornou-se na primeira portuguesa a baixar do minuto na distância, garantindo nova final com o oitavo melhor registo. Esta foi a sétima final de Portugal em Paris, com sete recordes nacionais e a prata dos 200 metros.

“Vim para estes Campeonatos da Europa com o objetivo de passar cada etapa. Fui melhorando alguns pormenores para chegar à final da melhor forma possível e fiz esta prova da maneira como costumo fazer. Deu um segundo lugar e novos recordes nacional e pessoal. Estou muito feliz”, tinha dito Rebelo logo após a conquista da medalha de prata nos 200 metros costas, sem saber o que o destino lhe reservara poucos dias depois.

Na final deste sábado, Camila Rebelo partiu, naturalmente, da pista oito, medindo forças com as francesas Mary-Ambre Moluh (58,21) e Pauline Mahieu (58,93), as britânicas Katie Shanahan (59,71) e Lauren Cox (59,74), a espanhola Irene Ciercole Galve (59,77), a neerlandesa Marrit Steenbergen (59,70) e a russa Alina Gaifutdinova, que compete como atleta neutra. A saída acabou por não ser boa para Camila, que colecionou o segundo pior tempo de reação. Ainda assim, a nadadora recuperou bem e virou aos 50 metros no sexto lugar e com um tempo melhor que o da meia-final (29,20). Nos últimos 50 metros, Camila Rebelo viria a quebrar e terminou no oitavo lugar com 1.00,10, muito perto de bater o seu recorde. Mary-Ambre Moluh bateu o recorde da Europa com 57,94. Marrit Steenbergen ficou com a prata (58,46) e Pauline Mahieu com o bronze (58,77).