Quase 24 horas depois do incidente que matou Finlay Tarling durante a oitava etapa da Volta a Portugal, a Guarda Nacional Republicana (GNR) pronunciou-se oficialmente sobre as diligências que foram levantadas nas últimas horas. Tudo aconteceu ao quilómetro 85,3 de uma ligação com 166,8, que começou em Melgaço e terminou em Fafe. Foi numa curva fechada para a esquerda, em descida, na freguesia de Arcozelo, na aproximação ao concelho de Ponte de Lima, que o galês da NSN Development Team perdeu a vida depois de ter embatido violentamente contra uma carrinha que se encontrava a circular na estrada por onde seguia a corrida.
https://observador.pt/2026/08/14/volta-a-portugal-ciclista-britanico-morre-atropelado-por-carro-em-contramao/
Em declarações ao Jornal da Tarde da RTP1, o tenente-coronel Carlos Canatário, que é porta-voz da GNR, começou por explicar que, nesta 87.ª edição da principal prova velocipédica do país, o “destacamento de trânsito eventual acompanha a caravana de carro e de motas, através de 22 motas e quatro carros”. A função deste dispositivo é garantir que “não haja entradas” na “bolha” da corrida que percorre as mais diversas estradas do país ao longo dos 11 dias de competição, colaborando em articulação com o dispositivo fixo, que não consegue controlar totalmente todas as estradas. “Infelizmente não temos a capacidade para colocar um militar da GNR em todos esses acessos e esses quilómetros. É humanamente impossível”, explicou.
“Tentamos priorizar os acessos em que é mais provável encontrarmos pessoas e viaturas. Não era o caso deste acesso, que era secundário. Nos acessos principais marcamos presença física com a Guarda e, nos outros, colocamos sinalética com baias ou fitas de sinalização. Há diversos fatores que tornam a situação demasiado complexa: dezenas de viaturas estacionadas nas bermas da estrada momentaneamente, e as habitações das pessoas com acesso direto à via. [Na sexta-feira] não houve desvios na operacionalização do planeamento. No local em concreto não estava nenhum militar porque não era um dos locais priorizados na avaliação”, revelou Canatário, que acrescentou ainda que “falta saber que tipo de sinalização havia e se foi removida alguma sinalização” no local onde se deu o embate entre o ciclista e a carrinha.
“Existiam pessoas a assistir naquele local. Os procedimentos do dispositivo móvel que circula junto ao carro vassoura foram feitos. No momento do acidente o pelotão estava partido em três: fuga, pelotão e três ciclistas para trás, sendo um deles o jovem que morreu. O dispositivo móvel estava a adaptar-se, mas havia motas a acompanhar o carro vassoura. Havia duas motas e um carro [da GNR, com o carro vassoura]. Percebemos que o ciclista [Tarling] estava próximo à viatura de apoio da sua equipa. Ele vinha a subir e, quando começou a descer, ganhou velocidade. Nesse momento não foi possível acompanhá-lo. Soltou-se da viatura de apoio e a moto da GNR não conseguiu acompanhá-lo porque estava a fazer o desdobramento. Foi uma conjugação de diversos fatores que levou a este desfecho”, contou o porta-voz.
Quanto ao condutor, a versão que foi apresentada por este, segundo o tenente-coronel Carlos Canatário, aponta para uma informação que terá partido dos populares que se encontravam naquele local. “Sabemos que esteve parado nesse acesso, viu passar o pelotão, esperou algum tempo e, como não viu ninguém, perguntou — alegadamente a populares no local, estamos a tentar confirmar isso — se podia avançar. Terão dito que já tinha passado [a corrida] e que podia avançar, tendo visto outras viaturas a circular. É nesse momento que ele avança, ainda sem ter passado o carro vassoura e os três ciclistas, mais a nossa viatura e as viaturas de apoio. A moto e o carro que vinham atrás [da GNR], junto com o carro vassoura, não assistiram à colisão, mas chegaram imediatamente a seguir”, acrescentou.
“A viatura não vinha em contramão, vinha na via da direita, na sua mão. Vinha era em sentido contrário ao sentido da prova. Como é natural, o ciclista cortou a curva pela via mais à esquerda e foi isso que fez com que colidisse com a viatura. Condutor? Alegadamente não pode ser acusado, mas o inquérito vai decorrer e encontrar mais provas, o que demora algum tempo”, explicou ainda Canatário. Por fim, o porta-voz da GNR notou que, neste momento, “é normal as declarações iniciais do condutor serem um bocadinho dúbias”, dado que “o senhor estava em estado de choque”. Quanto aos testes feitos para aferir a eventual presença de álcool e/ou substâncias psicotrópicas no sangue, “o condutor não apresentava indícios” de qualquer consumo. “O processo demora algum tempo. A GNR está à procura de descobrir os erros e quer colmatá-los, no caso de ter havido alguma falha da Guarda”, concluiu.
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Nas últimas horas surgiram nas redes sociais vídeos que mostram a passagem de dois ciclistas da Volta a Portugal num cruzamento em que já estava aberto o trânsito aos populares que ali circulavam. Trata-se de Francisco Morais (Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua) e Ferran Miravalles (Meridian Racing p/b de la Uz) e tudo aconteceu ao quilómetro 123,9 da oitava etapa, já depois do incidente que matou Finlay Tarling, junto ao Mercure Braga Centro Hotel, no cruzamento da Nacional 103 para a Nacional 101, a cerca de 200 metros da meta volante de Braga. Segundo apurou o Observador, a família do ciclista, que se encontra a acompanhar a corrida no terreno, não teve conhecimento do sucedido até à publicação dos vídeos, procedendo de imediato a informar a Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC) sobre o sucedido. Até ao momento de publicação deste artigo não há qualquer declaração oficial.