O dragão voltou na mesma toada em que acabou. A época passada ficou, naturalmente, marcada pela reconquista do título de campeão nacional no universo do FC Porto, que levantou o troféu pela 31.ª vez e quatro anos depois da então última ocasião. Fruto desse feito, os azuis e brancos começaram a nova temporada a todo o gás, a disputar desde logo a Supertaça em Coimbra, diante do Torreense. No duelo frente ao surpreendente vencedor da Taça de Portugal, o primeiro classificado do Campeonato Nacional voltou a fazer valer a sua teórica superioridade e entrou a ganhar em 2026/27 (1-0). Uma semana depois, no regresso ao Estádio do Dragão para o arranque da Primeira Liga, o FC Porto somou o segundo triunfo, diante do Alverca (2-0).
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No duelo da semana passada, a equipa de Francesco Farioli voltou a não deslumbrar em termos exibicionais, conquistando os três pontos através de duas grandes penalidades, irrepreensivelmente cobradas por André Silva e Gabri Veiga. Ainda assim, a notícia que marcou a última semana envolve o mercado de transferências, mais concretamente Rodrigo Mora. Com pouco espaço no lote de opções e no esquema tático do treinador italiano, o internacional português tem sido apontado à saída, numa novela que se divide entre FC Porto, Roma e Galatasaray, sendo que a imprensa desportiva garante que o clube português recusou uma primeira abordagem dos italianos e estará a pedir 50 milhões de euros pelo 86. Alheio a isso, Farioli foi questionado sobre esta eventual saída na sexta-feira, na conferência de imprensa de antevisão ao duelo dos Arcos, e garantiu que Mora vai a jogo frente ao Rio Ave.
“É uma equipa que continua a trabalhar com o mesmo treinador. Na última época acabou muito bem, a meio da tabela [12.º lugar], e fizeram um excelente trabalho. Vimos nos amigáveis e na primeira jornada algumas mudanças relativamente ao passado. Podem pressionar de diferentes maneiras… Trata-se de uma equipa que acrescentou variabilidade e jogadores com qualidade. Nunca é fácil jogar lá. No ano passado tivemos algumas dificuldades depois de começarmos bem. Temos de ter muita atenção para continuar a nossa jornada. Não há notícias, nem sobre o Rodrigo, nem sobre o mercado. O mercado é sempre assim, sobretudo quando nos aproximamos do fim da janela de transferências. Ter o mercado aberto enquanto estamos a jogar é algo normal com o qual temos de lidar. Temos de ter sensibilidade para lidar com o assunto. No fim, o que importa é o contrato. Esta semana temos sido bombardeados com notícias e rumores 24 horas por dia”, afirmou o treinador de 37 anos.
Ficha de jogo
Rio Ave-FC Porto, 0-2
2.ª jornada da Primeira Liga 2025/26
Estádio do Rio Ave Futebol Clube, em Vila do Conde
Árbitro: Miguel Fonseca (AF Porto)
Rio Ave: Ennio van der Gouw; Georgios Liavas (Miguel Patrício, 83’), Pancho Petrasso (Julien Lomboto, 75’), Gustavo Mancha, Nelson Abbey; Diogo Nascimento (Samuel Alves, 83’), Tamás Nikitscher; Diogo Bezerra, Jalen Blesa, Roland Galcík (Dario Spikic, 59’); Tamble Monteiro (Marious Vrousai, 75’)
Suplentes não utilizados: Kevin Chamorro; Jakub Brabec, Rafael Lobato, Tobías Medina, Caike Valença, Antoine Wenck e Dai Baldé
Treinador: Sotiris Sylaidopoulos
FC Porto: Diogo Costa; Nehuen Pérez (Alberto Costa, 69’), Jan Bednarek, Jakub Kiwior, Zaidu Sanusi; Pablo Rosario, Victor Froholdt, Gabri Veiga (André Silva, 69’); William Gomes (Borja Sainz, 66’), Pepê (Stephen Eustáquio, 89’) e Deniz Gül (Hwang In-beom, 66’)
Suplentes não utilizados: João Costa, João Afonso; Dominik Prpic, Eduardo Ferreira, Duarte Cunha, Francisco Moura e Rodrigo Mora
Treinador: Francesco Farioli
Golos: Nehuen (11’) e Sainz (82’)
Ação disciplinar: —
Ao contrário dos portistas, os vila-condenses começaram o Campeonato da pior forma, perdendo em Barcelos num jogo que ficou marcado pela expulsão de Andreas Ntoi aos 47 minutos (0-1). Sem o compatriota, Sotiris Sylaidopoulos estava obrigado a mexer no seu onze, sendo que já não podia contar com os lesionados Cezary Miszta, Ryan Guilherme e Brandon Aguilera. “O FC Porto é uma grande equipa, com uma identidade muito forte na forma como joga, mas também com uma mentalidade muito forte que os torna especiais. Certamente virá aqui para conquistar os três pontos e para continuar a lutar pelo Campeonato. O que queremos ver é consistência do nosso lado. Queremos ser uma equipa com valores fortes para jogar da forma que queremos, ser competitivos e criar o máximo de problemas possíveis ao FC Porto para conseguirmos tirar algo do jogo”, explicou o grego.
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Sem Alan Varela, que se juntou a Martim Fernandes — sofreu uma lesão muscular na coxa esquerda no último treino e chumbou na reavaliação feita este sábado —, Vasco Sousa, Oskar Pietuszewski e Samu Aghehowa no boletim clínico, Francesco Farioli também estava forçado a mexer no onze portista, embora pudesse respirar ligeiramente de alívio, já que Alberto Costa e André Silva recuperaram. Contudo, os dois portugueses ficaram no banco de suplentes, com o italiano a optar por surpreender na defesa, colocando Nehuen Pérez, que não era titular há praticamente um ano, no corredor direito. Para o meio-campo entrou Pablo Rosario, ao passo que Deniz Gül se juntou a William Gomes e Pepê no ataque. Sotiris Sylaidopoulos lançou Tamás Nikitscher no lugar de Ntoi, com Tamble Monteiro a render o lesionado Ryan Guilherme.
O FC Porto entrou forte no Estádio dos Arcos e foi feliz no primeiro remate enquadrado da partida, faturando através de um lance de bola parada: Gabri Veiga cobrou o canto na esquerda para o segundo poste, Ennio van der Gouw saiu mal da baliza, Gustavo Mancha encolheu-se e não atacou a bola e, nas alturas, Nehuen encostou de cabeça para o golo inaugural (11′). No lance seguinte foi a vez de Gabri atirar ao lado em boa posição (16′), antes de o Rio Ave crescer com a mudança de Diogo Bezerra para o corredor direito e a passagem para o 4x4x2 com bola, com Jalen Blesa a juntar-se a Tamble no corredor central. Foi nessa condição que começaram a aparecer os primeiros remates rioavistas, com Nikitscher a rematar para fora (23′) e Tamble a desferir um tiro forte por cima (27′).
Já na parte final do primeiro tempo, o Rio Ave construiu uma jogada da esquerda para o meio, com Blesa a fugir à marcação dentro da área e, de ângulo difícil, a rematar à malha lateral (31′). Na resposta, Gül apareceu no espaço entrelinhas e, de longe, rematou ao lado (32′). Logo a seguir, Jakub Kiwior dobrou a vantagem em mais um lance de bola parada, igualmente nascido de um canto, mas o golo acabou anulado por fora de jogo (34′). A fechar o primeiro ato, Tamble Monteiro atirou colocado de fora da área para um belo voo de Diogo Costa (45+1′).
A etapa complementar arrancou igual à primeira, com os dragões a controlarem com bola e a ameaçarem o golo, que podia ter aparecido através de um remate forte de William Gomes, não fosse Ennio van der Gouw defender com a ponta da luva (49′). Logo a seguir, Jakub Kiwior desferiu um grande passe para Pepê, que apareceu nas costas da defesa a rematar contra um defesa (51′). O brasileiro quase que se redimiu no lance seguinte, desferiu um cruzamento teleguiado da direita para Deniz Gül, que atacou o espaço nas costas dos centrais e cabeceou ao poste (58′). A primeira mexida pertenceu ao Rio Ave, com Sotiris Sylaidopoulos a optar por uma troca direta com a entrada de Dario Spikic para o lugar de Roland Galcík. Francesco Farioli respondeu com Hwang In-beom e Borja Sainz nos lugares de William e Gül, com Gabri Veiga a ocupar o espaço deixado pelo turco no corredor central, mas por pouco tempo, já que o espanhol saiu logo a seguir para entrar André Silva, na altura em que Alberto Costa rendeu Nehuen Pérez.
Para o último quarto de hora, Sylaidopoulos colocou Marious Vrousai e Julien Lomboto nos lugares de Pancho Petrasso e Tamble Monteiro, mas foram os dragões que voltaram a ameaçar, com Victor Froholdt a desferir um cruzamento tenso para o desvio de Sainz na pequena área, mas Van der Gouw fez rapidamente a mancha e agarrou (78′). O espanhol viria a conseguir faturar numa bela jogada em transição dos portistas, com Alberto a romper pelo meio no espaço e a deixar para In-beom que, na área, deu um importante toque para a esquerda, onde Borja Sainz apareceu sozinho a finalizar para o 0-2 (82′). Miguel Patrício e Samuel Alves ainda saíram do banco caseiro, Sainz voltou a ameaçar (84′) e Stephen Eustáquio foi lançado, mas o resultado não sofreu mais alterações e o FC Porto voltou a vencer pelos mesmos números (0-2).