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(A) :: Marrocos diz ter travado nova tentativa de entrada de 111 migrantes em Ceuta. Jornalistas estão a ser expulsos da cidade

Marrocos diz ter travado nova tentativa de entrada de 111 migrantes em Ceuta. Jornalistas estão a ser expulsos da cidade

Madrid e Rabat reforçaram a segurança após apelos para este sábado. Marrocos diz ter travado centenas de migrantes junto a Ceuta. E com recurso a gás lacrimogéneo, bastões e expulsão de jornalistas.

Mariana Furtado
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Agência Lusa
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Escondidos nos arredores da cidade fronteiriça de Fnideq (ou Castillejos, em espanhol), 111 migrantes estariam a preparar-se para atravessar irregularmente a fronteira para Ceuta, o enclave espanhol em África. A informação foi adiantada por fontes das forças de segurança marroquinas à agência EFE. Este sábado, a cidade havia acordado num ambiente de relativa calma, que acabou por dar lugar a ações da polícia de choque marroquina, com recurso a gás lacrimogéneo e ordens de expulsão a jornalistas.

De acordo com a agência espanhola, o episódio terá ocorrido numa área montanhosa a sudoeste de Ceuta. Fontes da segurança marroquina adiantam à agência noticiosa espanhola que dos migrantes intercetados perto de Fnideq, 109 são naturais da África subsaariana e dois são marroquinos.

As mesmas fontes acrescentaram que as operações preventivas realizadas nos últimos dias pela Direção-Geral de Segurança Nacional levaram à detenção de 61 suspeitos acusados de incitar e promover apelos à migração irregular através das redes sociais.

A cidade de Fnideq conta com a presença de um forte contingente policial montado por Marrocos. O estado de alerta das autoridades espanholas e marroquinas surge na sequência de várias publicações nas redes sociais que convocavam uma nova tentativa de entrada em massa em Ceuta. Os apelos, disseminados em grupos do Facebook e do WhatsApp, visavam repetir a vaga migratória do final de julho, quando cerca de 72 mil pessoas atravessaram a nado e de forma irregular o troço marítimo entre Fnideq e o enclave espanhol. Pelo menos 82 pessoas morreram a tentar chegar a Ceuta a nado.

https://observador.pt/2026/08/14/espanha-e-marrocos-aumentam-seguranca-fronteirica-em-ceuta-perante-nova-ameaca-de-invasao-migrante-difundida-nas-redes-sociais/

Ainda assim, uma jovem migrante de 17 anos, uma das poucas que conseguiu chegar à cidade, explicou à EFE que alcançou Castillejos vinda de Tetuão durante a noite. A jovem terá viajado num autocarro que foi mandado parar em três postos de controlo ao longo dos cerca de 35 quilómetros que separam as duas cidades.

Gás lacrimogéneo e bastões para dispersar migrantes. E ordem de expulsão a jornalistas no terreno

Entretanto, as autoridades marroquinas ordenaram a saída de jornalistas da agência EFE e da TVE que se encontravam em reportagem em Fnideq. Os repórteres encontravam-se a acompanhar a intervenção do corpo de choque marroquino, que terá recorrido a gás lacrimogéneo e bastões para dispersar as centenas de migrantes que tentavam alcançar a fronteira.

Youssef Hajji, representante do Ministério do Interior, ordenou a saída imediata do correspondente da EFE sem dar explicações, afirmando apenas estar a “cumprir instruções”.

Os jornalistas foram ainda advertidos de que as respetivas credenciais de imprensa e equipamento poderiam ser apreendidos caso não abandonassem a cidade.

Ceuta, um pequeno território de 80.000 habitantes situado no extremo norte de Marrocos e banhado pelo estreito de Gibraltar, é uma das duas fronteiras terrestres entre África e a Europa, juntamente com o outro enclave espanhol de Melilla.

(Notícia atualizada às 15h50 com a expulsão de jornalistas da cidade, após ações de dispersão de migrantes marcadas por relatos de repressão policial)