Um sismo de magnitude 7,7 na escala de Richter atingiu a costa da Indonésia durante a madrugada e provocou o desabamento de edifícios, matando pelo menos 50 pessoas, atualizaram este sábado os serviços de emergência. Dois mil residentes da costa foram deslocados. As autoridades prosseguem as operações de socorro.
A agência de notícias France Presse (AFP) relata que residentes no norte da ilha das Flores se afastaram apressadamente da costa, temendo uma onda destrutiva, referindo que grandes partes das fachadas das casas ruíram. O balanço anterior apontava para 38 mortes.
A agência de gestão de catástrofes está a preparar dois helicópteros e um avião para participarem nas operações de resgate, acrescentou.
“Quando corri para o exterior, tudo na casa desabou”
De acordo com a Agência Nacional de Gestão de Desastres (BNPB), mais de 100 casas na ilha ficaram danificadas e foram registados deslizamentos de terra em algumas partes das Flores. O aeroporto da ilha turística de Komodo também foi afetado, embora continue operacional, afirmou o ministro dos Transportes, Dudy Purwagandhi.
“De repente, começou a tremer e eu entrei em pânico”, disse à AFP Lukas Lotar, um funcionário da administração de doentes de um hospital. Os funcionários dos hospitais levaram equipamento para o exterior, incluindo camas, suportes de soro e botijas de oxigénio, e montaram áreas de tratamento temporárias para se adaptarem às condições de emergência.
“Os doentes também fugiram do hospital; o sismo foi forte. Vi que as paredes racharam”, disse. Imagens da televisão local mostraram doentes a serem retirados de vários hospitais como medida de precaução após o abalo.
Yulian Juita Ekalia, de Ruteng, uma cidade situada a cerca de 158 quilómetros a oeste do epicentro, afirmou: “Nunca senti um sismo com tanta força. Parecia que estávamos num trampolim; foi realmente assustador.”
“Quando corri para o exterior, tudo na casa desabou: a televisão, os troféus do meu filho, os escorredores de loiça, as malas em cima dos armários. Quando saí, o meu filho e os meus vizinhos já estavam lá fora, a gritar de terror”, contou a mulher de 37 anos à AFP, por telefone.
O sismo causou danos graves e o colapso de edifícios, confirmou a agência de gestão de catástrofes da Indonésia.
Fathur Rahman, oficial de busca e salvamento da cidade de Maumere, afirmou à AFP por telefone que as buscas se concentram agora em pessoas que possam estar soterradas sob os escombros, referindo que os deslizamentos de terra estão a dificultar as operações de resgate, bloqueando estradas.
“Continuaremos a monitorizar o nível do mar”
A Agência de Meteorologia, Climatologia e Geofísica da Indonésia (BMKG, na sigla em bahasa) chegou a emitir um alerta de tsunami, mas que foi cancelado pouco depois. “Continuaremos a monitorizar o nível do mar”, assegurou Wijayanto, funcionário da agência nacional de geofísica, aos jornalistas, em conferência de imprensa.
A BMKG tinha recomendado que os residentes de parte das províncias de Nusa Tenggara Oriental, Nusa Tenggara Ocidental, Celebes do Sul e Celebes do Sudeste se mantivessem afastados das praias e margens dos rios e se deslocassem para zonas mais elevadas, enquanto as autoridades procuravam quaisquer alterações na orla costeira.
De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos, o abalo atingiu a região indonésia das Flores, a uma profundidade de 10 quilómetros, às 05h58 da manhã deste sábado, hora da Indonésia (22h58 em Lisboa), tendo sido seguido por vários tremores secundários, incluindo um de magnitude 6,1 na escala de Richter.
Novo sismo de magnitude 6,9 atinge a ilha de Sumatra, na Indonésia
Poucas horas depois de o país no Sudeste Asiático ter sido atingido, um novo sismo de magnitude 6,9 atingiu a ilha indonésia de Sumatra, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).
O epicentro deste novo sismo, ocorrido às 10h54 (04h54 em Lisboa), localizou-se em Pematangsiantar, a 126 quilómetros a sudeste da capital da ilha, Medan, no oeste da Indonésia.
O vasto arquipélago indonésio de 17.000 ilhas experimenta uma frequente atividade sísmica e vulcânica devido à sua localização no denominado “Anel de Fogo do Pacífico”.
A Indonésia, um vasto arquipélago com mais de 17 mil ilhas, é propensa a sismos e atividades vulcânicas devido à sua localização no “Anel de Fogo”, um arco de vulcões e falhas geológicas na Bacia do Pacífico.
Em dezembro de 1992, um sismo de magnitude 7 provocou um tsunami que matou cerca de 2.500 pessoas na ilha das Flores, no sudeste do país, parte de um grupo de ilhas na metade oriental da Indonésia.
Em 2004, a Indonésia sofreu um dos piores desastres da sua história com o sismo de magnitude 9,1 que atingiu a costa da ilha de Sumatra, desencadeando um tsunami que matou 170 mil pessoas no país e cerca de 50 mil nos países vizinhos.
(Notícia atualizada às 13h22 com novas informações sobre o segundo sismo no arquipélago)