Um ex-professor da Universidade de Cambridge, em Inglaterra, foi encontrado morto em Londres esta sexta-feira, escreve a Sky News. Trata-se de Jason Arday, de 41 anos, que se demitiu na semana passada após acusações de plágio e dúvidas sobre o percurso académico e feitos biográficos.
Em 2023, quando se juntou à prestigiada universidade, tinha o título de mais jovem professor negro de Cambridge. Lecionava Sociologia da Educação.
https://observador.pt/2026/08/11/demissao-plagio-e-duvidas-biograficas-a-queda-do-professor-negro-mais-jovem-da-historia-de-cambridge/
A BBC refere que o homem foi encontrado “inconsciente” numa morada no bairro de Battersea, em Londres. Os agentes da Polícia Metropolitana declararam o óbito no local e os familiares mais próximos já terão sido informados.
“Neste momento, a sua morte está a ser considerada inesperada, mas não se acredita que seja suspeita”, diz a polícia em comunicado. “O caso está a ser investigado por agentes da unidade de comando do centro-sul da Polícia Metropolitana”, explicam as autoridades.
A família de Arday emitiu um comunicado, em que diz estar “em choque por ter perdido um pai, companheiro, irmão, tio e filho extraordinário”, cita a BBC. “A campanha de desinformação foi demasiado para o Jason, que era um homem gentil e que sempre queria ver o melhor em toda a gente.”
Em comunicado, a Universidade de Cambridge diz estar “em choque e entristecida” pela morte do ex-funcionário. “Os nossos pensamentos e profundas condolências estão com os seus amigos e família nesta altura triste.”
O académico negou as acusações de plágio, mas admitiu “erros” no trabalho. Pediu a demissão na semana passada após “um nível sem precedentes de escrutínio público e ataques pessoais”. Para Arday, o “custo pessoal” do escrutínio era “demasiado grande”. “Mesmo que a crítica seja uma parte inevitável da vida académica, aquilo que passei foi muito além das divergências académicas.”
O escrutínio teve início quando o académico Nathan Cofnas, que foi demitido de Cambridge em 2024, afirmou ter encontrado alegados exemplos de plágio no trabalho do professor Arday. O académico frisou no comunicado ao público que a demissão “não deveria ser confundida com a aceitação das narrativas” que o envolveram.
Jason Arday foi diagnosticado com autismo aos três anos, atraso global do desenvolvimento e dislexia. Foi não verbal até aos 11 anos e só aprendeu a ler e a escrever aos 18 anos. O seu percurso académico era considerado um progresso relevante.
A autobiografia de Arday foi publicada na semana passada nos EUA. Está prevista a publicação no Reino Unido a 27 de agosto.
Atualizado às 22h33