A Câmara de Gaia quer que o projeto para a estação de alta velocidade no concelho, em Santo Ovídio, inclua um túnel rodoviário ligando a Estrada Nacional 222 à Avenida da República, segundo um parecer consultado esta sexta-feira pela Lusa.
De acordo com o parecer da consulta pública do projeto da linha de alta velocidade, a Câmara considera que a solução proposta “não parece ter equacionado” tanto o “expectável aumento da frequência do serviço de metro da linha Amarela [Vila d’Este – Hospital São João], com a entrada em funcionamento da nova Linha Rubi [Santo Ovídio – Casa da Música], o que irá condicionar fortemente o atravessamento rodoviário entre o entroncamento da Avenida D. João II [Estrada Nacional 222] com a Av. da República”, como o “aumento da circulação de automóveis por força do acesso ao estacionamento previsto”.
“Estes dois fatores irão sobrecarregar o atravessamento da Av. da República uma vez que não é equacionada outra alternativa”, refere a Câmara de Gaia.
Assim, “propõe-se que seja equacionada uma ligação rodoviária subterrânea, no sentido da Avenida D. João II (VL9) [e início da Estrada Nacional 222] para a Av. da República, com possibilidade de articulação com a A1, via túnel de Santo Ovídio (já existente), resolvendo o constrangimento rodoviário no entroncamento à superfície, e cuja funcionalidade se prevê agravar com os usos da nova estação, nomeadamente a oferta de estacionamento subterrâneo”, aponta.
A autarquia liderada por Luís Filipe Menezes (eleito pela coligação PSD, CDS-PP e IL) entende que “esta solução rodoviária (…) é compatível e oportuna com a escavação que será necessária para a execução da obra da Estação/Interface”.
“Tal irá possibilitar que a estação a executar cumpra o estabelecido na DIA [Declaração de Impacto Ambiental], tornando-se uma centralidade urbana, que dinamiza, e não bloqueia, o desenvolvimento harmonioso da envolvente e qualifica o espaço urbano onde se insere”, refere.
No parecer elaborado pela direção de Planeamento da autarquia, é ainda referido que “a proposta agora apresentada para a estação remete-se à área necessária para a sua implantação, não refletindo o cumprimento e abrangência dos termos de referência anteriormente previstos no PPSO-EG (Plano de Pormenor de Santo Ovídio – Estação de Gaia)”.
Os objetivos desse plano de pormenor são, entre outros, a integração da estação “num polo intermodal de transportes que, no seu conjunto, reunirá os modos de ferrovia de alta velocidade, metro, acessibilidades rodoviárias, cicláveis e pedonais, transportes públicos rodoviários e Park & Ride”, ou a valorização da “mobilidade pedonal na acessibilidade aos transportes coletivos (…) infletindo a proeminência viária da Rotunda de Santo Ovídio”.
Segundo a Lusa noticiou em 2024, o plano visa também unir urbanisticamente a velha capela de Santo Ovídio com a nova igreja paroquial, com recurso a uma pavimentação única entre os edifícios, tornando, na prática, numa praça o espaço que atualmente é uma congestionada rotunda com sete confluências.
No seu parecer, a Câmara reitera também posições já conhecidas sobre a travessia rodoviária da ponte prevista para o rio Douro, não a considerando viável em face de os acessos terem um custo de cerca de 20 milhões de euros, “encargo que o município não poderá suportar”, e também relativamente a um menor atravessamento do concelho em túnel face ao estudo prévio.
Na terça-feira, a Agência Portuguesa do Ambiente considerou que o projeto de execução da futura linha ferroviária de alta velocidade entre Porto e Gaia está em conformidade com a Declaração de Impacto Ambiental (DIA) anteriormente emitida, dando “luz verde” à empreitada.
A linha de alta velocidade deverá ligar Porto e Lisboa numa hora e 15 minutos em 2032, com paragens possíveis em Gaia, Aveiro, Coimbra e Leiria, e o percurso Porto-Vigo (via aeroporto do Porto, Braga, Ponte de Lima e Valença) em 50 minutos, em 2032.