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Porto quer que outras entidades construam parte de nova rodovia em Campanhã para o TGV

Autarquia lembra que havia sido acordado anteriormente "que para além da Câmara Municipal do Porto, outras entidades a definir executariam a primeira fase".

Agência Lusa
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A Câmara do Porto apontou, na consulta pública ao projeto da linha de alta velocidade, que pretende que outras entidades executem parte da futura via que dará acesso à nova entrada nascente da estação de Campanhã, para evitar congestionamento.

De acordo com o documento consultado esta sexta-feira pela Lusa, a autarquia liderada por Pedro Duarte (PSD/CDS-PP/IL) aponta que “não está prevista ser construída a primeira fase da Via Corniche a partir da Rua do TIC [Terminal Intermodal de Campanhã], essencial e imperativa para que o acesso ao parque de estacionamento subterrâneo nascente da estação LAV [linha de alta velocidade] não congestione o trânsito automóvel em toda a envolvente”.

“Segundo o RECAPE [Relatório de Conformidade Ambiental do Projeto de Execução], a Via Corniche, entre a Rua do Freixo e a Rua do TIC, será executada pela Câmara Municipal do Porto”, mas esta autarquia contesta, recordando que “havia sido acordado anteriormente, entre a IP [Infraestruturas de Portugal] e a CMP, que para além da Câmara Municipal do Porto, outras entidades a definir executariam a primeira fase”.

Citando uma ata de uma reunião tida em dezembro entre Câmara, IP e o consórcio AVAN (Mota-Engil, Serena, Teixeira Duarte, Casais, Alves Ribeiro, Conduril e Gabriel Couto), responsável pela construção da linha de alta velocidade, sobre a Via Corniche, a autarquia salienta que “foi referido que, apesar da execução desta via não constituir obrigação contratual da Concessionária (…), o facto de um primeiro tramo da mesma (entre a Rua Pinheiro de Campanhã na zona do Terminal Intermodal de Campanhã (TIC) e a Praça da Estação AV) ter sido incluído no RECAPE foi visto, tanto pela IP como pela CMP, como uma proposta que se considera poder ser francamente positiva”.

Porém, tal não foi incluído no RECAPE, pelo que a Câmara do Porto vinca que “deve ser assegurada a execução efetiva da Via Corniche, nomeadamente entre a Rua do TIC e o estacionamento nascente da nova estação LAV, como condição essencial para o funcionamento do sistema”, defendendo que “esta condição é essencial e imperativa para que o acesso ao parque de estacionamento subterrâneo nascente da estação LAV não congestione o trânsito automóvel em toda a envolvente”.

Para a nova ala este da estação de Campanhã está prevista a construção de uma nova praça e um parque de estacionamento subterrâneo com capacidade para 620 viaturas.

No seu parecer, a Câmara do Porto considera ainda necessário assegurar “a robustez do modelo de interface multimodal e a sua capacidade futura”, a “qualidade dos percursos pedonais e cicláveis” e “a clara organização dos diferentes modos de transporte”, não colocando “objeção à manutenção de espaço para táxis/TVDE” na atual praça poente.

Em julho, a Lusa noticiou que o novo projeto para a estação mantinha espaço ao automóvel na atual praça, ao contrário da versão anterior, que devolvia totalmente o espaço aos peões e demolia uma entrada para o parque de estacionamento subterrâneo, potenciando o espaço público para outros fins que não o da circulação automóvel.

Porém, no projeto entretanto aprovado mantém-se a praça de táxis, o acesso ao estacionamento e uma via de circulação para carros até praticamente à porta do edifício principal, tendo o consórcio a “intenção de arborizar a praça poente frente ao edifício de estação novecentista e de condicionar o trânsito apenas a veículos autorizados, táxis e acesso ao parque de estacionamento”.

Na terça-feira, a Agência Portuguesa do Ambiente considerou que o projeto de execução da futura linha ferroviária de alta velocidade entre Porto e Gaia está em conformidade com a Declaração de Impacto Ambiental (DIA) anteriormente emitida, dando ‘luz verde’ à empreitada.

A linha de alta velocidade deverá ligar Porto e Lisboa numa hora e 15 minutos em 2032, com paragens possíveis em Gaia, Aveiro, Coimbra e Leiria, e o percurso Porto-Vigo (via aeroporto do Porto, Braga, Ponte de Lima e Valença) em 50 minutos, em 2032.