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Volta a Portugal. Ciclista britânico morre atropelado por carrinha durante etapa da prova

O ciclista britânico Finlay Tarling, de 19 anos, foi atropelado mortalmente em Arcozelo, Ponte de Lima, durante uma etapa da Volta a Portugal. Morreu na sequência de um choque frontal com carrinha.

Cátia Rocha
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Tiago Gama Alexandre
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Um ciclista foi atropelado mortalmente por um carro durante uma etapa da Volta a Portugal. A notícia foi avançada pela RTP.

Em comunicado, a organização da Volta a Portugal “lamenta profundamente informar o falecimento do corredor britânico Finlay Tarling, da NSN Development Team”, durante a oitava etapa da prova. O ciclista, natural de Gales, tinha 19 anos.

“Neste momento de profunda consternação, a organização da Volta a Portugal e a Federação Portuguesa de Ciclismo expressam as suas mais sentidas condolências à família de Finlay Tarling, aos seus companheiros de equipa, à NSN Development Team e a todos os seus amigos e entes queridos”, é possível ler.

Ao que o Observador apurou, o acidente ocorreu na EN 306, na freguesia de Arcozelo, em Ponte de Lima. O ciclista terá ficado para trás devido a uma suposta avaria e seguia com o carro-vassoura. Tudo aconteceu ao quilómetro 85,3 da oitava etapa, com um total de 166,8, quando um carro que estava numa rua transversal entrou na estrada onde seguiam os ciclistas e chocou de frente com Finlay Tarling. O ciclista foi socorrido imediatamente e o óbito foi declarado no local.

“Perante este trágico acontecimento, a corrida será neutralizada até à chegada a Fafe e, em sinal de respeito e luto, não se realizará a cerimónia de pódio prevista para hoje”, diz o comunicado da Volta.

A organização revela que “prestará todas as informações adicionais assim que existam condições para o fazer”.

https://twitter.com/VoltaPortugal/status/2088376830076100643

A equipa do ciclista diz estar “de coração partido por anunciar a morte de Finlay Tarling durante a Volta a Portugal hoje”. “Fin era um membro muito estimado da nossa equipa, mas o mais importante é que era um filho, um irmão e um amigo para muitos. A sua falta será profundamente sentida”, diz a equipa no X.

“As nossas maiores condolências para os pais do Fin, Michael e Dawn, para o seu irmão Josh, e para toda a gente que teve a sorte de chamar amigo ao Fin.”

https://twitter.com/NSNCyclingTeam/status/2088303929150840994?s=20

A equipa NSN Development abandonou a Volta a Portugal após este acidente, confirmou o Observador.

“É um dia dramático”, lamenta o diretor da Volta. “Momento muito difícil para o ciclismo”

Cândido Barbosa, o presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo, prestou declarações em Fafe, a meta da etapa desta sexta-feira. Considerou a morte do atleta um “momento muito difícil” para a modalidade. Em declarações transmitidas pela RTP, expressou “profundas condolências à família e colegas e a toda a comunidade do ciclismo”.

“Depois de mais de meio milhão de quilómetros de bicicleta este foi o momento mais duro da minha vida”, diz. “Enquanto ex-atleta e enquanto presidente da Federação, tenho vindo a trabalhar naquilo que é a prioridade máxima: a segurança dos atletas”, explicou. “Fomos apanhados por esta tragédia, que infelizmente nos tocou no dia de hoje.”

Cândido Barbosa pediu “força a todos os atletas” para terminarem os últimos dois dias da prova. “A prova terá de continuar.”

Antes disso, José Soares, vice-presidente da Federação de Ciclismo, afirmou que é “um momento de enorme consternação”. “É um jovem com apenas 19 anos e que perde a vida a praticar este desporto apaixonante. É um momento muito triste da Volta a Portugal, não é inédito, mas é muito triste”, afirmou.

“Lamentamos profundamente o acidente que o vitimou e gostaria apenas de agradecer profundamente a atitude das pessoas”, disse. Falou em “milhares [de pessoas], de um lado e outro da estrada, nos últimos 20 quilómetros depois de a corrida ter sido neutralizada e cancelada a etapa, que se mantiveram à beira da estrada e aplaudiram os corredores que ainda restaram”.

Ezequiel Mosquera, diretor da Volta, descreveu um “dia dramático”, tanto “como organizador e ex-ciclista como pai de família”. “Não tenho expressão para este sentimento, além de dor neste que é um desporto de risco.”

O major Tiago Machado, da GNR, salientou que as autoridades trabalham para a “máxima segurança de todos os ciclistas dentro da caravana”. Além disso, também foi implementado um “forte dispositivo policial ao longo de toda a etapa”.

O militar da GNR explicou que “as circunstâncias do acidente ainda estão a ser averiguadas”. “Neste momento ainda é prematuro conseguirmos perceber como é que este acidente ocorreu.” Tiago Machado confirmou apenas que o acidente “ocorreu na parte mais atrasada do pelotão”, resultante de uma “colisão entre o ciclista e um veículo ligeiro”.

O representante dos ciclistas profissionais, Paulo Couto, lamentou o momento “difícil” para os jovens ciclistas, lembrando que se trata de “uma profissão de risco, um desporto que se pratica na estrada”.

“Vamos averiguar, vamos ver responsabilidades”, disse. Reconheceu que é um momento que “deixa todo o pelotão triste”.

A organização da prova revela que “ainda não está nada planificado” sobre o resto da prova. “Temos de continuar a corrida. Amanhã é outro dia”, disse o diretor da prova.

Presidente da República manifesta “profundo pesar” pela morte do ciclista

António José Seguro manifesta “profundo pesar pelo trágico falecimento do jovem ciclista britânico Finlay Tarling, da NSN Development Team”, de acordo com uma nota da Presidência da República.

O Presidente da República refere que “Finlay Tarling partiu na estrada, entregue ao desporto que amava e dignificava, e a sua morte enluta o pelotão, a prova e o país que o acolhia”.

O Presidente António José Seguro expressa ainda solidariedade à Direção da Volta a Portugal e à Federação Portuguesa de Ciclismo, “que enfrentam um dos momentos mais dolorosos da história da prova, saudando a dignidade das decisões tomadas em memória e em respeito pelo atleta”.

O Presidente da República apresenta condolências à família de Finlay Tarling, aos seus companheiros de equipa e à comunidade do ciclismo, “associando-se, comovido, ao seu luto”.

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, diz no X que foi informado sobre o acidente. “Uma notícia que nos deixa extremamente abalados. Envio à família e à sua equipa, bem como a todo o pelotão, sentidas condolências do Governo de Portugal.”

https://twitter.com/LMontenegro_PT/status/2088298828503929240

Margarida Balseiro Lopes, ministra da Cultura, Juventude e Desporto, manifestou no X “o mais profundo pesar pela morte do ciclista britânico Finlay Tarling”. “À família, amigos, companheiros de equipa, Federação Portuguesa de Ciclismo, as mais sentidas condolências”, declarou.

https://twitter.com/margaridalopes/status/2088302898690003065

Organismos desportivos lamentam morte do ciclista britânico

A UCI, o organismo governativo global do ciclismo, emitiu uma nota sobre Finlay Tarling, mostrando-se “profundamente triste com a morte trágica” do ciclista. “A UCI expressa as suas profundas condolências à família, amigos e colegas de equipa de Finlay.”

https://twitter.com/UCI_cycling/status/2088313847014629474

Também a Confederação do Desporto de Portugal (CDP) reagiu ao acidente. A CDP e o seu presidente “lamentam profundamente o falecimento do ciclista Finlay Tarling, da NSN Development Team”.

“Finlay tinha apenas 19 anos. Morreu em competição, a fazer aquilo de que mais gostava, enquanto perseguia o sonho de deixar uma marca no ciclismo mundial”, é possível ler em comunicado. “Uma perda que choca o mundo do desporto e todos aqueles que amam e vivem diariamente a modalidade.”

A CDP endereça as “sentidas condolências à família e aos amigos de Finlay Tarling”, assim como à equipa NSN Cycling Team. A confederação solidariza-se “com o luto que atravessa a Federação Portuguesa de Ciclismo, a Direção da Volta a Portugal e todo o pelotão, num dia em que o desporto português se une, de forma solidária, em torno desta dor”.

O Comité Olímpico de Portugal (COP) emitiu uma nota de “profundo pesar” sobre a morte de Finlay Tarling. “Este inesperado e trágico acontecimento, ocorrido durante a prática da modalidade a que o atleta dedicava o seu talento e paixão, deixa um marco profundamente triste para o desporto português.”

Várias equipas de ciclismo prestaram as condolências à NSN Cycling Team. “Neste momento, o ciclismo é a menor das preocupações”, reconheceu a Anicolor-Campicarn, do francês Alexis Guérin e do russo Artem Nych, os dois primeiros classificados da geral antes das últimas duas etapas, refere a Lusa.

A UAE Emirates lamentou um “vazio incomensurável” na família do ciclismo e desejou que a memória e o espírito de Finlay Tarling “continuem vivos”, numa dor à qual se associaram igualmente a Burgos-Burpellet-BH, a Euskaltel-Euskadi, a Credibom-LA Alumínios-MarcosCar, a Gi Group Holding-Simoldes-UDO ou a Óbidos Cycling Team.

“Hoje, a competição fica em segundo plano”, assinalou a Localiza Meoo-Swift Pro Cycling, tal como a Tavira-Crédito Agrícola ressalvou não haver “resultados ou classificações que importem perante uma perda desta dimensão”.

A exemplo da Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua e da Feirense-Beeceler, a Efapel assumiu ser difícil encontrar palavras, admitindo que jamais esquecerá o dia da morte de Finlay Tarling, que tinha “toda uma vida pela frente”, mas “perdeu-a a fazer o que amava”.

“Um dia que deveria ser de festa termina da forma mais dolorosa e de uma maneira que nunca deveria acontecer”, vincou a Feira dos Sofás-Boavista.

Evocando “mais do que a memória de um jovem talento”, a Aviludo-Louletano-Loulé destacou o exemplo de quem “encontrou na bicicleta a sua liberdade, força e felicidade” e “ficará para sempre” na memória coletiva do ciclismo.