(c) 2023 am|dev

(A) :: Jovem suspeito do homicídio da mãe em Algés ficará em centro educativo em regime fechado. Irmãos foram sinalizados em 2024 pela CPCJ

Jovem suspeito do homicídio da mãe em Algés ficará em centro educativo em regime fechado. Irmãos foram sinalizados em 2024 pela CPCJ

Medida mantém-se durante três meses. O pai do suspeito de matar a mãe em Algés encontra-se em prisão preventiva por violência doméstica e violação agravada.

Leonor Riso
text

O jovem de 15 anos suspeito de matar a mãe em Algés ficará num centro educativo em regime fechado até aos novos desenvolvimentos do processo, decidiu o Tribunal de Família e Menores de Cascais. A medida irá durar três meses, e será revista ao final de dois.

O pai do jovem encontra-se em prisão preventiva desde outubro de 2025, indiciado pelos crimes de violência doméstica e violação agravada. O julgamento começará em setembro, no Juízo Central Criminal de Cascais. Já as crianças estavam a ser acompanhadas pela Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Oeiras desde 2024. E, em janeiro deste ano, o Tribunal de Menores de Cascais aplicou uma medida de proteção.

CPCJ abriu processo à família em 2024. Jovem terá agredido pai durante violência doméstica entre casal

O processo de proteção e promoção da CPCJ de Oeiras foi aberto em 2024, o mesmo ano em que, de acordo com a imprensa brasileira, a família chegou a Portugal vinda do Brasil. De acordo com fonte oficial desta CPCJ, “decorrida a fase de avaliação diagnóstica, foi aplicada, em sede de Comissão Restrita do dia 19/11/2024, a medida de apoio junto dos pais a favor das crianças [ou seja, os menores não foram retirados], dada a situação de fragilidade em que a família se encontrava”.

O jovem de 15 anos foi alvo de “um processo no âmbito da Lei Tutelar Educativa, por factos em que o menor, alegadamente, terá agredido o pai”, durante uma “situação de violência doméstica entre o pai e a mãe dos menores”, revela fonte oficial da PSP ao Observador. Esta polícia informou tanto a CPCJ como o Tribunal da ocorrência que data de abril de 2025, meses antes de o pai ter sido preso preventivamente por violência doméstica e violação agravada.

A mesma fonte confirma terem sido reportadas à polícia várias situações “relativas ao agregado familiar em apreço”. “Relativamente a todas as situações denunciadas à PSP, bem como às deslocações efetuadas ao domicílio, foi elaborado o respetivo expediente, o qual foi remetido às entidades competentes”, frisa fonte oficial, numa referência ao Tribunal de Família e Menores de Cascais e à CPCJ de Oeiras.

Ao que o Observador apurou, a medida de apoio junto dos pais decidida em 2024 pela CPCJ de Oeiras não foi cumprida e o processo acabou por ser remetido por esta instituição, “com caráter prioritário”, à Procuradoria do Juízo de Família e Menores de Cascais, no dia 24 de junho de 2025. “Posteriormente, a CPCJ de Oeiras foi informada, pelo Tribunal de Família e Menores de Cascais, que foi aplicada medida de promoção e proteção pelo Tribunal relativamente às duas crianças, encontrando-se desde essa data a serem acompanhadas judicialmente”, detalhou ainda em resposta ao Observador a CPCJ de Oeiras.

https://observador.pt/2026/08/14/pj-suspeita-que-jovem-identificado-pelo-homicidio-da-mae-agiu-num-contexto-de-eventuais-maus-tratos-fisicos-e-psicologicos/

Tribunal aplicou medida de apoio à mãe em janeiro

Também ao Observador, fonte do Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa Oeste — de que faz parte o Tribunal de Família e Menores de Cascais — adianta que no processo relativo às crianças “foi celebrado, em janeiro de 2026, um acordo de promoção e proteção, tendo sido aplicada a medida de apoio junto da progenitora”, ou seja, o tribunal determinou que a mãe podia manter os filhos sob a sua guarda.

O Observador não conseguiu apurar que apoio foi aplicado, mas estas medidas podem ser de caráter psicológico, social e/ou económico, por exemplo.

De acordo com o jornal Correio da Manhã, o jovem de 15 anos terá documentado, através da gravação de áudios, maus-tratos físicos e psicológicos da mãe contra ele próprio e a irmã mais nova. Em comunicado, a PJ adiantou que “o contexto que levou à ocorrência do crime estará relacionado com eventuais maus tratos físicos e psicológicos mantidos pela vítima em relação aos dois filhos”.

https://observador.pt/especiais/discussoes-gritos-e-irmaos-a-passar-de-mao-dada-o-que-aconteceu-antes-de-um-jovem-de-15-anos-dizer-a-policia-que-tinha-matado-a-mae/

O Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa Oeste indica ainda que a menina de quatro anos será entregue aos cuidados de uma “pessoa idónea” durante pelo menos três meses.

PGR abre inquérito. Jovem manteve-se em silêncio perante o juiz

Entretanto, foi já instaurado um inquérito tutelar educativo relativo ao homicídio, confirma a Procuradoria-Geral da República (PGR) ao Observador. Por decisão do Tribunal de Família e Menores de Cascais, o jovem ficará em centro educativo em regime fechado durante pelo menos três meses.

Perante o juiz, o jovem de 15 anos preferiu não falar. “O Tribunal considerou fortemente indiciados os factos que lhe são imputados e que, caso tivessem sido praticados por pessoa com mais de 16 anos, seriam suscetíveis de integrar um crime de homicídio qualificado. O Tribunal entendeu ainda existir perigo de prática de novos factos de gravidade semelhante”, lê-se numa nota divulgada pelo Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa Oeste. “Tendo em conta a gravidade dos factos indiciados, esse perigo e a necessidade de acompanhamento educativo do jovem, foi determinada a aplicação da medida cautelar de guarda em centro educativo, em regime fechado.”

A medida irá manter-se durante três meses, e será revista ao fim de dois.