No desporto como na vida, é preciso subir os degraus paulatinamente para se alcançar os objetivos, por mais difíceis que sejam. A metáfora aplica-se na perfeição a Liliana Cá, uma das atletas mais experientes da comitiva portuguesa em Birmingham. A competir pela quinta vez nos Campeonatos da Europa de atletismo ao ar livre, a atleta de 39 anos queria continuar a crescer a par e passo. Afinal, se recuarmos no tempo, foi 14.ª na edição de 2010, em Barcelona, que foi a única em que não conseguiu alcançar a final (55,47 metros). Em Berlim-2018 terminou no sétimo lugar (58,91), conquistando o quinto posto em Munique-2022 (63,67). Foi na última edição que deu o tão esperado salto para as medalhas, conquistando o bronze em Roma-2024, fruto de um lançamento de 64,53.
https://observador.pt/2024/06/08/o-melhor-dia-de-sempre-apareceu-aos-37-anos-liliana-ca-conquista-medalha-de-bronze-no-lancamento-do-disco-nos-europeus/
Agora em Inglaterra, a lançadora do Sporting procurava dar mais um passo em frente, embora o objetivo fosse voltar a marcar presença no pódio. Na qualificação, Cá chegou aos 61,86 metros, ligeiramente abaixo dos 62,50 no apuramento direto, e qualificou-se com o quinto melhor registo, atrás de Vanessa Kamga (64,65), Shanice Craft (63,46), da líder do ano Jorinde van Klinken (62,74) e Alida van Daalen (62,58). A portuguesa surgiu na final com a quinta melhor (66,40, alcançados em 2021) e o sétimo melhor registo do ano, que se fixava em 64,08. No ranking europeu encontrava-se no sexto lugar. Pelo caminho ficou Irina Rodrigues, que se tornou na atleta nacional com mais participações em Campeonatos da Europa (sete). A lançadora de 35 anos é a recordista nacional do disco, marca que alcançou em março de 2024 (66,60) e que ficava ligeiramente abaixo do recorde pessoal de Liliana.
“Não é uma qualificação direta, mas foi logo a primeira das não diretas. Eu queria fazer logo a marca [de apuramento], mas acho que foi bom porque o primeiro lançamento é sempre o mais incógnito, porque estamos sempre muito nervosas. Sendo bom, já próximo da marca, dá uma grande segurança. Entretanto tentei arriscar, só que foi com muita força e o disco não andou. Agora é preparar-me para a final. Quero repetir [Roma-2024], mas em melhor qualidade. Apontar ao título? Sim, porque quem se foca no ouro, mesmo que desça, só desce um bocado”, explicou a lançadora à Antena 1.
Sem a heptacampeã Sandra Elkasevic, Liliana Cá entrou com um lançamento de 60,87 metros, que lhe valeu de imediato o quarto lugar, embora tenha caído para sexto numa primeira ronda que terminou com Van Klinken confortável na liderança (67,67). Depois de um nulo, a terceira tentativa não foi melhor (58,90), com Cá a chegar a meio da prova no oitavo lugar, a cerca de quatro metros do pódio. Fruto dessa posição, a portuguesa foi a primeira a inaugurar os últimos lançamentos, começando com mais um nulo. Os últimos lançamentos de Liliana voltaram a ser nulos, com a portuguesa a terminar no oitavo lugar, com o registo alcançado no primeiro lançamento (60,87). A neerlandesa acabou por não sair da liderança e conquistou o ouro com o primeiro ensaio, à frente de Shanice Craft (65,72) e Vanessa Kamga (64,61).