(c) 2023 am|dev

(A) :: Delvis mostrou à mãe que foi a Birmingham para se juntar à história: velocista foi sexto no regresso de Portugal à final dos 200 metros

Delvis mostrou à mãe que foi a Birmingham para se juntar à história: velocista foi sexto no regresso de Portugal à final dos 200 metros

Delvis Santos levou Portugal à final dos 200 metros 20 anos depois, com o objetivo de seguir as pisadas de Obikwelu. Na final — que teve dois medalhas de bronze — fez uma corrida sólida e foi sexto.

Tiago Gama Alexandre
text

Duas décadas depois, Portugal voltou a ter um velocista na final dos 200 metros dos Campeonatos da Europa de atletismo ao ar livre. Foi em 2006 que Francis Obikwelu conquistou o título europeu da categoria, num ouro que acabou por ficar marcado por um período conturbado que terminou esta quinta-feira. De regresso ao Alexander Stadium depois de ter falhado as meias-finais dos 100 metros por doença, Delvis Santos começou o dia em grande plano, ao vencer a terceira e última série das eliminatórias, com o tempo de 20,70 segundos, marca que lhe permitiu garantir o quinto melhor tempo daquela fase, a um décimo do italiano Filippo Dezza.

Para a noite ficou marcado o regresso do atleta do Sporting à pista de Birmingham, para fazer história: foi terceiro na segunda série das meias-finais com o tempo de 20,23, bateu o seu recorde pessoal por 22 centésimos e tornou-se no segundo melhor português de sempre, apenas atrás de Obikwelu (20,01). Para trás ficou David Lima, que chegou aos 20,30 em 2017. Acima do feito individual, Delvis garantiu um lugar na final através da repescagem, apurando-se com o quinto melhor tempo, só superado por Owen Ansah (20,04, melhor marca do ano), Zharnel Hughes (20,05), Eseosa Fostine Desalu (20,08) e Timothé Mumenthaler (20,09).

“Tinha dois atletas muito bons ao meu lado. Uma das coisas em que sou muito bom é a parte final. Quando senti que eles estavam ao meu lado, pensei: ‘Agora tenho de colocar o pé a fundo’. Consegui aproveitar. O meu objetivo é sair daqui com uma medalha, independentemente das condições em que estou. Essa é a minha vontade, a minha crença e nada me pode tirar esse sonho. Sinto-me bem, melhor do que nos 100 metros. Tive uma dor de cabeça que durou 24 horas, durante a qual não consegui comer nem dormir. Para mim, um campeonato bem-sucedido seria subir ao pódio. Mas agora preciso de descansar, porque, neste momento, ainda sinto algumas dores. No entanto, continuo confiante e vou deixar que o meu trabalho fale por si. Como diz a minha mãe, estou aqui para concretizar. Espero mais um recorde pessoal. Vamos estar todos em pé de igualdade. Vou estar melhor e mais fresco”, disse o campeão nacional em diversas declarações à imprensa.

Esta sexta-feira, a final dos 200 metros ficou guardada para o final da jornada, tendo sido a última prova masculina do dia. Delvis Santos partiu como 29.º do ranking europeu, embora tivesse a quinta melhor marca do ano entre os oito finalistas e o quinto recorde pessoal mais alto. O português teve de lidar com uma grande contrariedade, já que foi colocado na pista número dois, que é a mais interior, fazendo com que partisse atrás de todos os adversários. Ainda assim, o velocista nacional acabou por fazer uma boa prova, terminando no sexto lugar com 20,60. Owen Ansah venceu (19,95), com Zharnel Hughes a ficar com a prata (20,16) e Eseosa Fostine Desalu e Timothé Mumenthaler, por empate aos milésimos (20,56.251).

https://observador.pt/2026/08/14/birmingham-voltou-a-ver-fazer-se-ca-mas-a-paga-foi-ingloria-liliana-oitava-classificada-na-sua-quarta-final-do-disco-em-europeus/

O programa desta sexta-feira ficou marcado por mais duas finais para a comitiva portuguesa, que colocou Liliana Cá no oitavo lugar do lançamento do disco, numa prova em que a lançadora rubricou quatro nulos. Antes, Mariana Machado esteve em ação na final dos 10.000 metros, mas não conseguiu ir além do 15.º lugar. Durante a manhã, Portugal garantiu mais duas finais, com Isaac Nader a terminar com o segundo melhor tempo nos 1.500 metros, prova em que é o campeão do mundo, e Pedro Buaró a seguir em frente no salto com vara com 5,60 metros.

Nas estafetas 4×400 metros, Pedro Afonso, Ericsson Tavares, João Coelho e Omar Elkhatib não foram além do sétimo lugar da sua série (03.02,84 minutos), ao passo que Fatoumata Diallo, Carina Vanessa, Sofia Lavreshina e Clara Martinha também foram sétimas, mas com a melhor marca do ano (03.25,00). No heptatlo, Jéssica Barreira terminou o primeiro dia no décimo lugar, com 3.717 pontos. A atleta de 29 anos até começou com um quinto lugar nos 100 metros barreiras (13,09), mas quebrou no salto em altura (23.ª com 1,65 metros). A sessão da noite seguiu com a vitória no lançamento do peso (15,02 metros), encerrando com a prova dos 200 metros, onde Barreira foi 15.ª (24,33 segundos).