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Hospitais: doentes urgentes esperam mais este verão do que em 2025. Mas há menos urgências fechadas

Região de Lisboa é a que regista maior aumento do tempo de espera nas urgências este verão. Contudo, o número de urgências fechadas é menor. Ministra da Saúde vai concentrar ainda mais a resposta.

Tiago Caeiro
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Os doentes triados nos serviços de urgência do Serviço Nacional de Saúde (SNS) com pulseira amarela, e considerados urgentes, estão a esperar mais tempo este verão para serem vistos por um médico. O tempo médio de espera para pulseiras amarelas aumentou entre 21 de junho e 12 de agosto de 2026, em comparação com o mesmo período do ano passado. O agravamento ocorreu em quase todas as regiões, mas foi em Lisboa e Vale do Tejo que foi mais significativo — superior a 20%. Nos últimos dias, alguns hospitais têm registado tempos médios de espera para doentes urgentes entre as seis e as sete horas — muito acima do máximo previsto, de 60 minutos.

O tempo médio de espera nas urgências a nível nacional para pulseiras amarelas situou-se nos 56 minutos entre 21 de junho e 12 de agosto, em comparação com os 50 minutos registados no período homólogo do ano passado, mostram os dados disponíveis no Portal de Monitorização do SNS. Registou-se um agravamento no tempo de espera (medido entre a triagem e a primeira observação médica) em três regiões: Lisboa e Vale do Tejo (LVT), Centro e Alentejo.

Na região de LVT, o tempo médio de espera dos doentes triados com pulseira amarela cifrou-se, no período analisado, nos 96 minutos, quando, entre 21 de junho e 12 de agosto de 2025, tinha ficado nos 78 minutos (um aumento de 23%). Na região Centro, o tempo médio de espera nas urgências para doentes com pulseira amarela passou de 46 minutos no verão de 2025 para 52 minutos no verão de 2026. No Alentejo, o tempo de espera para doentes considerados urgentes também se agravou: de 27 minutos no verão de 2025 para 33 minutos este ano. A exceção foi a região Norte, onde se registou uma melhoria: de 42 minutos no ano passado para 40 minutos em 2026. Já a região do Algarve não tem dados atualizados no Portal de Monitorização do SNS.

Se a análise incluir todos os doentes triados nos serviços de urgência (e não apenas as pulseiras amarelas), os números deste verão também mostram um ligeiro agravamento. O tempo de espera registado entre 21 de junho e 12 de agosto de 2026 foi de 50 minutos, em comparação com os 48 minutos do ano passado.

https://observador.pt/2026/08/13/tempos-de-espera-nas-urgencias-voltam-a-subir-e-ultrapassam-as-11-horas/

Doentes urgentes chegaram a esperar mais de sete horas. Ministra diz que não é aceitável

Nos últimos dias, vários serviços de urgência do SNS têm registado tempos de espera excessivos, que chegaram a variar entre as seis e as sete horas para doentes urgentes (triados com pulseira amarela) e ultrapassaram as 11 horas, para a generalidade dos doentes. Esta quinta-feira, dia 13, terá sido o dia mais crítico, com os doentes a esperarem, em média, mais de 11 horas na urgência geral do Hospital do Barreiro. No Hospital de Santa Maria, em Lisboa, a espera para doentes urgentes ultrapassou as sete horas. O mesmo aconteceu no Hospital Garcia de Orta, em Almada. Já no Algarve, a espera para doentes urgentes foi superior a seis horas.

Esta sexta-feira, em visita aos hospitais do Algarve (que estão sob grande pressão por estes dias), a ministra da Saúde reconheceu não ser “aceitável” que um doente espere tantas horas para ser visto por um médico numa urgência do SNS. “Não podemos aceitar que os cidadãos — que ligam para a linha SNS24 e precisam de ir a uma urgência — estejam tanto tempo à espera“, disse Ana Paula Martins, referindo a existência de “picos de procura muito elevados”. “Se me pergunta se nós podemos ficar satisfeitos que um utente esteja tantas horas, sobretudo quando é triado como urgente ou mesmo que seja pouco urgente, que esteja tanto tempo à espera, naturalmente que a resposta é não”, afirmou a governante.

O presidente da APAH antecipa “dificuldades nas próximas semanas” nas urgências hospitalares — um cenário motivado pela falta de médicos nas escalas, por um aumento da procura por serviços de urgências e dos internamentos sociais. “Antecipo, apesar de tudo, algumas dificuldades para as próximas semanas”, disse Xavier Barreto, no programa Explicador, da Rádio Observador, referindo que as urgências vão registar “algumas falhas e algumas esperas mais prolongadas nalgumas regiões do país”.

Gestores hospitalares admitem dificuldades nas próximas semanas

A falta de médicos para elaborar as escalas — um problema que afeta as urgências de Ginecologia/Obstetrícia durante todo o ano, mas que se estende, no verão, também às urgências gerais — é um dos fatores que explica a menor capacidade de resposta dos serviços de urgência neste período do ano, diz o responsável. “Temos algumas falhas nas escalas. Uma parte importante das escalas dos serviços de urgência são garantidas por prestadores de serviços, e eles, como sabemos, estão menos disponíveis para trabalhar durante os meses de verão, particularmente durante o mês de agosto e, portanto, há falhas”, sublinhou Xavier Barreto. “Quando temos uma equipa onde está previsto estarem cinco médicos, e só estão três, obviamente que isso tem consequências na rapidez com que se atendem os novos doentes”, admitiu.

https://observador.pt/programas/explicador/urgencias-xavier-barreto-antecipo-algumas-dificuldades/

O presidente da APAH relaciona também os elevados tempos de espera com um aumento da procura pelas urgências, em resultado da imigração e da concentração da população em determinadas zonas do país no verão. “Há problemas também de procura. Sabemos que a população do país aumentou muito nos últimos dois, três anos. Em algumas regiões do país, temos também fluxos por causa do turismo e, portanto, há regiões que são muito pressionadas durante este mês por causa destes movimentos”, disse Xavier Barreto. Segundo o Portal de Monitorização do SNS, entre 21 de junho e 12 de agosto de 2026, registaram-se cerca de 866 mil episódios de urgências hospitalares, mais 1,5% do que no mesmo período de 2025.

O terceiro fator identificado por Xavier Barreto a contribuir para a falta de capacidade de algumas urgências hospitalares é o problema dos internamentos inadequados (ou seja, de doentes com alta clínica, mas que aguardam uma resposta social ou judicial), cujos números bateram recordes novamente em 2026. “Quando temos um doente na urgência que tem que ser internado e não temos onde o internar [porque as enfermarias estão ocupadas com casos sociais], esse doente acaba por ficar no serviço de urgência, às vezes, dias. Portanto, acaba por sobrecarregar mais as equipas de serviço de urgência e isso traduz-se depois também no menor desempenho da equipa a atender novos doentes”, explicou o presidente da APAH.

Há menos urgências fechadas: são apenas duas este fim de semana

O aumento dos tempos de espera nas urgências hospitalares este verão, em comparação com o anterior, contrasta com a tendência de diminuição que se vinha registando em 2024 e 2025 neste indicador. Como o Observador escreveu, o tempo médio de espera para primeira observação médica nas urgências diminuiu em 2025 em comparação com 2024, bem como o número de falsas urgências e o número total de episódios de urgência. Já em 2024, o tempo médio de espera tinha baixado em relação ao ano de 2023.

https://observador.pt/especiais/tempo-de-espera-e-falsas-urgencias-nos-hospitais-diminuiram-em-2025-utentes-passam-em-media-quatro-horas-e-27-minutos-nas-urgencias/

Esta sexta-feira de manhã, a ministra da Saúde afirmou que a situação nas urgências é “significativamente melhor” do que nos anos anteriores. “Este ano, em agosto, estamos melhor do que estivemos no ano passado, estamos melhor do que estivemos em 2024 e estamos significativamente melhor do que em 2023”, disse Ana Paula Martins aos jornalistas, à margem de uma visita ao Hospital de Faro, lembrando que, em 2023 e 2024, havia “situações de encerramento de serviços de urgência, o que já não se verifica atualmente”. A melhoria do atendimento nas urgências, explicou, resulta de várias medidas adotadas para reorganizar a resposta, entre as quais a referenciação dos doentes e o encaminhamento de casos não urgentes para os cuidados de saúde primários.

Analisando o período de verão, e como referido anteriormente, registou-se um agravamento dos tempos médios de espera nas urgências de 2026 em comparação com o ano passado. Contudo, em relação ao verão de 2024, o tempo de espera está ligeiramente mais baixo: 50 minutos em 2026, em comparação com 53 minutos em 2024.

Já no que diz respeito ao número de encerramentos de urgências, a situação tem vindo a melhorar. Este ano, e tomando como exemplo o mês mais crítico (agosto), no fim de semana de 15 e 16 de agosto está previsto o encerramento de duas urgências: as urgências de Ginecologia/Obstetrícia do Hospital de Abrantes e do Hospital de Portalegre, indica o portal dos Serviços de Urgência do SNS. Esta sexta-feira, a ULS do Alto Alentejo anunciou que a urgência de Ginecologia/Obstetrícia do hospital de Portalegre vai estar encerrada entre domingo e terça-feira, “devido à impossibilidade” de assegurar as escalas médicas.

No fim de semana de 16 e 17 de agosto de 2025, estiveram encerradas cinco urgências, também todas de Ginecologia/Obstetrícia, nos hospitais de Aveiro, Santarém, Caldas da Rainha, Vila Franca de Xira e Setúbal. Já no fim de semana de 17 e 18 de agosto de 2024, chegaram a ser onze as urgências encerradas, tanto na área de Ginecologia/Obstetrícia como em Pediatria.

Ministra adiantou que a rede de urgências será revista, com nova concentração da resposta

Xavier Barreto reconhece que houve uma melhoria na disponibilidade dos serviços de urgência, fruto sobretudo da concentração das urgências levada a cabo pelo Governo. “Conseguimos concentrar profissionais, e mantivemos uma resposta na margem sul [do Tejo]”, disse o presidente da APAH, admitindo que esse foi “um ganho importante”. “Apesar de tudo, há melhorias significativas nalgumas áreas, também na área dos serviços de urgência”, disse o responsável, instando o Ministério da Saúde a “avançar mais e mais rapidamente nas mudanças da rede” de urgências.

Aos jornalistas, Ana Paula Martins deu esta sexta-feira um sinal nesse sentido, referindo que a reorganização da rede de urgências, coordenada pela Direção Executiva do SNS, através da revisão da rede de referenciação, vai ser um processo que deverá conduzir à criação de urgências metropolitanas e regionais e terá também de abranger a governação clínica dos próprios serviços de urgência. “Estou convencida de que, passo a passo, conseguiremos ter melhores resultados”, afirmou a ministra, reconhecendo que os períodos de espera prolongados são motivo de preocupação, apelando à compreensão dos utentes perante as dificuldades registadas.