(c) 2023 am|dev

(A) :: Há eclipses que duram dias, mas são salvos por um grego que só precisava de sentir Alvalade (a crónica do Sporting-V. Guimarães)

Há eclipses que duram dias, mas são salvos por um grego que só precisava de sentir Alvalade (a crónica do Sporting-V. Guimarães)

O início não podia ter corrido melhor, com Ioannidis e Flávio outra vez em destaque, mas o leão voltou a ser alérgico à segunda parte e eclipsou-se. Vimaranenses ainda recuperaram dois golos (3-2).

Tiago Gama Alexandre
text

O ciclo mudou, mas os resultados negativos que pautaram a última época continuaram. A nova temporada foi encarada como uma espécie de mudança de ciclo para os líderes do Sporting, que aproveitaram o fracasso — q.b., dado que os leões voltaram aos quartos de final da Liga dos Campeões, embora tenham terminado a época sem qualquer troféu conquistado — para reconstruírem o plantel que outrora teve sucesso. Saíram os líderes do balneário, podem sair outros, chegaram novas caras e o arranque até parecia ser galvanizador e positivo… mas ficou-se pela pré-temporada. Ao longo de cerca de um mês de preparação, os leões venceram os sete particulares que disputaram, numa altura em que a máquina parecia oleada para o arranque oficial. Contudo, o Sporting começou a época a desiludir, tendo desperdiçado uma vantagem de dois golos na visita à Amadora (2-2).

https://observador.pt/2026/08/08/ha-quem-fale-em-eras-ha-quem-acabe-a-ver-estrelas-quando-nao-consegue-voar-a-cronica-do-estrela-da-amadora-sporting/

No jogo da Reboleira voltaram a surgir muitas dúvidas em torno da equipa de Rui Borges, que foi “obrigado” a entrar em campo com os “meninos” Rodrigo Dias e Flávio Gonçalves. Se, no primeiro caso, não havia mais nenhuma opção, tendo em conta a suspensão de Maxi Araújo, no segundo caso a exibição foi de tal forma positiva, que o extremo saiu de campo como um dos melhores jogadores da turma de Alvalade. Por outro lado, os problemas em torno de Luis Suárez levaram Fotis Ioannidis à titularidade, que, depois de muito tentar, marcou mesmo antes de ceder o seu lugar ao colombiano, que teve uma exibição muito aquém e despediu-se do José Gomes com uma imagem muito negativa.

Ficha de jogo

Sporting-V. Guimarães, 3-2

2.ª jornada da Primeira Liga 2025/26

Estádio José Alvalade, em Lisboa

Árbitro: David Silva (AF Porto)

Sporting: Rui Silva; Georgios Vagiannidis (Iván Fresneda, 83’), Eduardo Quaresma, Gonçalo Inácio, Maxi Araújo; Issa Doumbia, Sergi Altimira; Geny Catamo (Luis Guilherme, 66’), Rodrigo Zalazar, Flávio Gonçalves (Luis Suárez, 66’); Fotis Ioannidis (Jesse Derry, 75’)

Suplentes não utilizados: João Virgínia; Silas Andersen, Zeno Debast, Rafa Nel, Pedro Lima, Rodrigo Dias, Ibrahima Ba e Eduardo Felicíssimo

Treinador: Rui Borges

V. Guimarães: Oliwier Zych; Miguel Maga (Tony Strata, 46’), Óscar Rivas, Thiago Balieiro, João Mendes; Gonçalo Nogueira (Santiago Verdi, 76’), Beni Mukendi (Lohann Doucet, 46’); Oumar Camara (Miguel Nogueira, 46’), Samu Silva (Patrick Ouotro, 88’), Gustavo Silva; Alioune Ndoye

Suplentes não utilizados: Juan Castillo, Lucas Furtado; Ahmed Sidibé, Matija Mitrovic, Telmo Arcanjo e Francisco Dias

Treinador: Tiago Margarido

Golos: Flávio (9’), Ioannidis (22’), Almitira (41’), Samu (66’) e Ndoye (68’)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Altimira (24’), Balieiro (26’), Rivas (38’), Geny (54’), Miguel Nogueira (63’), Quaresma (69’), Gustavo (78’) e Inácio (90+1’)

“Voltar a casa é sempre motivo de felicidade. Temos saudades de sentir Alvalade no seu melhor. É importante que esta jovem equipa sinta o carinho. Estamos todos entusiasmados. Em relação ao adversário, é um jogo especial por ter passado por aquela casa. Tem uma paixão diferente e os jogadores sabem disso. Perderam na primeira jornada, mas foi a equipa que mais rematou e que mais cruzamentos fez. O treinador é novo, mas já demonstrou que sabe organizar as equipas. É uma equipa muito competitiva e muito bem organizada em termos defensivos. Vão querer dividir o jogo e vão causar-nos problemas. Suárez? O único mal-estar que existiu neste clube foi durante a semana e é coletivo. Queríamos ganhar e infelizmente não fomos capazes de o fazer na primeira jornada. Isso criou um mal-estar em todos nós. Desconheço esses episódios. Treina bem, vai a jogo. Não treina bem, não vai. Está convocado para amanhã [sexta-feira]”, revelou Borges na antevisão.

Se o início dos verde e brancos esteve longe de ser bom, o V. Guimarães entrou igualmente com o pé esquerdo, perdendo na receção ao Arouca na estreia oficial de Tiago Margarido (0-1). Ainda assim, os conquistadores mostraram sinais positivos com o antigo treinador do Nacional, tendo dominado o jogo e pecado no capítulo da finalização. “Contamos com o Sporting dos primeiros 70 minutos na Reboleira. É um Sporting fortíssimo, avassalador e que se reforçou com mais de 100 milhões investidos no plantel. O Sporting vai querer dar uma resposta forte, vai querer entrar forte no jogo. Estamos no que entendemos ser um bom caminho. Conseguimos aferir a nossa qualidade através das estatísticas. Os jogadores entendem e têm inteligência, assim como a equipa técnica, de que o caminho é este”, antecipou o vitoriano.

https://twitter.com/SportingCP/status/2088300335626403894?s=20

Nos dois onze iniciais houve apenas uma alteração, a envolver o universo leonino, já que, de forma natural, Maxi Araújo voltou ao lado esquerdo da defesa, de onde saiu Rodrigo Dias. Como seria de esperar, o Sporting entrou forte no desafio e não demorou a fazer balançar a rede da baliza de Oliwier Zych, num lance que até começou num pontapé de baliza do polaco: a turma da casa recuperou rapidamente a meio-campo, com Geny Catamo a lançar Fotis Ioannidis na direita, este recebeu, passou por um defesa, aguentou a carga e foi desarmado, mas o ressalto sobrou para Flávio Gonçalves, que atirou de pronto para o golo (9′). Pouco depois, Flávio voltou a abrir o jogo e virou o jogo para a direita com um grande passe pelo ar, Geny recebeu com o peito, fez um chapéu a João Mendes e deixou para Ioannidis que, depois de rodar, fez o segundo golo da noite (22′).

A partir daí o jogo acalmou e os vimaranenses acabaram por crescer, ameaçando o golo numa arrancada de Oumar Camara pela esquerda, mas Samu Silva apareceu em esforço a rematar para fora, já dentro da área (40′). Ainda assim, o Sporting respondeu da melhor forma e dilatou a vantagem em mais uma recuperação de Ioannidis, que deixou para Sergi Altimira receber sem marcação e, de longe, desferir um belo remate para o fundo da baliza (41′). Ainda assim, os leões acabaram o primeiro ato em sofrimento, com Rui Silva a evidenciar-se na baliza. Primeiro, o internacional português impediu o golo de Camara em cima da linha (45+2′) e, na sequência do canto, travou o remate de Samu junto ao poste (45+2′).

Ao intervalo, Margarido lançou de imediato Tony Strata, Lohann Doucet e Miguel Nogueira e o V. Guimarães deu seguimento à boa imagem do final do primeiro tempo, com Alioune Ndoye a cabecear por cima na sequência de um livre lateral (55′) e Samu Silva quase a aproveitar um erro clamoroso de Rui Silva, que se atrapalhou com a bola, mas o remate do médio português saiu por cima (56′). Com o Sporting completamente inexistente e sem grande vontade em reverter a tendência do jogo, o que se esperava acabou por acontecer, com os vitorianos a explorarem o espaço pelo meio para faturarem: Alioune Ndoye tocou em apoio para Nogueira, que serviu de pronto Samu que, à entrada da área, desferiu um remate colocado para o golo (66′). Borges respondeu com Luis Guilherme e Luis Suárez, com direito a assobiadela para o colombiano, e o V. Guimarães voltou a marcar: Rodrigo Zalazar perdeu na esquerda, Strata recuperou e cruzou com conta, peso e medida para uma bela cabeçada de Ndoye (68′).

Com o jogo completamente em aberto e o leão sem rematar, Jesse Derry entrou em ação e quase viu o empate de dentro das quatro linhas, mas o remate de Gustavo Silva saiu a rasar a trave (78′). Já com Santiago Verdi, Iván Fresneda — Georgios Vagiannidis saiu lesionado — e Patrick Ouotro em campo. Apesar do sufoco final do V. Guimarães, não voltaram a existir oportunidades de perigo, com o Sporting a terminar a segunda parte sem qualquer remate efetuado, mas com os três pontos no bolso (3-2).