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(A) :: Espanha e Marrocos aumentam segurança fronteiriça em Ceuta, perante nova ameaça de invasão migrante difundida nas redes sociais

Espanha e Marrocos aumentam segurança fronteiriça em Ceuta, perante nova ameaça de invasão migrante difundida nas redes sociais

Espanha envia 500 polícias e 2.000 militares para o enclave no norte de África. Marrocos denuncia máfias enganosas que impõem "graves ameaças à segurança das pessoas". 5.000 migrantes ainda em Ceuta.

Mariana Carvalho
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O conteúdo partilhado nas redes sociais coloca o próximo sábado, 15 de agosto, na agenda das autoridades espanholas e marroquinas que protegem as fronteiras de Ceuta, o enclave que Espanha mantém no norte de África. As publicações partilhadas em grupos de Facebook e WhatsApp apelam a uma nova invasão de migrantes em Espanha no feriado religioso da Assunção de Nossa Senhora, depois de 60.000 jovens de origem marroquina e subsaariana terem atravessado a nado e de forma irregular a extensão de mar que separa a cidade autónoma e Fnideq, em Marrocos, nos dias 30 e 31 de julho. Madrid e Rabat reforçaram o controlo de fronteiras e a presença policial na região.

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“Tomaram-se as medidas necessárias para impedir qualquer tentativa de travessia ilegal e intercetar qualquer pessoa que tente participar nela”, garantiu o porta-voz do ministério da Administração Interna marroquino, citado pelo El País. Rachid el Jalfi instou a população a ignorar iniciativas consideradas “suspeitas e enganosas”, que impõem “graves ameaças à segurança das pessoas” e são difundidas através das redes sociais.

Simultaneamente, o ministro espanhol da Administração Interna, Fernando Grande-Marlaska, condenou a atividade de “máfias que brincam com as vidas” dos jovens africanos, que “não vão ficar em Ceuta, entrar na Península [Ibérica] ou ser regularizados.” O governante aumentou o número de operacionais da polícia e da Guardia Civil no enclave, dos 1.100 que existiam antes do evento de 30 de julho para cerca de 1.600 na véspera de 15 de agosto, que se somam a um destacamento extraordinário de aproximadamente 2.000 militares que devem desempenhar funções de apoio na região.

Para além de participarem no reforço de fronteiras, os agentes pretendem aumentar a visibilidade dos órgãos de autoridade em Ceuta, onde ainda permanecem 5.000 migrantes irregulares. Marlaska admite que a “normalidade” que existia antes de 30 de julho demorará tempo a instalar-se, mas tem demonstrado confiar no executivo marroquino no que diz respeito à gestão de crises futuras, afirmando que a colaboração entre Madrid e Rabat “sempre foi, é e será extraordinária e excecional”.

Marrocos já deteve várias pessoas acusadas de espalhar informações falsas para incentivar a migração irregular, de acordo com a agência estatal de notícias MAP. O Governo do país pede que Espanha assuma a responsabildade de reencaminhar os milhares de migrantes marroquinos que ainda permanecem em Ceuta, 1.898 dos quais são menores.

Num cenário de relações diplomáticas estáveis e amistosas entre os dois países, o discurso do ministro da Justiça marroquino, Abdelatif Uahbi, tem-se destacado pelo caráter marcadamente hostil e confrontacional. Em campanha para as próximas eleições legislativas de 23 de setembro — que o seu Partido da Autenticidade e Modernidade pode vencer —, o governante tem tecido duras críticas a Espanha, que acusa de regularizar os migrantes que Marrocos se esforçou por reter às portas do enclave europeu. “Nós impedimos a saída dos emigrantes — não apenas dos marroquinos, mas também dos outros —, que quando chegam a Espanha são aceites e regulariza-se a sua situação”, disse à agência Efe.

Vários jornais espanhóis, como o El País, noticiaram que, pelo contrário, as autoridades marroquinas se mantiveram à margem durante a crise migratória que estalou em Ceuta, evitando intervir na trajetória dos migrantes que atravessaram o país até aos limites do enclave espanhol. Apesar das vozes dissonantes da oposição espanhola e dentro do próprio Governo de Pedro Sánchez, Marlaska mantém que “a cooperação e coordenação” com as autoridades marroquinas “foi de uma cumplicidade fora de série”.

Além do reforço ao nível dos recursos humanos, Madrid também ordenou a construção de uma barreira marítima no espigão de Tarajal — que assinala a fronteira marítima entre Ceuta e o território marroquino — e um dique a sul de Melilha, outra cidade autónoma controlada por Espanha na costa nordeste de Marrocos. Mais de uma dezena dos cerca de 5.000 migrantes que permanecem em Ceuta foram presos ou expulsos do território por delitos vários cometidos desde que chegaram à cidade.

As forças policiais reforçadas na região especializam-se em várias funções, uma das quais a luta antiterrorista, ainda que Marlaska tenha negado o aumento da ameaça jihadista no território. “Estamos a vigiar e a monitorizar todas as pessoas que entraram”, disse.